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Da fábrica à oficina: a inovação por trás das pinturas tricoat e quadricoat

Evolução de processos e materiais permite reproduzir efeitos complexos com mais fidelidade e abre espaço para projetos diferenciados de customização

30/03/2026

Cores que variam conforme a luz, efeito de profundidade na pintura e acabamentos foscos já se tornaram parte do padrão visual de muitos veículos. Esse tipo de acabamento não surgiu no mercado de reparação, mas sim nas linhas de produção das montadoras, que passaram a adotar tecnologias como tricoat e, mais recentemente, quadricoat para ampliar as possibilidades estéticas.

Com maior presença de carros premium – em geral acima de R$ 200 mil no Brasil –, esse padrão também chega às oficinas. Modelos com pinturas perolizadas, metalizadas e efeitos especiais exigem um grau elevado de fidelidade na repintura que, na prática, significa reproduzir não só a cor, mas o comportamento visual da pintura, evitando diferenças perceptíveis e preservando o valor do veículo.

A técnica tricoat, já consolidada no setor, utiliza três camadas para construir o efeito visual: base sólida, camada intermediária com pigmentos especiais e verniz. É essa combinação que garante profundidade, variação de tonalidade e efeitos como perolização e metalização. “É importante ficar atento porque o controle da aplicação, principalmente da camada intermediária, é determinante para reproduzir com precisão o efeito original da cor. Qualquer variação nessa etapa pode gerar diferença de tonalidade e comprometer o resultado final”, explica Ricardo Vettorazzi, Gerente Técnico de Repintura Automotiva da PPG.

Além da reprodução fiel da cor, o processo também impacta diretamente a durabilidade. Isso porque o verniz atua como proteção contra radiação UV, intempéries e desgaste superficial, mantendo o aspecto da pintura por mais tempo.

Pintura quadricoat: uma camada a mais de precisão

O quadricoat surge como uma evolução do processo tricoat e adiciona uma etapa ao sistema tradicional. Nesse modelo, a aplicação começa com um primer específico para ajuste de tonalidade, seguido por uma base pigmentada, uma camada translúcida com nova carga de pigmentos e, por fim, o verniz.

Segundo Vettorazzi, essa estrutura amplia o controle sobre o resultado final. “O quadricoat permite trabalhar com mais precisão a construção da cor e do efeito, principalmente em projetos especiais de customização ou em tons com maior complexidade visual”, esclarece o especialista.

A combinação de camadas também potencializa o uso de pigmentos especiais, como pérolas, partículas metálicas e efeitos ópticos, que respondem à luz de formas distintas. O resultado são superfícies com maior profundidade e dinamismo visual, cada vez mais presentes em modelos premium e de luxo.

Novidades do mercado para projetos de customização

Os avanços em repintura também abrem espaço para novas frentes de customização, com foco em acabamentos diferenciados. Vernizes foscos e semibrilho, antes restritos a nichos específicos, atualmente já integram o portfólio de oficinas que investem em técnicas mais avançadas – exigindo precisão maior na aplicação, já que não permitem correções após a finalização.

Esse movimento é viabilizado pela evolução dos materiais. Tintas base água facilitam o ajuste de cor em processos com múltiplas camadas, enquanto novos pigmentos e vernizes ampliam as possibilidades de efeito, do alto brilho a superfícies mais opacas e uniformes. Na prática, isso permite explorar desde variações sutis de tonalidade até propostas mais marcantes de personalização.

“Com isso, as oficinas passam a atuar para além da reparação. O domínio técnico, aliado ao uso de tecnologias mais avançadas, permite atender uma demanda crescente por diferenciação estética”, finaliza Ricardo Vettorazzi.

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