“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Como criar uma cultura que abrace as diferentes gerações na empresa

Para isso, as empresas devem ter uma identidade cultural que permita opiniões diversas e, sobretudo, antagônicas. O que exige uma liderança flexível e muito bem-preparada para ouvir cada um dos lados

27/02/2026

Por Karin Fuchs

Tornar uma empresa atrativa e saudável para diferentes gerações, com os Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z, compartilhando o mesmo espaço, é um desafio bastante comum enfrentado pelo mercado. “O que exige, acima de tudo, uma liderança flexível e muito bem-preparada para ouvir cada um dos lados e assegurar que estejam felizes e motivados em suas funções”, disse Thiago Gaudencio, headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Thiago Gaudencio, headhunter e sócio
da Wide Executive Search

Para isso, as empresas devem ter uma identidade cultural que permita, verdadeiramente, opiniões diversas e, sobretudo, antagônicas. “Pois, quando trazem diversas gerações para trabalharem juntas é natural esperar essa diversidade de ideias, pensamentos e experiências. Então, além de terem uma cultura que permita essa diversidade, a liderança também precisa estar bem capacitada, treinada e engajada com esse ideal, sabendo explorar as vantagens de trabalhar com essa diversidade. Se não, ao invés de ser uma oportunidade, se tornará um fardo. A cultura deve trazer senso de pertencimento para todos, enxergando as vantagens disso”, orientou.

Gaudencio acrescentou que “há uma tendência natural de que, conforme a empresa vá ganhando cada vez mais maturidade, reconhecimento e prosperidade, mais profissionais seniores adentrem seu time, criando um espaço diverso que precisa de uma boa convivência para continuar garantindo a conquista de excelentes resultados”, afirmou.

Conflitos mais comuns

Conforme o executivo, os conflitos mais comuns entre as diferentes gerações nas empresas podem ser vistos desde discussões pequenas até questões maiores. “Como por qual canal enviar uma mensagem (e-mail, WhatsApp) ou onde realizar reuniões (presencialmente ou virtualmente); até questões maiores, como quais benefícios oferecer (plano de saúde, cartão mobilidade). Tudo isso envolve o planejamento estratégico da organização, sabendo se é uma empresa mais ‘conservadora’ ou ‘da moda’. Todas essas diferenças, por menores que sejam, são importantes para que se tenha uma cultura que abrace todos da mesma forma”, descreveu.

A própria empresa, segundo ele, “deve ter clareza do que ela é e onde pretende chegar, assim como qual o seu propósito, e quem querem impactar com seus serviços ou produtos. Isso facilita muito para reduzir os conflitos internos, com uma cultura que abrace as diferenças e que faça com que encontrem oportunidades a serem seguidas”, explicou.

Controladores

E não se trata apenas de empresas geridas pelos mais velhos ou pelos mais novos. “Essa visão distorcida ocorre nos dois sentidos: tanto em empresas controladas por pessoas mais velhas (enxergando as novas gerações como difíceis de lidar); quanto as geridas por profissionais mais jovens (abraçando os mais experientes e aprendendo com seu conhecimento). O que faz a diferença nisso é mais uma clareza do que esperam com cada cargo específico e, sobretudo, como juntam perfis diversos em prol de um propósito maior. Vivemos em uma sociedade diversa, e toda vez que uma empresa foca em trabalhar apenas com um perfil específico, acaba se fechando a olhar para outro público tão relevante quanto”, alertou.

A orientação do executivo é sempre olhar sob um prisma mais amplo. “Capaz de auxiliar que as empresas se preparem mais para essas transições e diferentes gerações. É uma questão de somar, dar chance e permitir o aprendizado mútuo entre eles”, sintetizou.

A troca de aprendizado

As diferentes gerações têm muito a aprender uma com a outra e nas palavras de Gaudencio, cada um contribui de uma forma única. “Mas, é claro que, quando analisamos genericamente, o mais comum é associarmos pessoas mais velhas como mais experientes em determinado assunto, ou mesmo em vivência – agindo com mais cautela, parcimônia. Ao mesmo tempo, quando olhamos para gerações mais novas, costumamos ver perfis mais impetuosos, com menos medo de errar. Porém, isso tudo acaba sendo algo bem mais generalizado, sempre há exceções”, afirmou.

A dica dele é que as empresas se questionem.“Como essa geração se conecta com o público que eu quero atingir?’ – seja através da linguagem, relacionamentos, preferências de compra. Um sentido de aprender, e não de ensinar. E isso, naturalmente, depende do quanto a outra pessoa quer aprender, o que pode ser incentivado com uma cultura voltada a isso e uma liderança capacitada para estimular esse mindset que abraça esses perfis diferentes”, explicou.

Consultoria

Para finalizar, Gaudencio disse que sempre que a empresa dispõe de capital para fazer investimento em uma consultoria, isso se torna muito válido. “Isso porque nem sempre as respostas para os problemas que estão enfrentando serão encontradas dentro de casa. Nem sempre terão todas as variáveis definidas e, às vezes, precisam de um olhar de fora para avaliar tudo, mesmo que seja para corroborar com o que já achavam que estava ocorrendo.

De toda forma, a consultoria amplia essa visão e, até mesmo, ajuda a construir um pensamento crítico estratégico, sendo extremamente positiva sempre que as empresas puderem”, concluiu.

Fonte: Balcão Automotivo

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