Por Alzira Rodrigues
Na mesma quinzena do anúncio feito por General Motors e Hyundai sobre o desenvolvimento de quatro modelos compartilhados na América do Sul, as marcas inverteram posição no mercado brasileiro, com a estadunidense caindo para o quarto lugar e a coreana subindo para o terceiro.
Conforme dados divulgados pela Bright Cosulting, a GM emplacou 9,4 mil unidades das 100,7 mil do mercado total de veículos leves na primeira quinzena de agosto, com market share de 9,3%.
A Hyundai licenciou um pouco mais, 9,7 mil unidades, fatia de 9,7%. A Fiat respondeu por 21,5% do mercado de leves, com 21,7 mil licenciamentos, e a Volkswagen por 18,4% ou 18,5 mil unidades. A Toyota fecha o Top 5 com, respectivamente, 7,8% e 7,8 mil emplacamentos.
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A GM, na verdade, vem mal desde o ano passado e está entre as que mais estão perdendo market share no mercado brasileiro. De janeiro a julho teve participação reduzida em 2,2 pontos porcentuais, de 12,8% para 10,6%. Já a Fiat e a Volkswagen ampliaram esses índices para, respectivamente, 21,4% e 16,2%.
Segundo revelaram fontes da rede Chevrolet, a queda na primeira quinzena de agosto reflete ação adotada na segunda metade de julho para evitar queda maior na participação do mês, que chegou a ficar em apenas 6% em seus primeiros dias.
Para ampliar mercado na segunda metade de julho, a GM dobrou o bônus para os concessionários que emplacassem os veículos em nome da loja, com licenciamento e pagamento de IPVA. Com isso, esses veículos foram vendidos na primeira quinzena como seminovos, com consequente queda nos emplacamentos de 0 km.
Fenabrave: “A voz dos Concessionário”.
Um dos concessionários comentou, inclusive, sobre a insatisfação atual da rede Chevrolet, citando pesquisa da Fenabrave intitulada “A Voz do Concessionário. Quando os bons falam, a verdade sempre aparece!”, que traz a GM entre as piores avaliadas pela rede autorizada.
Baseado na média de sete notas com temas variados, como se o valor da concessionária cresceu no último ano, a preocupação da montadora com rentabilidade e suporte financeiro, a Fenabrave revela o chamado Índice de Valor da revenda de acordo com avaliação da própria rede.
Na média, o Índice de Valor junto a 23 redes de veículos leves ficou em 66,1%. A BMW está no topo, com 83,7%, seguida da GWM, com 83,1%. A General Motors aparece só no 20º lugar, com índice de 50,5%.
Em três itens — se o valor da concessionária cresceu, se vai crescer nos próximos 12 meses e quanto à preocupação da sua montadora em garantir rentabilidade adequada aos concessionários —, a GM ocupa o penúltimo lugar, com notas de 35,3%, 47,9% e 42,5%, ante médias de 64,9%, 68,9% e 61%.
Nos primeiros dois casos a General Motors só ganha da Jaguar Land Rover e no terceiro da chinesa BYD.
Outro item interessante, se a montadora considera sugestões dos concessionários antes de tomar decisões que os afetem, tem a GM na 20ª colocação, atrás apenas da Kia, Renault e BYD.
Ou seja, evidência clara de que as revendas da marca Chevrolet estão descontentes com as ações da montadora, que enfrentou sérios problemas com a queda da demanda pelo Onix, seu carro-chefe, por causa de alguns fatores, com destaque para reclamações sobre problemas com a correia dentada banhada a óleo.
Na avaliação da rede, a GM demorou muito a reagir às notícias que circularam nos últimos meses e só agora, no lançamento da linha 2026, anunciou mudança do fornecedor desse componente, o que talvez não seja suficiente para recuperar a imagem da marca perdida nos últimos tempos.
ÍNDICE DE VALOR – PESQUISA FENABRAVE

Fonte: AutoIndústria – Foto: Divulgação