“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Cantu começa a operar em lojas físicas após a fusão com a GP Pneus

Meta é, no longo prazo, quadruplicar número de pontos de venda para 500 unidades

29/08/2025

Por Soraia Abreu Pedrozo

A Cantu, distribuidora brasileira de pneus importados da Ásia com forte presença online por meio do seu e-commerce PneuStore, recentemente concluiu fusão com a GP Pneus em transação de R$ 1 bilhão 80 milhões. Com a operação inaugura capítulo em sua trajetória de dezenove anos e passa a ter acesso a 127 lojas físicas e centros de distribuição em 24 Estados brasileiros.

“Era o que faltava para ter o contato real do fornecedor com o prestador de serviços e o cliente. O movimento com a GP Pneus vem como um potencializador para criarmos este ecossistema da Cantu, em que passamos pela experiência do online cascateando para a do físico e nos tornamos o principal player, talvez o único, capaz de reproduzir isto”, assinalou Bruno Brambilla, diretor de fusões e aquisições da Cantu.

A complementariedade dos dois negócios é bastante ampla, nas palavras do executivo, ao ressaltar, principalmente, o ingresso no varejo físico. As vendas da Cantu para clientes pessoa física até então eram só online, apesar de massa de vendedores fazer as vezes de representantes comerciais no atacado e realizar vendas no B2B e B2fleet, em que o contato era presencial.

“A fusão traz incremento tanto em termos de abrangência do território nacional quanto de posicionamento e produto. Agregamos novos fornecedores e novas relações. A GP Pneus tem relações longevas com importantes fabricantes nos quais não tínhamos entrada. E conta com uma rede bem nacionalizada. Com ampla presença em termos territoriais.”

Segundo Brambilla a GP Pneus, assim como a Cantu, é forte em pneus de passeio e carga, mas adaptada ao varejo: “E como as lojas têm as bandeiras dos fabricantes eles obtêm penetração muito interessante no mercado por causa deste contato com os clientes na ponta final”. 

Juntas, as empresas somam 240 unidades, com 56 centros de distribuição, 127 lojas e oito unidades no Exterior, sendo quatro nos Estados Unidos, uma no México, uma na Colômbia, uma em Luxemburgo e uma na China. O restante é de unidades de atacado.

À Agência AutoData o diretor garantiu que meta é, no longo prazo, dispor de quinhentas lojas no varejo físico, quadruplicando o número atual:

“Seguimos movimento de consolidação no setor. Sempre com o viés de mover nosso barco e também fortalecer o parceiro que hoje já é nosso credenciado na PneuStore a ir e se profissionalizar. E de trazer também o figital [tendência de unir os mundos físico e digital] ao parceiro que não é propriamente uma loja da Cantu, e ajudá-lo a diminuir ociosidade, colocar mais carros no elevador, trazer mais serviços para dentro de sua loja”.

Centro de distribuição da Cantu. Foto: Divulgação.

Juntas, empresas têm 12% de market share

A fusão elevou em 50% o faturamento bruto da Cantu, que no ano passado foi de R$ 3,7 bilhões. Somado ao da GP Pneus, de R$ 2 bilhões, elas têm R$ 5,7 bilhões e participação de 12% no setor de pneus.

O executivo evitou traçar projeções para as companhias combinadas, porque o negócio ainda está sendo integrado e a construção de orçamento realizada: “Este mercado, estimado em mais de R$ 75 bilhões, é gigantesco, mas muito fragmentado. Então ainda tem muito espaço para crescermos de forma orgânica e inorgânica”. 

Em termos de volume de vendas a GP vem para agregar mais de 2,5 milhões de pneus comercializados ao longo do ano passado. Período em que a Cantu vendeu 5,7 milhões de unidades. Juntas venderam 8,3 milhões de itens. 

Somente no primeiro semestre deste ano a Cantu comercializou 2,4 milhões de pneus, sendo 66,4% de marcas próprias – em 2022, foram 10%. São elas SpeedMax, Itaro e Gripmaster, empresa adquirida, líder do segmento fora de estrada.

Junto com a GP Pneus, que não tem marca própria mas que, assim como a Cantu, revende pneus de diversas origens, venderam 3,7 milhões de pneus no período.

“Sabemos que hoje, para que o setor seja competitivo, ter uma terceirização bem realizada é super importante. Ainda mais agora, com movimento de tarifaço, mudança de regras tarifárias por vários países. Mesmo no Brasil isto acontece com as leis antidumping. Ter este fornecimento multimodal e internacional, portanto, é essencial.”

O executivo disse que a empresa sempre estuda a possibilidade de ter nova marca própria, para se adaptar a um novo nicho. Sobre aportes adicionais afirmou que já é processo natural e corriqueiro da operação investir continuamente, mas não divulgou número, valores e índices.

“Costumo dizer que o rico aqui é usar as ferramentas que já temos. E, agora, conseguimos acessar a rede de abastecimento e atender de forma mais eficaz o cliente para que tenha o pneu que precisa.”

A GP Pneus foi fundada em Porto Alegre, RS, em 1996, enquanto que a Cantu nasceu em 2006 em Itajaí, SC. O processo de fusão teve início em outubro de 2024 e foi concluído em julho. Por ora Brambilla disse que os nomes permanecerão inalterados.

Fonte: AutoData

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