Por Soraia Abreu Pedrozo
O aquecimento do mercado de blindagens, estimulado pelo ingresso de veículos de menor tíquete por causa da escalada da criminalidade, tem impulsionado a indústria a pesquisar mais sobre materiais que elevam a resistência a projéteis e a investir valores suntuosos a fim de ampliar seu cardápio. É o caso da Avallon Blindagens, de Barueri, SP, que dedicou dois anos para desenvolver, testar e aprovar solução para a Lexus. Após processo de concorrência a empresa foi a primeira do mundo a tornar-se blindadora certificada pela empresa.
“Sabíamos que não teríamos uma segunda possibilidade e que não poderíamos desperdiçá-la. Então lançamos mão de tecnologia que, além de propor maior resistência, permite a instalação na carroceria como um todo, ou seja, eleva significativamente a proteção dos passageiros no veículo, que é o polietileno flexível”, afirmou Thomas Yamada, diretor de desenvolvimento da Avallon Blindagens.
A Avallon hoje já oferece a opção de blindagem usando o polietileno rígido em substituição ao aço nas colunas: “O uso do polietileno flexível, que tem tenacidade elevada comprovada em teste balístico maior segurança ao demonstrar a eficiência de suportar disparos de projétil bem próximo um do outro, adiciona mais 35 pontos de reforços na carroceria”.
Yamada contou que esta tecnologia, por enquanto, é oferecida apenas aos veículos Lexus. Mas, pelo fato de a solução ter sido desenvolvida pela Avallon em parceria com a Protecta, fornecedora do insumo, outras montadoras poderão realizar seus estudos com a blindadora para aplicá-la em seus veículos – esta é a expectativa, inclusive, com a Toyota.

Nova tecnologia deixa o carro mais leve
Além de deixar o veículo cerca de 30% mais leve em comparação ao método tradicional, de acordo com o executivo o polietileno flexível melhora a dirigibilidade, o conforto e o desempenho: “Durante os testes na pista atestamos que, na frenagem, o veículo manteve a mesma distância que um não blindado, o que demonstra um equilíbrio maior na carroceria. Além disso há o desgaste menor nos pneus, nos freios e na suspensão”.
Outro benefício, segundo o executivo, é que como o processo usa menos aço e o polietileno é um isolante térmico, a cabine fica mais confortável e o acionamento do ar-condicionado é menor, assim como o consumo de combustível – a blindagem equivale a um carro que carrega pelo menos três passageiros, só que sem eles a bordo.
E, claro, as benesses têm seu preço: se da blindagem de aço para a de polietileno rígido o custo é acrescido em torno de R$ 18 mil, deste para o flexível são mais R$ 16,8 mil. Neste caso, portanto, o valor para blindar um Lexus vai de R$ 121,2 mil para R$ 138 mil.
Os dois modelos certificados e alvejados durante os testes serão exibidos nas concessionárias da marca a fim de demonstrar a diferença das tecnologias e os recursos usados.
O diretor destacou que, independentemente do material usado, a técnica da empresa propõe a proteção para balas que alvejam o veículo no ângulo de 45 graus também, e não somente no de 90 graus, como tradicionalmente é feito. E são usados parafusos especiais que inflam em contato com os projéteis, a fim de segurá-los.
Blindadora certificada pela Toyota, Lexus e BYD a Avallon tem outros dois novos contratos que serão anunciados em breve, de uma entrante chinesa e de uma montadora local, além de blindar veículos de todas as marcas ainda que não seja certificada pelas fabricantes.
Fonte: AutoData


































