A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) enviou ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) um manifesto multissetorial em que pede providências urgentes para buscar reverter a situação atual, marcada, entre outros desafios, pela entrada massiva de pneus importados no país – muitas vezes em condições que fomentam uma competição desleal no mercado.
O documento alerta que toda a cadeia de produção do setor – que envolve produtores de borracha e fabricantes de aço, produtos químicos e têxteis – está sendo duramente afetada por produtos importados que chegam ao país em alto volume, incluindo situações com preços inferiores aos custos de produção no mercado internacional e sem cumprir as exigências ambientais previstas na legislação brasileira (segundo dados do IBAMA, há 15 anos seguidos, parte dos importadores não cumpre as metas de recolhimento de pneus inservíveis, acumulando 500 mil toneladas não retiradas do meio ambiente).
Segundo a ANIP, a participação de pneus de passeio e carga produzidos no país para o mercado de reposição passou de 66%, em 2021, para 41%, em 2025, por conta de condições assimétricas de competição neste mercado. A tendência de queda se aprofundou em janeiro deste ano, quando a participação do produto nacional chegou a inéditos 28% contra 72% dos importados (baixe o release completo que acompanha este material, com os dados do setor em janeiro).

“Estamos vivendo um momento de grave risco de ruptura da cadeia de produção que pode levar à desindustrialização do setor, comprometendo a soberania nacional e a oferta de insumos estratégicos para o país”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
O manifesto tem apoio, até o momento, da ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química), ABRABOR (Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural), ALAPA (Associação Latino Americano de Pneus e Aros), AMNPS (Associação do Movimento Nacional de Produtores e Sangradores), APABOR (Associação Paulista de Produtores Beneficiadores de Borracha), ASSOBAN (Associação Brasileira das Distribuidoras Bridgestone Bandag), EMDAPI (Empresa de Destinação Adequada de Pneumáticos Inservíveis), FENABOR (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex), Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Reciclanip e SINPEC (Sindicato Nacional da Indústria de Pneumáticos, Câmaras de Ar e Camelback).
Segundo o manifesto, a degradação do mercado envolve diferentes externalidades que desequilibram a competitividade da indústria nacional. Entre os problemas centrais estão:
- Assimetria de preços: aumento das importações de produtos acabados, especialmente de origem asiática, com preços muitas vezes, abaixo do custo das matérias-primas, como comprovam casos envolvendo medidas antidumping tratados pelo Governo Federal;
- Instabilidade tarifária: reduções de imposto de importação em determinados períodos, como no caso dos pneus de carga, cuja alíquota foi reduzida a 0% entre 2021 e 2023;
- Pressão cambial: câmbio sazonal mais favorável para a importação, como vem ocorrendo desde os últimos meses de 2025;
- Desvio de comércio: consequência de medidas adotadas por outros países e não acompanhadas em mesma velocidade e intensidade pelo Brasil, a exemplo do México, que elevou em 2025 o imposto de importação de pneus para 35%, redirecionando fluxos excessivos para o mercado brasileiro.
- Passivo ambiental: não cumprimento por importadores de metas ambientais estabelecidas em lei, conforme os relatórios do IBAMA que indicam que a grande maioria dos importadores de pneus não cumprem essas metas há 15 anos seguidos, gerando um passivo ambiental acumulado de 500 mil toneladas entre 2011 e 2025.
Para enfrentar esta grave situação, a ANIP e entidades que assinam o manifesto pedem medidas urgentes do Governo Federal. Entre elas, estão:
- Controle de entrada: estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados; ; em análise documental detalhada (antifraude); e de comprovação de cumprimento de metas ambientais estabelecidas; além destas, medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo Governo.
- Proteção imediata: celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.
- Compras públicas sustentáveis: estímulo nas compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo e que efetivamente cumpram com a legislação ambiental e de conformidade técnica vigente.
- Isonomia tarifária: adoção pelo Brasil de medidas tarifárias alinhadas com aquelas praticadas por outros países com base industrial forte.
- Fomento à matéria-prima local: implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração por parte do Governo Federal.
“Com a adoção destas medidas será possível estabelecer bases mais justas de competição, impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil”, diz Navarro.
Sobre a ANIP
Fundada em 1960, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende 11 empresas (Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga) e 19 fábricas instaladas no Brasil, em 7 estados. O setor emprega diretamente 32 mil pessoas e mais de 500 mil de forma indireta.
A ANIP trabalha na gestão da coleta e destinação de pneus inservíveis desde 1999 e criou, em 2007, a Reciclanip, entidade voltada exclusivamente para a realização deste trabalho no país. A Reciclanip é uma referência em logística reversa, sendo a maior da América Latina e a 3ª maior do mundo no setor de pneus.
























