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Agrale volta ao segmento de médios com nova geração de caminhões

Montadora gaúcha aposta em cabine de aço, motorização Cummins e robustez mecânica para resgatar espaço no mercado com os modelos A 15.000 e A 18.000

20/03/2026

Por Gustavo Queiroz

Agrale deu um passo estratégico para recompor sua participação no mercado brasileiro de caminhões médios com o lançamento das novas gerações dos modelos A 15.000 e A 18.000. As novidades representam a volta da montadora, sediada em Caxias do Sul (RS), a uma faixa de peso que havia sido descontinuada em ciclos anteriores, agora com cabine totalmente reformulada, conjunto mecânico reconhecido e posicionamento competitivo em custo operacional.

Edson Martins
Edson Martins: Clientes e rede queriam novos protudos

Em entrevista à Frota&Cia, o diretor Comercial e de Marketing da Agrale, Edson Ares Sixto Martins, detalhou os bastidores da decisão de retomar o segmento. “Os antigos clientes da Agrale e os concessionários estavam nos pedindo esses modelos. Nós tínhamos uma cabine feita com fibra de vidro e, agora, buscamos cabines feitas inteiramente com chapa de aço, mais modernas“, explicou Martins.

A nova cabine, de origem importada, mas desenvolvida sob especificações da engenharia da Agrale, chega para atualizar esteticamente a linha e, principalmente, entregar ganhos ergonômicos ao operador. “São cabines amplas, com bancos confortáveis, painéis modernos e tudo que um caminhão precisa para ter um custo total de propriedade (TCO) competitivo“, afirmou o executivo.

Detalhes técnicos

Sob a cabine, a Agrale manteve a receita que consolidou sua reputação no mercado, composta pela simplicidade mecânica aliada a componentes de fornecedores globais. Tanto o A 15.000 quanto o A 18.000 são equipados com motor Cummins F4.5 de quatro cilindros, 4,5 litros, entregando 213 cv de potência a 2.300 rpm e torque de 780 Nm disponível entre 1.300 e 1.500 rpm. O propulsor conta com duplo estágio de turbo e atende às normas Proconve P8 (Euro VI) por meio do sistema de redução catalítica seletiva (SCR), que exige o abastecimento com Arla 32.

Novos modelos compartilham um interior de cabine muito parecidos
Novos modelos compartilham um interior
de cabine muito parecidos

transmissão fica por conta da Eaton FS5406B, caixa de seis marchas à frente e uma à ré, com embreagem monodisco a seco de 395 mm e acionamento hidropneumático. A combinação prioriza a durabilidade em operações urbanas e rodoviárias de curta distância, perfil típico dos clientes desses modelos.

O A 15.000 foi concebido para operações que exigem maior volumetria, mas com limite de peso. Seu Peso Bruto Total (PBT) é de 15 toneladas, com capacidade de carga útil máxima de 9.960 kg quando considerado o peso do caminhão em ordem de marcha de 5.040 kg. O modelo pode tracionar até 23 toneladas (CMT). O eixo dianteiro é o DANA 6.0T, enquanto o traseiro pode ser o Meritor MC19145 (relação 4,88:1) ou, opcionalmente, versões com relações 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 ou 6,36:1.

Já o A 18.000 amplia a capacidade para cargas mais pesadas. Seu PBT legal é de 16 toneladas, mas o PBT técnico alcança 17,6 toneladas, resultando em carga útil máxima de 10.770 kg (legal) ou 12.520 kg (técnica). O modelo suporta até 11 toneladas no eixo traseiro Meritor MC23145 (relação 5,29:1) e pode receber terceiro eixo, elevando a capacidade máxima para 16 toneladas. O eixo dianteiro é o DANA 6.7T, com capacidade para 6,6 toneladas. A capacidade máxima de tração (CMT) chega a 27 toneladas.

Ambos os modelos compartilham a mesma arquitetura de chassi, com suspensão dianteira e traseira por molas semielípticas e amortecedores telescópicos de dupla ação. A direção é hidráulica ZF Servocom 8097, com círculo de viragem de 21.550 mm. Os freios são a tambor do tipo “S Cam” com sistema pneumático assistido eletronicamente por ABS. O entre-eixos padrão é de 4.800 mm, mas o A 18.000 admite versões sob consulta de 3.600 mm a 5.500 mm.

Posicionamento de mercado e público-alvo

Agrale A 18.000
Agrale A 18.000

Os dois modelos chegam para disputar fatias específicas do segmento de semipesados. O A 15.000 é apontado pela Agrale como mais adequado para operações de distribuição urbana, entregas de bebidas, construção civil e serviços públicos. “O 15 toneladas permite cargas com volumetria maior, não tanto peso. Já o 18 atende quando a equação muda e o peso passa a ser preponderante“, explicou Martins. Entre as aplicações típicas do modelo mais pesado está a compactação de resíduos (coleta de lixo).

O posicionamento de preços, segundo o diretor, coloca os novos produtos na média dos concorrentes fabricados no Brasil. “Não está nem abaixo, nem acima. É um preço médio equivalente aos demais caminhões da faixa, mas com características de durabilidade e custo de manutenção que o tornam altamente competitivo num cálculo de TCO“, afirmou.

A estratégia comercial da Agrale para esses lançamentos reflete um momento de cautela, mas também de otimismo. Martins destacou que, enquanto o mercado brasileiro de caminhões leves registrou queda de 46,7% no primeiro bimestre, a Agrale cresceu 50% no segmento. Nos médios, a alta foi de 12%. “Estamos vendo o efeito da entrada desses produtos no mercado“, comemorou.

Rede de concessionárias

Um dos trunfos da montadora gaúcha para viabilizar a retomada é sua capilaridade. A Agrale conta atualmente com mais de 111 distribuidores para todas as linhas de produto, sendo 39 exclusivos para caminhões. Mas o dado mais expressivo, segundo Martins, são os mais de 160 postos de serviço espalhados pelo país.

Essa estrutura, explicou o executivo, foi impulsionada pelo programa Caminhos da Escola e pelo Agrale Marruá, que obrigaram a empresa a criar pontos de atendimento em municípios remotos. “Temos postos de serviço em lugares que muitos nunca ouviram falar. Isso nos dá uma cobertura de pós-venda, talvez, maior que a de muitas concorrentes“, afirmou.

A flexibilidade, segundo Martins, é potencializada pelo fato de a Agrale ser uma empresa 100% brasileira. “Se um cliente tem uma operação em local distante do distribuidor, rapidamente criamos um posto de serviço para suportá-lo. Essa metodologia está desenvolvida dentro da companhia.”

Ficha Técnica do Agrale A 15.000

Agrale A 15.000
Agrale A 15.000
  • Motor: Cummins F4.5, 4 cilindros, 4,5 litros, 213 cv (157 kW) a 2.300 rpm, torque de 780 Nm entre 1.300 e 1.500 rpm. Controle de emissões Proconve P8 (Euro VI) por SCR.
  • Transmissão: Eaton FS5406B, 6 marchas à frente e 1 à ré. Embreagem monodisco a seco de 395 mm com acionamento hidropneumático.
  • Eixo dianteiro: DANA 6.0T, capacidade de 6.000 kg.
  • Eixo traseiro: Meritor MC19145 (padrão) com relação 4,88:1. Opcionais: 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 e 6,36:1.
  • Pesos: PBT 15.000 kg. Carga útil máxima 9.960 kg. CMT 23.000 kg.
  • Capacidades: Tanque de combustível 300 litros (210 litros opcional). Reservatório Arla 32 de 25 litros.
  • Suspensão: Molas semielípticas com amortecedores telescópicos de dupla ação.
  • Freios: Tambor “S CAM” com ABS.
  • Direção: ZF Servocom 8097, círculo de viragem de 21.550 mm.
  • Pneus: 275/80R22,5.
  • Entre eixos:800 mm (padrão).

Ficha técnica do Agrale A 18.000

Agrale A 18.000
Agrale A 18.000
  • Motor: Cummins F4.5, 4 cilindros, 4,5 litros, 213 cv (157 kW) a 2.300 rpm, torque de 780 Nm entre 1.300 e 1.500 rpm. Controle de emissões Proconve P8 (Euro VI) por SCR.
  • Transmissão: Eaton FS5406B, 6 marchas à frente e 1 à ré. Embreagem monodisco a seco de 395 mm com acionamento hidropneumático.
  • Eixo dianteiro: DANA 6.7T, capacidade de 6.600 kg.
  • Eixo traseiro: Meritor MC23145 (padrão) com relação 5,29:1. Opcionais: 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 e 6,36:1. Capacidade de 11.000 kg. Aceita terceiro eixo até 16.000 kg.
  • Pesos: PBT legal 16.000 kg / PBT técnico 17.600 kg. Carga útil máxima (legal) 10.770 kg / (técnica) 12.520 kg. CMT 27.000 kg.
  • Capacidades: Tanque de combustível 300 litros (210 litros opcional). Reservatório Arla 32 de 25 litros (65 litros opcional).
  • Suspensão: Molas semielípticas com amortecedores telescópicos de dupla ação.
  • Freios: Tambor “S CAM” com ABS.
  • Direção: ZF Servocom 8097, círculo de viragem de 21.550 mm.
  • Pneus: 275/80R22,5.
  • Entre eixos: 4.800 mm (padrão). Opcionais de 3.600 mm a 5.500

Fonte: Frota&Cia

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