“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Adoção de IA requer maturidade operacional

No varejo de autopeças, especialmente entre pequenas e médias empresas, começam a surgir iniciativas que utilizam agentes de IA integrados ao ERP

14/07/2026

Por Karin Fuchs

No varejo, a maturidade operacional começa quando o estoque físico e o digital são exatamente iguais. O futuro aponta para um ERP agêntico, capaz de tomar decisões autônomas orientadas por inteligência artificial

Em praticamente todos os setores da economia, a inteligência artificial vem sendo incorporada às operações com a promessa de acelerar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade. No entanto, para Marco Vonzodas, co-CEO da Okser, consultoria especializada na implementação do SAP Business One, a corrida pela IA tem revelado um erro recorrente.

“É nos bastidores dessa euforia coletiva que reside um erro invisível, silencioso e que pode custar milhões de reais: tentar acelerar a adoção da inteligência artificial sem antes alcançar a maturidade operacional”, alertou.

Marco Vonzodas, co-CEO da Okser, consultoria especializada
na implementação do SAP Business One – Foto: Divulgação

Segundo Vonzodas, para o pequeno varejista essa maturidade começa com o fim dos controles paralelos.

“É preciso abandonar as planilhas de estoque e, se ainda existirem, também as planilhas de vendas. Se a informação não está no ERP, ela simplesmente não existe para todos os fins práticos”.

No segmento de autopeças, esse cuidado torna-se ainda mais importante. De acordo com ele, erros de aplicação — quando uma peça é indicada para o veículo errado — podem comprometer toda a operação.

“O varejista deve investir na padronização dos códigos dos produtos e dos SKUs, ou seja, na organização da taxonomia. Isso garante que a IA tenha uma base confiável para comparação e que as informações reflitam a realidade do mercado”.

Maturidade operacional nas autopeças

Para o executivo, a maturidade operacional mínima no varejo de autopeças exige que o estoque físico seja exatamente igual ao estoque registrado no sistema.

“Sem isso, qualquer automação de compras poderá gerar prejuízos ou até provocar rupturas de estoque”.

Superada essa etapa, o próximo passo é automatizar decisões de baixo risco, como:

  • sugestões automáticas de compra para reposição de itens da curva A que estejam atingindo o estoque mínimo;
  • precificação dinâmica, ajustando os preços conforme novas entradas de mercadorias, custos dos fornecedores e estratégia comercial;
  • classificação automática de leads, priorizando clientes com maior histórico de conversão.

Uma vez que os dados do ERP sejam confiáveis, Vonzodas recomenda incorporar camadas de inteligência artificial voltadas para tarefas preditivas, como reposição automática de estoque considerando a sazonalidade e modelos avançados de precificação.

“O objetivo é liberar o gestor das atividades operacionais para que ele concentre seus esforços nas estratégias de crescimento do negócio”.

O futuro do ERP

Uma pesquisa realizada pela Censuswide com mais de quatro mil CFOs, CIOs, CISOs e CEOs em diversos países mostrou que 33% dos executivos acreditam que o futuro está no chamado ERP agêntico, capaz de tomar decisões autônomas orientadas por inteligência artificial.

Segundo Vonzodas, essa evolução transforma o ERP em muito mais do que um sistema de registro.

“O ERP tradicional funciona como um arquivo: registra que uma peça foi vendida ou que o estoque diminuiu. Já o ERP agêntico atua como um gerente digital, capaz de interpretar dados, antecipar necessidades e sugerir ações”.

Na prática, explica o executivo, o sistema deixa de apenas gerar relatórios para participar ativamente da gestão.

“Em vez de o gestor analisar planilhas para decidir o que comprar, o ERP identifica alterações na demanda, consulta automaticamente os catálogos dos fornecedores integrados e prepara uma ordem de compra otimizada para aprovação. Isso elimina o gargalo da decisão manual e permite que a empresa dobre seu volume de vendas sem necessariamente dobrar a estrutura administrativa”.

Apesar do avanço da inteligência artificial, Vonzodas acredita que o ERP continuará sendo indispensável.

“Todo negócio sempre precisará de um sistema de registro”.

Quanto à adoção em larga escala dos chamados ERPs agênticos, ele avalia que o mercado ainda está no início dessa transformação.

“Estamos em uma fase de transição. No varejo de grande porte, algoritmos agênticos já administram centros de distribuição inteiros. No varejo de autopeças, especialmente entre pequenas e médias empresas, começam a surgir iniciativas que utilizam agentes de IA integrados ao ERP, como ocorre no SAP Business One”, concluiu.

Fonte: Balcão Automotivo

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