“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Salão de Paris recupera interesse e antecipa novidades que vêm ao Brasil

Coluna Fernando Calmon nº 1.424

21/10/2026

Salões internacionais de automóveis sofreram com o esvaziamento de interesse do público. Cenário foi agravado pela pandemia de Covid-19 em 2020 e o avanço dos vídeos pela internet que antecipavam todos os pormenores dos lançamentos. Também cresceu a concorrência de exposições de tecnologia, a exemplo da CES nos EUA. O salão parisiense adaptou-se e até diminuiu de onze para sete os dias de exposição, além de demonstrar que híbridos e elétricos vão conviver por tempo indeterminado.

Entre as mais de 50 novidades, incluídos modelos conceituais, estão aquelas que serão exportadas para o Brasil ou aqui fabricadas. Destaques começam com os Fiat Grizzly e Grizzly Fastback (visual pode inspirar o futuro modelo brasileiro) com seus sistemas de iluminação diferenciados. Já a picape conceitual Multiplay é avançada demais frente à Strada. Outras atrações do Grupo Stellantis: releitura futurista do Citroën 2 CV, agora elétrico; Peugeot RCZ Vision, também elétrico, com proposta de sistema de direção eletrônica sem ligação mecânica e o volante de formato retangular; Jeep anunciou seis novos modelos até 2030, a começar pelo Recon na Europa já em janeiro de 2027.

Volkswagen atraiu atenções com elétrico ID.Tiguan, que terá três versões e será lançado na Europa logo no início do ano que vem. Não há ainda uma data de exportação para o Brasil. Ford mostrou a Ranger MS-RT Champion Edition com suspensão rebaixada e versões V-6 diesel e híbrida plugável específicas para a Europa. Hyundai apresentou o SUV de entrada Bayon e o novo Tucson, um híbrido pleno com potência e toque combinados de 245 cv e 38,5 kgf·m. Sua importação ainda em estudos pela filial brasileira.

Vinte marcas chinesas estiveram em Paris, um terço do total no Salão. Algumas desconhecidas no Ocidente, a exemplo da Li Auto e BAW. Destaques foram para o inédito Dolphin G híbrido PHEV (híbrido plugável) a ser exportado para cá; Leapmotor B03 que se chamará aqui B03x e suporte direto da Stellantis; Omoda 4, híbrido pleno que chegará aqui no segundo semestre de 2027.

Carro mais barato a partir de janeiro é incerto

De fato, o Governo Federal está atrasado em decidir como os automóveis serão taxados a partir de janeiro de 2027. Segundo Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, que apesar no nome em inglês é uma empresa 100% brasileira, “a Lei Complementar nº 214/2025 determina que as alíquotas do Imposto Seletivo sobre veículos sejam estabelecidas em lei ordinária e graduadas segundo critérios que incluem potência, eficiência energética, emissões, reciclabilidade e etapas fabris realizadas no País. Mas a lei ainda não define as alíquotas que cada veículo pagará. Por isso, não é possível transportar os percentuais da tabela atual do IPI Verde para uma projeção definitiva do Imposto Seletivo em 2027”.

O problema envolve o resultado da eleição presidencial do próximo domingo. Ambos os candidatos continuam a discutir, após o primeiro debate televisivo. Sem saber quem será eleito fica difícil prever o rumo dos acontecimentos. O que se tem certeza: a existência de um vácuo tributário e o imposto seletivo não poderá ser cobrado a partir de 1º de janeiro próximo. Se isso será repassado total ou parcialmente às tabelas de preços públicos sugeridos, dependerá de cada fabricante.

Um fato é que a indústria automobilística no Brasil, desde 1956, mantém-se entre os setores historicamente “aquinhoados” com impostos muito elevados. Entre os principais países produtores de automóveis e comerciais leves a taxação é a maior do mundo. E como há relativamente poucas empresas a fiscalizar e quase todas multinacionais, a arrecadação fica garantida e historicamente elevada.

Nissan admite, se necessário, produzir aqui CKD e SKD

Ricardo Gondo deixou a presidência da Renault no Brasil em 2025 e há dois meses assumiu o mesmo cargo na Nissan. Em encontro com jornalistas, na sexta-feira passada, admitiu que há discussões internas sobre a possibilidade de produzir aqui a partir de kits importados completamente desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD). No entanto, Kait e Kicks continuarão a ser produzidos na fábrica de Resende (RJ).

Gondo observou um cenário que fez questão de destacar: “A produção brasileira de veículos leves este ano cresceu 9,7% até setembro e a expectativa é fechar o ano com alta de 7,6%. Mas se tirar CKD/SKD, a expansão será de apenas 2%.” Ele não deu exemplos, mas se sabe que, pelo menos por enquanto, as marcas chinesas concentram-se neste tipo de produção. Isto implica quase nenhuma participação de compras no parque brasileiro de autopeças.

O panorama pode mudar a partir de 2027. Pelo menos é o esperado, conforme promessas das marcas BYD e GWM que estão mais comprometidas com produção local. Geely já está acertada com a Renault. Deve-se notar, entretanto, que Sindipeças e fabricantes de pneus ainda aguardam as encomendas começarem em bom ritmo.

Ele confirmou para o primeiro trimestre de 2027 o lançamento no Brasil do X-Trail e-Power, um SUV médio importado. Trata-se de um modelo elétrico de alcance estendido. Terá tração 4×4 e dois motores que somados entregam 216 cv e 33,7 kgf·m. Contará com um motor a combustão de 1,5 L turbo apenas para acionar um gerador e recarregar a bateria de 1,85 kW⋅h. É opção racional por dispensar carregadores externos. Basta abastecer com gasolina e seguir em frente, o que dá tranquilidade ao motorista de viajar sem se sujeitar a um planejamento prévio.

Sem indicar prazos, porém confirmando estudos, Gondo apontou o mercado brasileiro em expansão para diferentes estágios, no campo de híbridos e elétricos, com crescimento mais rápido do que a Nissan imaginava. “Isso exige decisões que não podem demorar”, afirmou. Entretanto, não disse de que forma isso ocorrerá, mesmo porque outros fabricantes vêm se movimentando na mesma direção.

Teste: Panamera Turbo S E-Hybrid acelera como nunca

Versatilidade e alto desempenho são qualidades frequentemente conflitantes. Em geral, uma destas características anula a outra ou, quando bem acertada pelo fabricante, pode haver alguma possibilidade de equilíbrio. Mas, no caso desta versão do Panamera, não pairam dúvidas de que este objetivo foi alcançado. Trata-se de um sedã com a tampa do porta-malas do tipo liftback (com vidro do vigia integrado) e aerofólio funcional. Porta-malas de 421 L de fato não é tão grande, apesar do estepe inflável de 20 pol., enquanto as rodas são de 21 pol. e belo desenho. Interior proporciona ótimo espaço para quatro ocupantes. E o sistema de som conta com 21 alto-falantes e nada menos de 1.455 watts.

Dimensões (mm): comprimento, 5.054; entre-eixos, 2.950; largura, 1.937 (2.165 com espelhos); altura, 1.423. Volume (L): tanque, 80. Massa: 2.365 kg. Híbrido pleno. Motor V-8 turbo, gasolina, 4 L: potência 599 cv; torque 81,6 kgf·m. Motor elétrico: 190 cv; torque 45,9 kgf·m; Potência combinada: 782 cv; Torque combinado, 102 kgf·m; Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 6,9/8,6. Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 552/688. Tração integral. Câmbio automatizado, oito marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 2,9.

Logo no primeiro contato o modelo da Porsche surpreende ao se selecionar o modo conforto. Lida bem com asfalto irregular e buracos. Além disso, evita raspar em desníveis típicos de lombadas e entradas/saídas de garagem. Basta acionar o sistema de levantamento da suspensão dianteira memorizável via GPS, que passa a atuar automaticamente. Contudo, não chega a superar todo tipo de desnível, em particular lombadas fora das especificações. Conta com auto-hold que aciona o freio de estacionamento no próprio pedal de freio e o libera ao voltar a acelerar.

No modo Sport muda completamente: as suspensões deixam-no mais próximos do solo e apesar de quase 2,5 t de massa as retomadas e acelerações colam as costas dos ocupantes nos encostos. Opcionais podem elevar o preço final em até R$ 90.000, custando os freios com discos de fibras cerâmicas por volta de R$ 60.000.

Preço: R$ 1.870.000

* Coluna Fernando Calmon aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Começou em 1º de maio de 1999.
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