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Pesquisa revela modelos de motos mais roubadas e furtadas em SP no 1º quadrimestre

29/07/2026

Estudo do Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) lista os modelos de motocicletas com mais ocorrências de roubos e furtos no estado de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

O modelo HONDA/CG 160 FAN ficou na1ª posição do ranking com 1.352 casos, mesmo sendo registrada uma redução de -27,5% nas ocorrências. O modelo HONDA/CG 160 TITAN teve uma alta de +14,2% com 965 ocorrências computadas; enquanto a HONDA/CG 160 START ficou com a 3ª posição com 639 registros, uma queda de -12,9%. Em contrapartida, um crescimento estatístico expressivo de +106,9% foi apresentado pelo modelo MOTTU/SPORT 110I, que saltou de 87 para 180 ocorrências.

O modelo MOTTU\SPORT 110I ocupa uma posição relevante quando analisado o número de emplacamentos desta moto no Brasil. Ela é fabricada pela empresa indiana TVS Motor Company e chegou ao País em 2022 por meio de uma startup de aluguel de motos. Além de aparecer na estatística de roubos e furtos, ela também apresenta destaque ao ocupar uma posição anteriormente ocupada por empresas tradicionais no Brasil como a Yamaha.

Locais com mais ocorrências

A análise da FECAP revela também os locais com mais ocorrências. Foram identificados altas abruptas em logradouros que antes apresentavam baixa incidência, destacando-se a Avenida Presidente Wilson (com alta estatística de 1200%), a Rua Alexandre Dumas (+700%) e a Rua Platina (+500%).

Apesar de ser uma região associada à forte concentração de comércio de peças e desmanches, uma redução de -39,3% foi apresentada na Avenida Sapopemba. A estabilidade de casos foi mantida na Rua Voluntários da Pátria (0,0%) e na Rua Padre Adelino (0,0%), enquanto uma queda acentuada de -75,0% foi sofrida pela Rua Vergueiro no início de 2026.

A manutenção de altos percentuais de ocorrência em certas vias está em linha com as análises anteriores, sendo explicado pela localização desses logradouros nas regiões Norte, Sul e Leste, que concentram historicamente o maior volume de furtos e roubos de motos.

Vale destacar que nesse tipo de crime, há o comportamento “flutuante”: é natural que alternâncias no posicionamento das ruas sejam explicadas pelo deslocamento constante de infratores e vítimas entre diferentes ruas da cidade.

Total de ocorrências diminuiu

O período de janeiro a abril de 2026 apresentou redução na variação de ocorrências: uma queda de -19,5% no total geral (reduzindo de 11.187 para 9.007 casos) foi verificada no primeiro quadrimestre, em relação ao mesmo período de 2025.

Os roubos de motos diminuíram -31,3% (caindo de 3.043 para 2.090 ocorrências), enquanto os furtos de motos reduziram -15,1% (recuando de 8.144 para 6.917). A queda foi considerada perceptível em todos os meses do período analisado.

Segundo o pesquisador responsável pelo levantamento, professor Erivaldo Vieira, embora em números absolutos o Estado ainda apresente um valor elevado de ocorrências, uma tendência de queda de ocorrências de roubos e furtos de motos vem sendo verificada desde 2024.

Um dos motivos da redução pode ser em virtude da sazonalidade no setor de varejo: é comum o setor varejista brasileiro sofrer uma queda em suas vendas após o período no carnaval. “Esse cenário desaquece a atividade econômica de forma geral impactando, por exemplo, a comercialização de peças para reposição, o volume de entregas em domicílio e demais movimentações nas cidades que implicam em redução na circulação de motos”, afirma Vieira.

O pesquisador frisa que o furto é consolidado como a dinâmica delitiva padrão do setor, uma vez que a prática de furto se manteve maior do que a prática de roubo em todo o período, apesar das reduções obtidas.

Os números permitem definir três eixos fundamentais delineados:

  • Modelo populares/trabalho: veículos utilitários de baixa cilindrada (como a linha Honda CG160 e Mottu) são estabelecidos como alvos prioritários;
  • Pólos econômicos metropolitanos: regiões comerciais de maior poder aquisitivo (Santo Amaro, Santana e Tatuapé) são apontadas como os principais focos de delitos na capital;
  • Movimento de interiorização: embora a maior fatia dos números seja retida na Capital, aumentos expressivos foram registrados em cidades do interior e em cidades limítrofes (como Limeira e Taboão da Serra), o que sinaliza uma possível migração da atividade criminosa.

Metodologia da pesquisa

O levantamento da FECAP é feito com base nos dados de boletins de ocorrência registrados em todas as delegacias do Estado de São Paulo. Os números apresentados sobre roubos e furtos de motocicletas representam uma estimativa baseada nos registros oficiais disponíveis e, portanto, são inferiores ao total real de ocorrências.

Isso ocorre porque, para garantir a qualidade e a confiabilidade das análises, nossa metodologia exclui registros sem identificação da placa do veículo, ocorrências duplicadas e cadastros que apresentam inconsistências ou erros de preenchimento.

Além disso, é importante considerar que parte dos roubos e furtos de motocicletas não é registrada pelas vítimas junto às autoridades policiais, fenômeno conhecido como subnotificação. Dessa forma, os dados divulgados não correspondem à totalidade dos crimes efetivamente ocorridos.

Apesar dessas limitações, a metodologia empregada assegura uma base de dados consistente e suficientemente robusta para a análise estatística e o acompanhamento das tendências da criminalidade ao longo do tempo. Assim, os resultados permitem identificar a evolução do fenômeno e subsidiar análises técnicas com elevado grau de confiabilidade.

Vale salientar ainda que os campos que podem levar à identificação de pessoas são protegidos de acordo com o art. 31 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), garantindo a privacidade e a proteção de dados pessoais. Assim, não são disponibilizados endereços, nomes ou quaisquer outros dados pessoais relacionados aos registros de ocorrência. Nesse sentido, muitas das informações que poderiam elucidar o detalhamento desta análise estão protegidas por lei.

Sobre a FECAP

A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em Educação na área de negócios desde 1902. A Instituição proporciona formação de alta qualidade no Ensino Médio (técnico, pleno e bilíngue), Graduação, Pós-graduação, MBA, Mestrado, Extensão e cursos corporativos e livres. Diversos indicadores de desempenho comprovam a qualidade do ensino da FECAP: nota 5 (máxima) no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e no Guia da Faculdade Estadão Quero Educação 2021, e o reconhecimento como melhor centro universitário do Estado de São Paulo segundo o Índice Geral de Cursos (IGC), do Ministério da Educação. Em âmbito nacional, considerando todos os tipos de Instituição de Ensino Superior do País, a FECAP está entre as 5,7% IES cadastradas no MEC com nota máxima.

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