Estudo do Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) mostra que o número de ocorrências de roubos e furtos de motocicletas e motonetas no Estado de São Paulo diminuiu 11,6%, caindo de 38.048 em 2024 para 33.621 em 2025.
O estudo tem como objetivo fornecer uma análise detalhada dos dados sobre estes delitos, identificando tendências, padrões e áreas de maior incidência, a fim de auxiliar na compreensão e no combate de tais crimes.
“Devido a crescente utilização de motocicletas e motonetas como meio de transporte no país, torna-se imperativo o acompanhamento da evolução dos índices de criminalidade, visando a adoção de medidas preventivas e estratégias de segurança mais eficazes”, afirma o coordenador do estudo, professor Erivaldo Vieira.
Comparativo dos números


Os dados detalhados mês a mês permitem uma análise aprofundada da preferência operacional das atividades criminosas em análise. Um volume substancialmente maior é ocupado pela prática de furto em comparação com a prática de roubo, mesmo diante das reduções mensais verificadas. Em 2025, 24.665 furtos (Art. 155) foram registrados, contra 8.956 roubos (Art. 157).
A maior redução mensal foi apresentada pela categoria Roubo em comparação ao Furto, com destaque para o último trimestre dos anos. Uma contração de -16,8% foi anotada no acumulado anual do roubo, enquanto o recuo do furto foi limitado a -9,6%.


Cidades com mais ocorrências
A cidade de São Paulo é a líder na concentração de ocorrências, onde 13.319 casos foram computados em 2025, mesmo após uma redução de -13,7% ter sido obtida. Dentre as cidades que apresentaram grandes reduções, percebe-se que, apesar do esforço, ainda continuam ocupando posições semelhantes com relação ao ano passado. Com destaque para: Carapicuíba, Santos, Diadema e São Bernardo do Campo.
Entretanto, percebe-se uma possibilidade de migração de furtos e roubos de motos e motonetas para o interior de São Paulo, onde, cidades que não figuravam entre as maiores em 2024 passaram a compor o ranking em 2025, sendo apresentados aumentos em seus indicadores. Destacam-se os crescimentos de Taboão da Serra (+20,6%), Limeira (+20,1%) e São José do Rio Preto (+10,3%).
Do total de 645 municípios paulistas, 416 apresentaram algum registro de roubo ou furto de motos (64,5% do total de cidades do estado). O levantamento da FECAP mostra ainda uma grande concentração dos crimes: 83,10% do total geral de ocorrências do estado é representado pelos trinta municípios com maior incidência.
“Esse cenário evidencia a grande concentração de crimes nessas localidades, ressaltando a necessidade de ações direcionadas e estratégias específicas para cada um desses municípios”, acrescenta o professor Vieira.

Bairros e locais da capital com mais ocorrências
A pesquisa da FECAP também faz um panorama da incidência de roubos e furtos de motocicletas e motonetas nos 30 bairros e locais com maior número de ocorrências na cidade de São Paulo.
A liderança na ocorrência de furtos e roubos é despontada em ambos os anos pelos bairros de Santo Amaro, Santana e Tatuapé. Em 2025, uma alta de +31,0% (482 casos) foi registrada em Santo Amaro. Isto pode indicar alguma motivação econômica para estes crimes em específico por tratar-se dos bairros mais ricos das regiões: Sul, Norte e Leste, respectivamente.
A cidade de São Paulo, por ser a maior metrópole do Brasil, apresenta desafios específicos no que diz respeito à segurança pública. A análise comparativa entre os períodos revela mudanças importantes na distribuição geográfica da criminalidade e permite identificar tendências e áreas que exigem maior atenção das autoridades.
Percebe-se que alguns bairros apresentaram posição semelhante com relação ao ano passado enquanto outros aparecem em 2024, mas não em 2025. Isto porque, ao analisar os furtos e roubos por bairros é natural que haja ocorrências “flutuantes”, ou seja, muitas vezes alguém que reside em um bairro assalta em outro, enquanto o residente de um bairro específico foi assaltado em outro bairro mais distante de qual habita. Por esse motivo, é natural a alternância entre bairros que se apresentam como maiores ou menores posicionados no ranking.

O estudo também investigou o detalhamento por ruas da cidade de São Paulo. Com exclusão dos campos protegidos por sigilo legal, a 2ª posição geral do ranking de 2025 foi assumida pela Estrada do M’Boi Mirim, onde um aumento de +75,0% foi detectado (saltando de 44 para 77 casos). Diminuições no comparativo anual foram apresentadas pela Avenida Sapopemba (-21,4%) e pela Avenida das Nações Unidas (-22,9%).
Como já mencionado na análise dos bairros, uma avaliação mais detalhada dos roubos e furtos no Estado de São Paulo, no nível de logradouros (ruas), também está sujeita ao comportamento “flutuante” desse tipo de crime. Por isso, é natural que haja mudanças de posição entre as ruas, explicadas pelo deslocamento constante de infratores e vítimas entre diferentes regiões da cidade.

Metodologia da pesquisa
O levantamento da FECAP é feito com base nos dados de boletins de ocorrência registrados em todas as delegacias do Estado de São Paulo. Os números apresentados sobre roubos e furtos de motocicletas representam uma estimativa baseada nos registros oficiais disponíveis e, portanto, são inferiores ao total real de ocorrências.
Isso ocorre porque, para garantir a qualidade e a confiabilidade das análises, nossa metodologia exclui registros sem identificação da placa do veículo, ocorrências duplicadas e cadastros que apresentam inconsistências ou erros de preenchimento.
Além disso, é importante considerar que parte dos roubos e furtos de motocicletas não é registrada pelas vítimas junto às autoridades policiais, fenômeno conhecido como subnotificação. Dessa forma, os dados divulgados não correspondem à totalidade dos crimes efetivamente ocorridos.
Apesar dessas limitações, a metodologia empregada assegura uma base de dados consistente e suficientemente robusta para a análise estatística e o acompanhamento das tendências da criminalidade ao longo do tempo. Assim, os resultados permitem identificar a evolução do fenômeno e subsidiar análises técnicas com elevado grau de confiabilidade.
Vale salientar ainda que os campos que podem levar à identificação de pessoas são protegidos de acordo com o art. 31 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), garantindo a privacidade e a proteção de dados pessoais. Assim, não são disponibilizados endereços, nomes ou quaisquer outros dados pessoais relacionados aos registros de ocorrência. Nesse sentido, muitas das informações que poderiam elucidar o detalhamento desta análise estão protegidas por lei.
Sobre a FECAP
A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em Educação na área de negócios desde 1902. A Instituição proporciona formação de alta qualidade no Ensino Médio (técnico, pleno e bilíngue), Graduação, Pós-graduação, MBA, Mestrado, Extensão e cursos corporativos e livres. Diversos indicadores de desempenho comprovam a qualidade do ensino da FECAP: nota 5 (máxima) no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e no Guia da Faculdade Estadão Quero Educação 2021, e o reconhecimento como melhor centro universitário do Estado de São Paulo segundo o Índice Geral de Cursos (IGC), do Ministério da Educação. Em âmbito nacional, considerando todos os tipos de Instituição de Ensino Superior do País, a FECAP está entre as 5,7% IES cadastradas no MEC com nota máxima.
























