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Correção do Simples pode gerar 1,42 milhão de empregos e R$ 24,6 bi em impostos por ano

Os dados são de pesquisa da PUC-RS, segundo a qual o valor que deixaria de ser arrecadado com a atualização retornaria aos cofres públicos em 3,5 anos

22/07/2026

Por Silvia Pimentel

Um estudo realizado pelo economista Gustavo Inácio de Moraes, da Escola de Negócios da PUC-RS, em parceria com o Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (SINDHA-RS), mostra que a correção das faixas do Simples Nacional, congeladas desde 2018, tem o potencial de gerar um ciclo virtuoso de crescimento econômico, capaz de compensar a alegada renúncia fiscal do governo.

De acordo com a pesquisa, com a correção da tabela do Simples Nacional no período de 2018 até maio de 2026, a arrecadação de impostos diretos e indiretos teria um incremento de até R$ 24,6 bilhões anualmente.  

Na prática, em um ciclo de apenas 3,5 anos, todo o valor “isentado” retornaria aos cofres públicos, com acréscimo de geração de renda e empregos, além de estímulo à concorrência e atividade econômica.

Segundo estimativas apresentadas pelo economista, o reajuste das faixas do regime tributário resultaria em uma perda inicial de arrecadação de R$ 88 bilhões (cenário IGP-DI) e R$ 71 bilhões (cenário IPCA). “Dessa forma, longe de significar um “gasto” ou perda definitiva para o Estado, o estudo projeta que esses recursos retornariam em pouco tempo por meio da dinamização da atividade econômica”. 

Na visão de Moraes, ao contrário da tese defendida pela Receita, de que se trata de gasto tributário, o Simples representa até ganho de impostos para o setor público. Segundo ele, a correção das faixas por um índice adequado aumentaria o consumo intermediário das empresas e estimularia novas contratações.

“O Simples não deve ser visto com olhos arrecadatórios, mas como um mecanismo de facilitação de fomento da atividade econômica, pois gera benefícios para a sociedade à medida que aumenta o consumo intermediário das empresas, a empregabilidade e dá condições de competição para os pequenos negócios”.

Empregos e salários

Para medir os impactos de uma eventual correção até maio de 2026, o estudo simulou dois cenários de reajustes acumulados desde 2018: um, corrigido pelo IPCA, mais genérico e que captura a cesta de consumo das famílias. Outro, pelo IGP-DI, que reflete melhor a cesta de insumos das empresas, segundo explicou o economista.

Na simulação realizada, a atualização das faixas resultaria na criação de 798 mil a 1,42 milhão de empregos no país. Esse contingente de novos trabalhadores, de acordo com o levantamento, estaria concentrado principalmente na faixa etária de 30 a 39 anos, com ensino médio completo.

Além disso, o estudo estima um incremento de R$ 42,1 bilhões na massa salarial e de R$ 33,4 bilhões no lucro das empresas.

Setores mais beneficiados

O Simples Nacional é o porto seguro de grande parte do empresariado brasileiro. Das mais de 23 milhões de empresas optantes registradas até o fim de 2024, o regime responde por 29% de todos os empregos formais do país, o equivalente a 13,4 milhões de trabalhadores.

Em alguns setores, como alimentação, serviços pessoais e atividades veterinárias, mais de 60% dos empregos estão concentrados em empresas do Simples. Segmentos como o comércio atacadista e varejista (3,3 milhões de empregos) e o de alimentação (1,1 milhão) lideram a ocupação de mão de obra no regime.

De acordo com o levantamento, dentre os setores mais beneficiados com a atualização da tabela, por ordem decrescente, estão: atividades administrativas e serviços complementares; atividades de vigilância e segurança; setor de alojamento; comércio por atacado e varejo; educação privada; fabricação de calçados e artefatos de couro; confecção de vestuário e acessórios; organizações associativas; extração de minerais não metálicos; e setor de alimentação.

Faixas

Considerando uma correção pelo IGP-DI, as faixas de tributação subiriam da seguinte forma: de R$ 180 mil para R$ 341,23 mil; de R$ 360 mil para R$ 682,46 mil; de R$ 720 mil para R$ 1,36 milhão; de R$ 1,8 milhão para R$ 3,41 milhões; de R$ 3,6 milhões para R$ 6,82 milhões; e de R$ 4,8 milhões para R$ 9,99 milhões.

O impasse político

A ausência de correção monetária desde 2018 tem empurrado, de forma artificial, micro e pequenas empresas para faixas de tributação mais elevadas ou até mesmo para fora do regime, já que são desenquadradas quando ultrapassam o teto atual, de R$ 4,8 milhões.

O estudo está servindo de munição para o setor produtivo rebater a forte resistência do governo federal em atualizar todo o Simples Nacional. Por ora, somente a correção do teto de faturamento para enquadramento do MEI, que passaria dos atuais R$ 81 mil para cerca de R$ 140 mil, recebeu o aval da equipe econômica.

Enquanto o Palácio do Planalto alega que a atualização de todas as faixas do regime ocasionaria perda de receitas para os cofres públicos, o setor produtivo utiliza os dados técnicos do estudo para demonstrar que o retorno financeiro e social da medida é praticamente imediato.

Respaldado pela Constituição, o setor produtivo tem argumentado, durante as audiências públicas da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa as propostas de atualização, que o Simples Nacional não deve ser tratado como “renúncia fiscal” ou benefício, mas sim como um tratamento jurídico diferenciado e essencial para a sobrevivência das pequenas empresas.

Metodologia

Para avaliar os efeitos da correção das faixas do Simples, o economista usou o banco de dados de emprego, RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) e Matriz Insumo-Produto, ou MIP, que relaciona os efeitos diretos e indiretos da economia, estabelecendo ligação entre compradores e consumidores de bens intermediários.

Fonte: Diário do Comércio – Imagem: DC (https://dcomercio.com.br/publicacao/s/correcao-do-simples-pode-gerar-1-42-milhao-de-empregos-e-r-24-6-bi-em-impostos-por-ano)

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