O Programa Despoluir, iniciativa do Sistema Transporte voltada à avaliação ambiental de veículos movidos a diesel, registrou crescimento de aproximadamente 35% no número de atendimentos realizados no transporte rodoviário de cargas em São Paulo. Levantamento da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), responsável pela execução do programa no estado, aponta que foram feitas 6.561 avaliações no primeiro semestre de 2026, ante 4.853 no mesmo período de 2025.
Criado pelo Sistema Transporte, formado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pelo SEST SENAT e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL), o Despoluir realiza gratuitamente a medição da emissão de fumaça preta de veículos a diesel. A análise utiliza equipamentos específicos para verificar a opacidade dos gases emitidos pelo escapamento e identificar possíveis irregularidades relacionadas à combustão e ao funcionamento do motor.
Os dados dos atendimentos realizados em São Paulo também indicam a manutenção de um elevado nível de conformidade ambiental. A taxa de aprovação dos veículos passou de 97,9% em 2022 para 99,2% em 2025. No primeiro semestre de 2026, o indicador ficou em 98,3%.
Também houve redução na opacidade média das emissões, indicador que mensura a densidade da fumaça expelida pelos escapamentos dos veículos ao longo do período analisado. O índice, que era de 0,233 em 2022, recuou para 0,129 em 2025, registrando uma média de 0,157 no primeiro semestre de 2026. A redução desse valor aponta para uma menor emissão de poluentes e, consequentemente, um melhor desempenho ambiental da frota.
Para o presidente da FETCESP, Carlos Panzan, os resultados demonstram uma evolução na forma como as empresas incorporam o controle ambiental à gestão de suas frotas. “Observamos uma mudança importante no comportamento das transportadoras. As avaliações deixaram de ser utilizadas apenas para verificar o atendimento aos limites de emissão e passaram a funcionar como instrumento de acompanhamento da manutenção. Com o diagnóstico, é possível identificar antecipadamente problemas no sistema de injeção, nos filtros, na regulagem do motor e em outros componentes que afetam tanto as emissões quanto o desempenho do veículo”, explica.
Segundo o coordenador do Programa Despoluir no estado de São Paulo, Flávio Teixeira, os índices de aprovação resultam de uma combinação entre renovação da frota, manutenção preventiva e conscientização das empresas. Embora veículos mais novos possuam tecnologias mais avançadas de controle de emissões, o acompanhamento técnico continua sendo essencial durante toda a vida útil do caminhão.
“Mesmo um veículo relativamente novo pode apresentar emissões acima do esperado quando existem falhas de manutenção. Da mesma forma, caminhões com mais tempo de uso podem permanecer dentro dos limites quando recebem acompanhamento adequado. Renovação, manutenção e conscientização precisam fazer parte de uma mesma estratégia de eficiência”, acrescenta.
Entre os veículos atendidos pelo Despoluir em São Paulo, a idade média permaneceu entre sete e oito anos. O resultado indica que uma parcela relevante das empresas participantes mantém um processo de renovação, embora ainda existam veículos mais antigos em operação.
Flávio avalia também que o Programa Despoluir vai além da aferição das emissões e se consolida como uma ferramenta de gestão para as transportadoras, contribuindo para aumentar a eficiência operacional e estimular a manutenção preventiva da frota. “O Despoluir oferece um diagnóstico técnico que ajuda a reduzir emissões, otimizar o consumo de combustível, ampliar a confiabilidade dos veículos e prevenir custos maiores com manutenção corretiva”, afirma.
Para a FETCESP, no entanto, os resultados positivos observados entre as empresas atendidas não eliminam o desafio representado pela permanência de veículos antigos em segmentos com menor capacidade de investimento. Pequenas e médias transportadoras e transportadores autônomos enfrentam maiores dificuldades de acesso ao crédito, especialmente diante do valor dos veículos novos, das exigências de garantias e do custo dos financiamentos.
“O avanço ambiental precisa ser acompanhado por uma política nacional de renovação de frota, com crédito acessível, juros competitivos, prazos compatíveis com a atividade e mecanismos que também alcancem empresas menores e transportadores autônomos. A modernização da frota deve ser tratada como uma política de eficiência econômica, segurança viária e redução de emissões”, finaliza Panzan.
Sobre a FETCESP
A Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo foi fundada em 1989 com a finalidade de representar o Transporte Rodoviário de Cargas no Estado de São Paulo junto às autoridades em todos os níveis das administrações pública e privada federal e estadual. Por isso, atua como órgão técnico e consultivo no estudo de soluções de questões ligadas ao transporte.
A Federação mantém comissões de trabalho formadas por empresários e assessorias jurídica e técnica especializadas. Os grupos participam de discussões sobre infraestrutura dos transportes, privatização das rodovias, terminais de cargas, tributos nas empresas de transportes, política trabalhista, acidentes no trabalho, roubo e desvio de cargas, multimodalidade, poluição veicular, legislação de trânsito e transporte de produtos químicos (perigosos), entre outros temas.
























