Mesmo sendo considerada um tanto recente, a reciclagem veicular segue ganhando espaço e importância no mercado automotivo brasileiro. Esse modelo de negócio baseado na economia circular gera um retorno que fomenta a reutilização de peças e é capaz de evitar desperdícios de recursos utilizados pelas montadoras.
Iniciativas de reaproveitamento como as da Stellantis, Hyundai e Grupo Sada ganham agora um novo exemplo com a ampliação de leilões veiculares da Sodré Santoro. A organização agora expande os serviços de reciclagem com o recebimento de cerca de 16 mil toneladas de sucatas veiculares que retornam a cadeia produtiva e geram uma economia significativa de recursos.
Sucata retorna à cadeia produtiva
Os materiais que chegam na leiloeira são, em grande parte, provenientes de seguradoras e, após a venda, vão para recicladores ou desmanches de veículos credenciados, que separam e limpam as peças e as encaminham para siderúrgicas, garantindo a reinserção dos materiais na indústria automotiva. De acordo com Moacir de Santi, leiloeiro oficial da Sodré, isso abre portas para que as montadoras possam utilizar o mesmo material em equipamentos e veículos novos.
Ele explica que hoje, o que antes era considerado material perdido, pode ser reaproveitado por meio do processo de reciclagem, entre eles os veículos que foram queimados ou chegam nas seguradoras parcialmente triturados. “Ele é destinado exatamente para essa sucata, que vai para a usina e vai ser fabricada novamente numa chapa, que vai construir um novo carro”, diz.
Por outro lado, também são recolhidos veículos que não podem voltar a circular em via pública e que, por sua vez, serão desmontados para retornar ao processo de fabricação. São provenientes deles as peças como motores, portas e vidros, que são vendidos às empresas de reciclagem em grande volume.
Segundo Moacir, o retorno financeiro é certo, ainda que variável. Ele afirma que, pelo leilão depender da qualidade do material que é recebido, a receita segue sendo inconstante, mas ainda oferece uma economia significativa de recursos e de dinheiro para empresas e montadoras que transformam novamente aqueles materiais em produtos.
Leilões movimentam milhares de lotes por mês
No caso de veículos que chegam ao leilão em estado adequado para retornar à circulação, a Sodré auxilia no prolongamento da vida útil daquele automóvel, contribuindo para que não haja um descarte prematuro do produto que ainda pode ser utilizado. Já em casos de gestão de veículos no fim do ciclo, o leiloeiro ressalta que a organização atua como parceira de montadoras, sendo uma ponte entre as empresas e as seguradoras.
Dados apontam que a leiloeira realiza aproximadamente 1.500 leilões por ano e movimenta por volta de 7.500 lotes por mês, com taxa média de conversão que varia entre 75% e 93%. Já os lotes que não são arrematados passam por uma reformulação, sendo reavaliados e anunciados outra vez. No entanto, Moacir de Santi explica que é um ciclo rápido e que em menos de dois meses aquilo que não foi arrematado é leiloado com sucesso.
Fonte: Automotive Business

























