“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Varejo de autopeças em ritmo de Copa do Mundo

Até o final do Mundial, várias ações podem ser realizadas para aproximar e engajar os clientes, desde que façam sentido para a marca

25/06/2026

Por Karin Fuchs

A Copa do Mundo de 2026 já começou e termina no dia 19 de julho. Neste período, o varejo de autopeças pode realizar ações e engajar clientes. No entanto, Petúnya Rébuli, publicitária e especialista em posicionamento de marca pessoal, alerta: “a primeira pergunta que a empresa deve fazer é: essa ação está alinhada com a forma como queremos ser percebidos pelo mercado?”, questionou.

Petúnya Rébuli, publicitária e especialista
em posicionamento de marca pessoal

Segundo ela, “a Copa pode gerar grande engajamento, mas nem toda tendência faz sentido para toda marca. O posicionamento deve servir como filtro para definir quais oportunidades merecem ser aproveitadas. Alguns sinais ajudam a identificar se existe a necessidade de fortalecer o posicionamento”, afirmou, citando:

  • A empresa está com dificuldade para atrair novos clientes?
  • Está perdendo espaço para os concorrentes?
  • Possui baixa lembrança de marca?
  • Os clientes compram apenas uma vez ou há recorrência?
  • O público que chega até a empresa é realmente o público desejado?

Ao responder a essas questões, Petúnya Rébuli afirmou que “se essas respostas apontarem fragilidades, a Copa pode ser uma oportunidade estratégica para ampliar visibilidade, reforçar atributos da marca e estreitar o relacionamento com clientes. Mais importante do que participar do evento é fazê-lo de forma coerente. As marcas que geram melhores resultados são aquelas que conseguem participar das conversas do momento sem abrir mão da própria identidade”, ressaltou.

Ainda de acordo com ela, a Copa dura algumas semanas, mas a percepção que o cliente constrói sobre uma marca pode durar anos. “Por isso, toda ação promocional deve fortalecer o posicionamento da empresa, e não apenas gerar vendas pontuais. Quando existe alinhamento entre ação promocional, comunicação e posicionamento, a Copa deixa de ser apenas uma campanha sazonal e passa a contribuir para a construção de marca no longo prazo”, descreveu.

Ações na prática

A Copa do Mundo é um dos poucos eventos capazes de mobilizar praticamente todo o País ao mesmo tempo. “Para o varejo de autopeças, isso representa uma oportunidade de gerar conexão emocional com clientes, colaboradores e comunidade local, fortalecendo a lembrança da marca. O mais importante é que a ação faça sentido para a identidade da empresa e não seja apenas uma tentativa de aproveitar uma tendência momentânea”, afirmou. A seguir, Petúnya Rébuli sugeriu algumas ações:

Ambientação temática no ponto de venda: “Com decoração inspirada na competição, vitrines especiais e comunicação visual relacionada aos jogos. Essa estratégia ajuda a transformar a experiência de compra e cria um ambiente mais próximo do público durante o período”.

Campanhas promocionais vinculadas ao desempenho da Seleção Brasileira: “Um exemplo é oferecer descontos progressivos de acordo com o número de gols marcados pelo Brasil ou liberar condições especiais em dias de vitória. Esse tipo de ação cria expectativa e incentiva o cliente a acompanhar a campanha da empresa ao longo do torneio”.

Ações de relacionamento: “Como sorteios, quizzes sobre futebol nas redes sociais, bolões para clientes ou campanhas de indicação. Além de aumentar o engajamento, essas iniciativas ajudam a ampliar o alcance da marca de forma orgânica”.

Ambiente interno: “O período da Copa também pode ser aproveitado para fortalecer a cultura organizacional. Dias temáticos, bolões entre colaboradores, encontros para assistir aos jogos e campanhas de integração envolvendo familiares ajudam a aumentar o engajamento da equipe e reforçam o sentimento de pertencimento”.

Promoção: “Nem toda promoção precisa gerar custos adicionais para a empresa. Muitas vezes, as ações mais eficientes são aquelas que criam interação e senso de oportunidade. Uma estratégia interessante é trabalhar com descontos condicionados aos resultados dos jogos. A cada vitória da Seleção, por exemplo, determinados produtos podem receber descontos especiais ou condições facilitadas de pagamento”.

Campanhas de combos ou kits promocionais: “Relacionados a serviços e manutenção preventiva, aproveitando o aumento do fluxo de viagens e deslocamentos que costuma ocorrer em períodos de grandes eventos”.

Programas de fidelidade: “Também podem ganhar versões temáticas durante a Copa, oferecendo benefícios extras para clientes recorrentes. Isso ajuda a fortalecer o relacionamento sem necessariamente exigir investimentos elevados em brindes ou premiações”.

Seja qual for a ação, Petúnya Rébuli ressaltou que “mais do que promover descontos, o objetivo deve ser criar uma experiência positiva e manter a marca presente na memória do consumidor durante o evento”.

Canais digitais

Ao avaliar quais canais digitais devem ser utilizados, Petúnya Rébuli respondeu que depende diretamente do perfil de cliente atendido pela loja de autopeças. “Quando a empresa vende para o consumidor final, Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok costumam ser os canais mais adequados para campanhas relacionadas à Copa. São plataformas que permitem trabalhar conteúdos mais leves, interativos e conectados ao momento”, descreveu.

Para empresas que atendem oficinas, transportadoras, gestores de frota e outros negócios, a dica dela é o LinkedIn. “Uma oportunidade interessante para abordar o tema sob uma perspectiva mais corporativa, reforçando relacionamento e posicionamento de mercado”, explicou.

Independentemente da plataforma, a linguagem precisa ser adaptada ao canal e ao público, alertou Petúnya Rébuli. “O TikTok permite uma comunicação mais rápida e descontraída. O Instagram favorece conteúdos visuais e de proximidade. Já o LinkedIn exige uma abordagem mais estratégica e profissional. Outro cuidado importante é evitar forçar associações com o evento. A Copa deve ser usada como contexto para fortalecer a comunicação da marca, sem que ela perca sua identidade ou pareça oportunista”, finalizou.

Fonte: Balcão Automotivo

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