O crescimento da frota circulante, impulsionado pelo mercado de usados, amplia a demanda por reposição
15/05/2026
Por Claudio Milan
A edição 2026 da pesquisa Autop of Mind – realizada pelo After.Lab, núcleo de inteligência de negócios da Nhm – chega em um momento particularmente desafiador para o setor. O crescimento da frota circulante, impulsionado pelo mercado de usados, amplia a demanda por reposição. Ao mesmo tempo, a diversificação tecnológica dos veículos aumenta a complexidade da operação ao longo de toda a cadeia — da indústria à oficina. Novas marcas surgem, linhas de produtos se expandem e a gestão de estoque se torna mais exigente. Nesse cenário, comunicar bem deixou de ser diferencial. Passou a ser condição de permanência.
Comunicar bem, no entanto, não significa apenas aparecer. Significa gerar valor percebido, transmitir confiança técnica e sustentar uma presença consistente ao longo do tempo. Porque, no fim, o aftermarket não compra apenas produto. Compra segurança — e essa segurança começa, muitas vezes, pela familiaridade com a marca e a confiança adquirida com a experiência.
Nesta edição, apresentamos a primeira parte da divulgação dos resultados da Autop of Mind 2026. Para esta etapa, foram entrevistados 464 reparadores nas nove principais capitais do país: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A pesquisa é dividida em duas fases: em maio, o AAFD divulgará os resultados do estudo realizado junto aos proprietários de veículos.
Um ponto muito importante: a pesquisa Autop of Mind investiga a resposta imediata e espontânea dos entrevistados acerca de cada linha de produto proposta, sem qualquer interferência do entrevistador. Isso significa que, em determinados casos, pode haver a citação de uma marca para um produto que ela não fabrica nem oferece ao mercado. Nesta edição, foi o caso específico da aparição da NGK no quesito ‘bicos injetores’. Por se tratar de uma linha em que há forte concentração em duas marcas principais, as citações subsequentes, embora pouco representativas, acabam por reunir índices muito próximos – e baixos – de lembrança, sobressaindo-se alguma delas por pequena diferença. Foi o que aconteceu no quesito ‘bicos injetores’ e, para retratar com total fidelidade o que disseram os entrevistados, optamos por preservar as citações na íntegra.
Feita esta ressalva, as respostas obtidas junto aos reparadores – que você conhece nas tabelas a seguir – revelam quem conseguiu construir presença e ocupar espaço privilegiado na memória do mercado. Mais do que nomes, os resultados indicam quais empresas foram capazes de estabelecer uma conexão efetiva com seus públicos, transformando comunicação em lembrança e lembrança em relevância. Porque, no aftermarket, não basta ser visto. É preciso ser lembrado. E, no momento decisivo, ser escolhido.
Autop of Mind 2026 – Reparadores
Autopeças
COFAP
19,4%
BOSCH
15,9%
MONROE
10,8%
Rolamentos
SKF
57,3%
INA
19,0%
FAG
8,0%
Filtros
WEGA
29,3%
TECFIL
19,2%
MANN
17,9%
Anéis e pistões
MAHLE METAL LEVE
63,4%
COFAP
4,1%
TAKAO
3,4%
Combustível
SHELL
38,8%
BR PETROBRAS
30,6%
IPIRANGA
19,0%
Amortecedores
COFAP
45,3%
MONROE
29,5%
KYB / KAYABA
10,3%
Disco de freio
FREMAX
44,8%
HIPPER FREIOS
29,3%
TRW VARGA
10,1%
Borracha de suspensão
MONROE AXIOS
50,9%
SAMPEL
14,0%
MOBENSANI
8,0%
Baterias
MOURA
58,6%
HELIAR
30,0%
BOSCH
4,5%
Pastilhas e lonas
COBREQ
39,0%
FRAS-LE
33,2%
SYL
5,4%
Molas de suspensão
FABRINI
19,0%
COFAP
17,7%
TIGRE
7,5%
Correias
CONTINENTAL CONTITECH
38,1%
DAYCO
29,5%
GATES
22,6%
Pneus
PIRELLI
23,9%
MICHELIN
19,0%
CONTINENTAL
18,8%
Juntas e retentores
SABÓ
77,2%
HENGST
6,3%
ELRING
4,5%
Embreagens
LUK
78,2%
SACHS
11,4%
VALEO
3,9%
Bandeja de suspensão
NAKATA
28,9%
COFAP
25,2%
PERFECT
11,4%
Pivô e terminal
NAKATA
30,6%
VIEMAR
23,7%
PERFECT
12,7%
Escapamentos
MASTRA
23,9%
SCAPEX
11,2%
TUPER
8,4%
Sondas e sensores
NTK
46,3%
BOSCH
23,5%
MTE THOMSON
12,3%
Velas de ignição
NGK
86,6%
BOSCH
10,3%
MAGNETI MARELLI
0,9%
Bico injetor
BOSCH
61,6%
MAGNETI MARELLI
14,2%
NGK
3,7%
Menos defeitos
NGK
14,7%
BOSCH
14,2%
COFAP
11,2%
Óleos lubrificantes
MOBIL
16,4%
BR LUBRAX
12,9%
SHELL
12,9%
Ferramentas
GEDORE
52,8%
RAVEN
9,7%
KING TONY
4,7%
Equipamentos de oficina
SUN
11,0%
ELEVACAR
6,3%
RAVEN
4,7%
Cursos e treinamentos
BOSCH
9,5%
NGK
3,4%
MONROE
1,7%
Veículos populares
FIAT
32,1%
VOLKSWAGEN
25,2%
CHEVROLET
22,8%
Veículos médios
TOYOTA
16,8%
VOLKSWAGEN
14,0%
CHEVROLET
13,8%
Veículos de luxo
BMW
17,5%
TOYOTA
15,3%
MERCEDES-BENZ
14,7%
Marca de autopeças mais admirada
BOSCH
15,3%
COFAP
9,5%
NGK
8,6%
Pesquisa traz informações complementares sobre hábitos do reparador
Por Laura Lessa, do After.Lab
Além de investigar as marcas do universo automotivo mais lembradas pelos reparadores, a pesquisa Autop of Mind também traz, tradicionalmente, algumas informações complementares acerca dos hábitos e rotinas de trabalho apuradas junto aos 464 respondentes entrevistados pelos profissionais do After.Lab. A seguir, trazemos estas informações.
Decisão de marca
Na soma total das respostas, 84% dos reparadores ouvidos afirmaram que são eles que escolhem a marca da autopeça a ser trocada, frente a 13% que delegam o poder de decisão aos proprietários dos veículos. Quando verificamos esse poder de decisão com base no tamanho do estabelecimento, notamos que essa faixa percentual se mantém.
Quando ampliamos a análise dos resultados para um entendimento local (em cada uma das capitais participantes da pesquisa – Tabela 2), vemos que a dinâmica do poder de escolha se repete, com a menor disparidade ocorrendo em Fortaleza: 25,7% dos respondentes indicaram que o proprietário possui o poder de decisão final.
Fonte: After.Lab
Tabela 2 – Percentual de decisão de troca por capital
Decisão de troca
Belo Horizonte (%)
Brasília (%)
Curitiba (%)
Fortaleza (%)
Porto Alegre (%)
Recife (%)
Rio de Janeiro (%)
Salvador (%)
São Paulo (%)
Reparador
86,5
85,4
68,0
74,3
85,7
76,2
85,4
81,2
87,7
Proprietário
10,8
14,6
16,0
25,7
9,5
23,8
13,5
15,6
8,6
Loja de Autopeças
2,7
0,0
8,0
0,0
4,8
0,0
0,0
0,0
0,0
Concessionária
0,0
0,0
8,0
0,0
0,0
0,0
1,1
3,1
3,7
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Fonte: After.Lab
Onde compra as autopeças
Os distribuidores permanecem como o principal ponto de fornecimento de autopeças para as oficinas no mercado brasileiro, englobando 55% de todos os reparadores respondentes. Essa preferência é independente do tamanho do estabelecimento, isto é, os distribuidores permanecem no topo mesmo com a análise estratificada considerando o tamanho dos estabelecimentos (micro, pequeno, médio e grande). Em relação à última edição da pesquisa Autop of Mind (2024), o varejo aumentou sua fatia no mercado (38% na edição atual, frente a 27% na edição anterior), mas ainda distante de alcançar a magnitude das empresas de distribuição. Quando analisamos os resultados por capital, vemos que o cenário se repete, com exceção de São Paulo, onde a fatia que compreende o maior percentual de fornecimento de autopeças pertence às lojas de varejo (64,4%).
Fonte: After.Lab
Tabela 3 – Tipo de estabelecimento em que os reparadores compram as peças por capital
Local de compra
Belo Horizonte (%)
Brasília (%)
Curitiba (%)
Fortaleza (%)
Porto Alegre (%)
Recife (%)
Rio de Janeiro (%)
Salvador (%)
São Paulo (%)
Distribuidor
78,4
75,6
76,0
60,0
90,5
95,2
57,3
62,5
28,8
Loja de Autopeças
13,5
22,0
16,0
31,4
9,5
4,8
34,8
28,1
64,4
Concessionária
8,1
2,4
8,0
8,6
0,0
0,0
6,7
9,4
5,5
Indústria
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
1,2
Internet
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
1,1
0,0
0,0
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Fonte: After.Lab
Perfil dos entrevistados
Não houve estratificação prévia da amostra quanto a ramo de atividade e número de funcionários.
Quanto ao tipo de veículo atendido, 97,4% dos entrevistados atendem veículos leves e médios, enquanto 2,6% atendem veículos médios e pesados. Referente ao número de veículos atendidos por dia nas oficinas, em média, 38,1% atendem de 6 a 10 veículos por dia, 30,2% atendem de 1 a 5 veículos e 14,7% atendem de 11 a 15 veículos diariamente.
No tocante ao tamanho das oficinas, 48,9% são caracterizadas como pequenas e possuem de 1 a 4 funcionários no atendimento dos veículos; 27,2% das oficinas são médias (5 a 9 funcionários) e apenas 6,5% são caracterizadas como grandes (acima de 20 funcionários).