Por George Guimarães
OKait foi o automóvel da Nissan mais vendido no Brasil em março. Com quase 4,5 licenciamentos, 50% do total da marca, o SUV ultrapassou o Kicks, líder de vendas na última década. É um feito rápido até demais, considerando que o novo modelo aportou nas concessionárias, em número significativo mesmo, em janeiro.
Em três meses, o Kait tem 6,4 mil licenciamentos contra 9 mil da segunda geração do Kicks, lançada em meados do ano passado. A dupla produzida em Resende, RJ, responde, portanto, por 85% dos 18,3 mil veículos da marca que chegaram às mãos dos clientes finais este ano.
A súbita ascensão do Kait, entretanto, não tem representado avanço da Nissan no mercado brasileiro, que segue estacionada nos 3% de participação, mesmo índice registrados em 2025 e ainda menor do que em 2024 e 2023.
As vendas acumuladas em 2026 estão 5% abaixo das de igual período do ano passado, recuo que se dá em cenário no qual o número de automóveis e comerciais licenciados cresceu 7,1%.

Mesmo considerando somente o segmento de utilitários esportivos, o maior do País e que cresceu singnificativos 25%, o desempenho da Nissan segue em linha com o comportamento médio, mas a participação da marca se manteve rigorosamente a mesma de um ano atrás, 5,6%, embora agora com o reforço do Kait.
Sinal de que o novo produto de entrada — com seis versões e preços a partir de R$ 118 mil até R$ 153 mil — não tem agregado tantos novos clientes quanto, talvez, a Nissan desejasse, ainda que o modelo seja, na verdade, uma cuidadosa atualização do Kicks Play, aposentado no fim do ano passado.

Ao contrário, os números divulgados pela Fenabrave sugerem uma boa parcela de canibalização, jargão do setor para ilustrar eventual migração de clientes entre produtos da mesma marca.
Se a média mensal de vendas do Kicks, ainda na primeira geração, foi acima de 4 mil unidades no primeiro trimestre de 2025, neste ano está em 3 mil licenciamentos, mesmo com o consumidor se deparando com o forte apelo de um design bem mais atrativo, mais e importantes conteúdos de conforto e segurança e evolução técnica com motor 1.0 turbo — ante o 1.6 aspirado da geração anterior e, claro, também do Kait.
É certo que pesa nesse recuo também o fato de o Kicks ter, digamos, evoluído também nos preços. A opção mais barata do SUV parte de R$ 169 mil e a topo esbarra em R$ 200 mil.
LEIA MAIS
→ Com o Kait, Nissan fortalece operação Brasil, que passa a abastecer o México
→ No lançamento do Kait, Nissan anuncia o e-power X-Trail
Coincidência ou não, é nesse intervalo de valores que se concentrou a maioria dos lançamentos nacionais e importados nos últimos meses. Uma profusão de opções, algumas até de maior porte, movidas por motores a combustão, híbridos e puramente elétricos.
Se após os três primeiros meses de 2025 o antigo Kicks aparecia como 7º SUV mais vendido do País, em 2026 tem 3,3% das vendas do segmento e está na 13º posição no ranking da categoria, com poucas dezenas de unidades a mais do que o Corolla Cross, que ainda sofre com restrições produtivas e tem preços bem mais elevados, a partir de R$ 193 mil até R$ 211 mil.
Resta, entretanto, acompanhar a aceleração da oferta do Kait e a evolução das vendas dele e do Kicks nos próximos meses para sabermos se, de fato, a Nissan apenas trocou seis por meia dúzia e se, em última análise, precisará rever posicionamento de seus produtos e a estratégia de preços.
Fonte: AutoIndústria – Foto: Divulgação
























