“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

‘Split payment’ afetará o fluxo de caixa das empresas, que devem se preparar com antecedência

Mudanças, que se iniciarão em 2027, exigem planejamento estruturado para honrar compromissos de curto prazo

06/04/2026

Hoje, ao vender um produto ou serviço ao cliente, a empresa recebe o valor “cheio” dessa transação e tem um prazo para recolher os tributos ao governo. Com a implementação do split payment (“dividir o pagamento”, em inglês) isso vai mudar! Quando o cliente efetuar o pagamento por meios eletrônicos (cartão de crédito ou débito, PIX etc.), o valor do tributo será descontado e pago automaticamente, sem que o dinheiro passe pela conta do negócio. O formato é semelhante ao Imposto de Renda (IR) do empregado com carteira assinada, que já é descontado na folha de pagamento antes de o salário ser pago.

Essa nova dinâmica exige um novo planejamento financeiro para o dia a dia dos negócios, já que o prazo entre receber o dinheiro pela venda e pagar o imposto funciona como um “crédito informal” para muitos negócios. Como esse “colchão financeiro” deixará de existir, isso trará um impacto significativo para as empresas que já operam com margens apertadas ou que dependem de elevado capital de giro para honrar compromissos de curto prazo.

Planejamento antecipado

A implementação do split payment será gradual, com a primeira fase se iniciando em 2027. Então, há tempo para se preparar — e quem agir antes sairá em vantagem. Veja, a seguir, algumas dicas e orientações.

1. Revise o capital de giro

Calcule quanto do seu fluxo de caixa atual depende do “prazo” que você tem para pagar impostos. Esse valor precisará ser coberto de outra forma. Converse com o seu contador para ter uma visão clara.

2. Renegocie prazos com fornecedores

Se parte do seu equilíbrio financeiro vinha do prazo de recolhimento de tributos, tente compensar isso ampliando os prazos de pagamento aos seus fornecedores. Essa negociação fica mais fácil quando feita com antecedência.

3. Revise a precificação

Com menos capital de giro disponível, os custos financeiros podem aumentar. Verifique se o preço dos seus produtos e serviços já considera essa nova realidade. Uma precificação desatualizada pode corroer a margem sem que você perceba.

4. Explore linhas de crédito de capital de giro

Bancos e fintechs oferecem produtos específicos para capital de giro. Vale pesquisar condições antes de precisar — crédito emergencial costuma ser mais caro. Contar com uma linha pré-aprovada é uma boa rede de segurança.

5. Considere a antecipação de recebíveis

Se você vende a prazo (parcelado no cartão, por exemplo), a antecipação de recebíveis pode ser uma ferramenta útil para recompor o caixa no curto prazo. Avalie as taxas com cuidado.

6. Faça um planejamento tributário

Com todas essas mudanças, este é o momento ideal para conversar com um contador ou consultor tributário e revisar o enquadramento da sua empresa, os créditos que você tem direito a recuperar e as melhores estratégias para o novo ambiente fiscal.

split payment é uma mudança estrutural na forma como o governo vai arrecadar tributos no Brasil, afetando o cotidiano financeiro de praticamente todas as empresas que vendem produtos ou prestam serviços.

O maior risco não é a mudança em si, mas ser pego desprevenido. Empresas que se prepararem com antecedência — revisando capital de giro, contratos, precificação e estrutura financeira — terão muito mais tranquilidade na transição.

Quer saber mais sobre a Reforma Tributária, sem complicações ou juridiquês? Baixe gratuitamente as cartilhas elaboradas pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e esteja pronto para todas as mudanças.

Fonte: FecomercioSP

Informes