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Indústria de implementos rodoviários destaca boas vendas em março

Mercado de reboques e semirreboques retoma curva de crescimento com volume de vendas 27,5% superior a fevereiro de 2026

06/04/2026

Por Gustavo Queiroz

A indústria de implementos rodoviários brasileira registrou um expressivo crescimento nas vendas durante o mês de março, revertendo parcialmente a tendência negativa observada no acumulado do primeiro trimestre. De acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), foram emplacadas 12.211 unidades no terceiro mês do ano, volume 23,7% superior ao comercializado em fevereiro, quando o setor havia totalizado 9.870 equipamentos.

Segundo a entidade, o desempenho positivo foi puxado principalmente pelo segmento de reboques e semirreboques, que registrou alta de 27,5% na comparação mensal, passando de 5.007 para 6.390 unidades. Já o setor de carrocerias sobre chassis cresceu 19,5% no período, com 5.821 emplacamentos em março ante 4.863 em fevereiro.

O presidente da Anfir, José Carlos Spricigo, atribuiu a aceleração das vendas a dois fatores principais. “Os reflexos positivos da safra em andamento e do programa Move Brasil são percebidos no resultado do setor de implementos rodoviários”, afirmou.

Para o executivo, o governo federal deveria dar continuidade ao programa. “A renovação do programa será um suporte importante quando a demanda originada pelo agronegócio arrefecer, por ser um fato sazonal”. A safra agrícola, tradicionalmente concentrada no primeiro semestre, impulsiona a necessidade de equipamentos para escoamento da produção, enquanto o Move Brasil oferece linhas de financiamento e incentivos para renovação da frota de implementos.

Apesar da recuperação mensal, o balanço consolidado do primeiro trimestre de 2026 ainda mostra retração em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e março, os fabricantes venderam 30.841 implementos rodoviários, volume 13,68% inferior às 35.728 unidades comercializadas nos três primeiros meses de 2025.

Spricigo explica que a base de comparação foi atípica: “Para entender este recuo é importante lembrar que o mercado no primeiro trimestre do ano passado ainda sentiu os efeitos positivos das vendas realizadas na Fenatran de 2024”. A Fenatran, maior feira do setor de transporte na América Latina, ocorrida em novembro de 2024, gerou um pico de negócios cujos efeitos se estenderam pelos primeiros meses de 2025. “A partir do segundo trimestre vamos visualizar o movimento de mercado sem esta influência”, completou o executivo.

Implementos rodoviários

Reboques e semirreboques

mercado de reboques e semirreboques acumulou queda de 14,61% no trimestre, com 15.732 unidades vendidas contra 18.423 de janeiro a março de 2025. A análise detalhada por família de equipamentos revela desempenhos heterogêneos. Entre as maiores retrações estão os tanques para transporte de derivados de petróleo e carbono, cujas vendas despencaram 51,19% — de 1.592 para 777 unidades — e os baús lonados, que tiveram queda de 45,12%, saindo de 1.846 para 1.013 equipamentos. Os modelos do tipo carrega tudo também recuaram 23,99%, passando de 617 para 469 unidades.

Por outro lado, alguns segmentos apresentaram crescimento expressivo, como os tanques em aço inoxidável, que avançaram 22,02% (de 109 para 133 unidades), e os implementos especiais, com alta de 13,04% (de 575 para 650 unidades). Os baús para carga geral, maior família em volume, mantiveram-se praticamente estáveis, com ligeira alta de 0,27% (de 2.596 para 2.603 unidades). Os basculantes, muito utilizados na construção civil e mineração, caíram 8,55% (de 3.087 para 2.823), enquanto os graneleiros para carga seca recuaram 6,25% (de 3.393 para 3.181) e os dollys — equipamentos de apoio para combinações de veículos de carga — tiveram queda de 10% (de 1.520 para 1.368).

Carrocerias sobre chassis

No segmento de carrocerias sobre chassis, a retração acumulada no primeiro trimestre foi de 12,69%, com 15.109 unidades ante 17.305 em 2025. As famílias que mais contribuíram para o recuo foram as betoneiras, com queda de 26,13% (de 444 para 328 unidades), os graneleiros e cargas secas, que caíram 18,68% (de 3.977 para 3.234), e os tanques, com redução de 12,87% (de 1.298 para 1.131). Os baús de alumínio e frigoríficos, principal categoria do segmento, recuaram 10,90% (de 7.127 para 6.350 unidades). Os basculantes sobre chassi tiveram queda de 11,48% (de 1.995 para 1.766). Em sentido contrário, os baús lonados apresentaram crescimento de 3,45% (de 116 para 120 unidades), e a categoria “outras e diversas” recuou 7,16% (de 2.348 para 2.180).

Exportações

No que diz respeito ao mercado externo, os dados da Anfir consolidados até fevereiro indicam um desempenho positivo para as exportações do setor. Foram embarcadas 658 unidades nos dois primeiros meses de 2026, volume 13,84% superior às 578 unidades exportadas no mesmo biênio de 2025.

Fonte: Frota&Cia

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