“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Serviços retomam vagas, mas Comércio mantém ponderação na geração de empregos em SP

Após contratações de fim de ano, mercado de trabalho recompõe-se e reduz ritmo

25/03/2026

O mercado de trabalho paulista gerou 3.001 vagas no setor de Serviços em janeiro, em meio a uma recomposição dos postos após as contratações sazonais do fim de 2025 [tabela 1]. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a tendência é que os primeiros meses do ano apresentem um ritmo mais moderado na retomada das contratações. Segundo a Entidade, o ambiente de crédito seletivo e de condições financeiras restritivas tende a causar maior cautela por parte das empresas.

De acordo com a Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP), realizada pela FecomercioSP com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o movimento ocorre após o forte ajuste observado em dezembro, quando houve o desligamento de 129.955 postos [gráfico 1]. 

[Tabela 1]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços no Estado de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

Apesar da retomada das contratações, o desempenho foi mais moderado na comparação com o mesmo mês de 2025, com resultado inferior em 6.091 vagas. Ainda assim, o setor mantém estoque elevado de empregos formais — com 7,7 milhões de vínculos e desempenho positivo em doze meses (176.274).

Os segmentos que mostraram maior geração líquida de empregos em janeiro se concentraram nos serviços corporativos, educação e atividades profissionais, enquanto os ligados ao consumo presencial e à logística apresentaram ajustes negativos [tabela 1].

[Gráfico 1]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços no Estado de São Paulo – janeiro/ 2025 a janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

Saldo negativo no comércio
No Comércio, janeiro registrou saldo negativo de 20.677 postos de trabalho [tabela 2], apontando para uma intensificação do encerramento das contratações temporárias realizadas para atender à Black Friday e ao Natal — movimento já presente em dezembro, quando o resultado havia sido de -19.242 vagas.

[Tabela 2]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio no Estado de São Paulo – janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

Em comparação com janeiro de 2025, o mercado de trabalho paulista apresentou um ajuste ainda mais intenso, com 3.427 postos a menos. Na ocasião, o volume havia sido de -17.250 vagas [gráfico 2].

Dentre as divisões do setor de Comércio, o Varejista — o mais aquecido durante o período de maior demanda sazonal — foi o que mais contribuiu para o resultado negativo do mês, com a eliminação de 20.073 vagas. Na sequência, ficaram os segmentos de Comércio e Reparação de Veículos (-305) e o Atacadista (-299) [tabela 2].

[Gráfico 2]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio no Estado de São Paulo – janeiro/ 2025 a janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

De acordo com a FecomercioSP, o ambiente de estoques mais ajustados, as margens pressionadas e o custo elevado do crédito têm limitado movimentos mais intensos de contratação no Comércio Atacadista. E o segmento de Veículos sofreu os reflexos das restrições impostas pelo alto custo do financiamento e pela postura mais cautelosa do consumidor, em especial na compra de bens de maior valor.

Apesar do desempenho mensal negativo, o estoque de empregos formais no setor de Comércio avançou em 58.011 postos, um crescimento de 2%, passando de 2,97 milhões, em janeiro de 2025, para 3 milhões no mesmo mês de 2026 [tabela 2]. Em doze meses, registrou a criação de 54.634 postos.

Na visão da Federação, ainda que seja esperado um retorno a saldos positivos nos próximos meses, como tradicionalmente ocorre após o início do ano, o comportamento recente do mercado de trabalho sugere maior cautela na geração de empregos, indicando que o ritmo de expansão do Comércio em 2026 pode ser mais moderado do que o observado no ano anterior.

Capital paulista: retomada dos Serviços e queda no Comércio
Na cidade de São Paulo, o setor de Serviços registrou, em janeiro, 2.977 vagas, após 160.966 admissões e 157.989 desligamentos [tabela 3]. Em dezembro, havia reduzido 42.133 postos. Em relação a janeiro de 2025, quando registrou 9.092 empregos, houve uma redução de 6.115 postos de trabalho. Em doze meses, a capital também mantém saldo positivo, com 70.912 vagas.

[Tabela 3]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços – Cidade de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

 O Comércio paulistano terminou janeiro com saldo negativo de 6.559 vagas, resultado de 36.973 admissões e 43.532 desligamentos [tabela 4]. O resultado representa um ajuste mais intenso do que o observado em janeiro de 2025, que apresentou saldo negativo de 4.550 vagas, mas em menor escala em relação a dezembro (menos 7.664). O estoque de empregos formais passou de 907.085 vínculos, em janeiro de 2025, para 920.797 em janeiro de 2026, um acréscimo de 13.712 postos — crescimento de 1,5%. Em doze meses, a capital registrou saldo positivo de 13.692 vagas.

[Tabela 4]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio – Cidade de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP

 Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP) passou por reformulação em sua metodologia e, agora, analisa o nível de emprego celetista dos setores de Comércio e de Serviços do Estado de São Paulo a partir de dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho — passando a se chamar PESP de Comércio e Serviços.

Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que afetam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

Informes