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Repercussão do NADA Show 2026

As tendências para o mercado brasileiro e as similaridades com o mercado norte-americano foram destacadas no Pós-NADA Show

23/03/2026

Por Karin Fuchs

No início de março, a Megadealer e a G30 Inteligência Automotiva realizaram o Pós-NADA Show, com apoio da Auto Avaliar, para apresentar aos players do setor a vivência que tiveram no NADA Show, considerado o maior evento da indústria automotiva do mundo, realizado em fevereiro deste ano, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Presencial e com transmissão online, no painel “AutoAvaliar – perspectivas do carro usado”, Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, e Elias Marrochel, diretor executivo da Auto Avaliar, apresentaram as tendências para o Brasil e um paralelo com o mercado norte-americano.

No ano passado, o mercado de veículos seminovos e usados cresceu 17,3% no Brasil. Marrochel destacou o quanto esse setor é influenciado pela venda de veículos novos. “O segmento de usados é 5,2 vezes maior do que o mercado de 0 km. Sempre olhamos primeiro para o 0 km e depois para o usado, porque é o veículo novo que traz a oportunidade da troca. Para este ano, a Anfavea projeta um crescimento de 2,7% para veículos leves. Olhando para o setor de usados, tirando o efeito Renave, a base provável de crescimento é de 9%”, afirmou.

Marrochel também falou sobre três pilares que impulsionam o mercado de usados brasileiro: “O custo do carro zero, o crédito restrito e a frota envelhecida. Esses três pilares representam linhas de oportunidade quando analisamos o contexto econômico. Em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, o múltiplo é de 2,5 a 3 usados para cada veículo novo”, comparou.

Eletrificados

Quanto aos veículos eletrificados, Victorazzo pontuou que “as montadoras apostaram muito no carro elétrico e, tanto no Brasil quanto em outros países, o que está se tornando dominante é o carro híbrido. No final, quem manda é a demanda”, explicou.

Para os próximos anos, Marrochel comentou que a prevalência ainda será dos veículos a combustão. “O híbrido é o carro que viabiliza essa transição; a combustão ainda representa a maior parte, e o elétrico não é um nicho de volume, pelo menos por enquanto”, afirmou.

Segundo ele, o ponto-chave está na precificação e no posicionamento nesse mercado de nicho. “O que vimos nos Estados Unidos foi um estoque de 149 dias, ou seja, elétricos encalhados. Uma das principais marcas que sofrem essa pressão direta é a BYD, em algumas regiões. Produtos com mais de 60 dias — às vezes 90 dias de cobertura de estoque — geram pressão nos preços. É importante entender o que acontece no mercado de veículos novos, pois isso impacta diretamente o seminovo”, alertou.

Fim da era de volume

No evento nos Estados Unidos, Marrochel relatou a participação na abertura da Fenabrave, com a presença do economista-chefe norte-americano, que abordou o cenário macroeconômico. “Vimos muita similaridade com o mercado brasileiro. É o fim da era de volume. O mercado americano funciona como uma máquina do tempo, antecipando riscos estruturais para o Brasil em 2027 e 2028. Eles vivem um cenário de excesso estrutural, ou seja, alta oferta de veículos e menor capacidade de absorção. Aqui, temos vários competidores, com mais de 10 novas marcas entrando no mesmo mercado, o que gera alta oferta e baixa absorção. Isso não afetará apenas quem vende veículos novos”, explicou.

Marrochel também chamou atenção para o giro de estoque. “Tanto no mercado americano quanto no brasileiro, isso faz muito sentido. No passado, olhava-se apenas para o topo do funil. O futuro é baseado em dados, com um ciclo bem nutrido e ativo o tempo todo, integrando marketing, vendas, retenção e pós-vendas para manter o cliente engajado. Quem administrar isso melhor manterá o cliente ativo; quem não se adaptar — ajustando processos, tecnologias e capacitação — ficará para trás. Essa é a realidade que vimos no mercado americano”, alertou.

Ainda de acordo com Marrochel, a nova dinâmica do mercado exige inteligência na compra, priorizando veículos com giro inferior a 30 dias. “Assim, equilibra-se mix e margem. A composição ideal envolve volume, margem e giro para manter o negócio saudável. Hoje, já temos soluções para suportar essa gestão, tanto na compra quanto no estoque”, finalizou.

Presença no NADA Show 2026

Entre as lições do NADA Show 2026, Fábio Braga, country manager da Megadealer, destacou: “Nossa missão técnica foi histórica, desde as visitas às lojas até a participação na exposição. Reunimos mais de 180 concessionários brasileiros em um café da manhã com duas palestras relevantes, conduzidas por Anoop Tiwari e Scot Eisenfelder, referências do setor. Agora, queremos compartilhar esse conhecimento e mostrar como aplicá-lo no mercado automotivo brasileiro”, afirmou.

“O mercado automotivo entrou em uma fase em que capital, mix e produtividade valem mais do que discurso de volume. Quem operar com disciplina de preço, estoque e crédito terá resultados acima da média, mesmo em um cenário de crescimento moderado. Já quem insistir em vender sem proteger margem e valor residual tende a enfrentar problemas no próximo ciclo”, concluiu J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar.

Fonte: Balcão Automotivo

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