Por Gustavo Queiroz
A Agrale deu um passo estratégico para recompor sua participação no mercado brasileiro de caminhões médios com o lançamento das novas gerações dos modelos A 15.000 e A 18.000. As novidades representam a volta da montadora, sediada em Caxias do Sul (RS), a uma faixa de peso que havia sido descontinuada em ciclos anteriores, agora com cabine totalmente reformulada, conjunto mecânico reconhecido e posicionamento competitivo em custo operacional.
Em entrevista à Frota&Cia, o diretor Comercial e de Marketing da Agrale, Edson Ares Sixto Martins, detalhou os bastidores da decisão de retomar o segmento. “Os antigos clientes da Agrale e os concessionários estavam nos pedindo esses modelos. Nós tínhamos uma cabine feita com fibra de vidro e, agora, buscamos cabines feitas inteiramente com chapa de aço, mais modernas“, explicou Martins.
A nova cabine, de origem importada, mas desenvolvida sob especificações da engenharia da Agrale, chega para atualizar esteticamente a linha e, principalmente, entregar ganhos ergonômicos ao operador. “São cabines amplas, com bancos confortáveis, painéis modernos e tudo que um caminhão precisa para ter um custo total de propriedade (TCO) competitivo“, afirmou o executivo.
Detalhes técnicos
Sob a cabine, a Agrale manteve a receita que consolidou sua reputação no mercado, composta pela simplicidade mecânica aliada a componentes de fornecedores globais. Tanto o A 15.000 quanto o A 18.000 são equipados com motor Cummins F4.5 de quatro cilindros, 4,5 litros, entregando 213 cv de potência a 2.300 rpm e torque de 780 Nm disponível entre 1.300 e 1.500 rpm. O propulsor conta com duplo estágio de turbo e atende às normas Proconve P8 (Euro VI) por meio do sistema de redução catalítica seletiva (SCR), que exige o abastecimento com Arla 32.
A transmissão fica por conta da Eaton FS5406B, caixa de seis marchas à frente e uma à ré, com embreagem monodisco a seco de 395 mm e acionamento hidropneumático. A combinação prioriza a durabilidade em operações urbanas e rodoviárias de curta distância, perfil típico dos clientes desses modelos.
O A 15.000 foi concebido para operações que exigem maior volumetria, mas com limite de peso. Seu Peso Bruto Total (PBT) é de 15 toneladas, com capacidade de carga útil máxima de 9.960 kg quando considerado o peso do caminhão em ordem de marcha de 5.040 kg. O modelo pode tracionar até 23 toneladas (CMT). O eixo dianteiro é o DANA 6.0T, enquanto o traseiro pode ser o Meritor MC19145 (relação 4,88:1) ou, opcionalmente, versões com relações 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 ou 6,36:1.
Já o A 18.000 amplia a capacidade para cargas mais pesadas. Seu PBT legal é de 16 toneladas, mas o PBT técnico alcança 17,6 toneladas, resultando em carga útil máxima de 10.770 kg (legal) ou 12.520 kg (técnica). O modelo suporta até 11 toneladas no eixo traseiro Meritor MC23145 (relação 5,29:1) e pode receber terceiro eixo, elevando a capacidade máxima para 16 toneladas. O eixo dianteiro é o DANA 6.7T, com capacidade para 6,6 toneladas. A capacidade máxima de tração (CMT) chega a 27 toneladas.
Ambos os modelos compartilham a mesma arquitetura de chassi, com suspensão dianteira e traseira por molas semielípticas e amortecedores telescópicos de dupla ação. A direção é hidráulica ZF Servocom 8097, com círculo de viragem de 21.550 mm. Os freios são a tambor do tipo “S Cam” com sistema pneumático assistido eletronicamente por ABS. O entre-eixos padrão é de 4.800 mm, mas o A 18.000 admite versões sob consulta de 3.600 mm a 5.500 mm.
Posicionamento de mercado e público-alvo
Os dois modelos chegam para disputar fatias específicas do segmento de semipesados. O A 15.000 é apontado pela Agrale como mais adequado para operações de distribuição urbana, entregas de bebidas, construção civil e serviços públicos. “O 15 toneladas permite cargas com volumetria maior, não tanto peso. Já o 18 atende quando a equação muda e o peso passa a ser preponderante“, explicou Martins. Entre as aplicações típicas do modelo mais pesado está a compactação de resíduos (coleta de lixo).
O posicionamento de preços, segundo o diretor, coloca os novos produtos na média dos concorrentes fabricados no Brasil. “Não está nem abaixo, nem acima. É um preço médio equivalente aos demais caminhões da faixa, mas com características de durabilidade e custo de manutenção que o tornam altamente competitivo num cálculo de TCO“, afirmou.
A estratégia comercial da Agrale para esses lançamentos reflete um momento de cautela, mas também de otimismo. Martins destacou que, enquanto o mercado brasileiro de caminhões leves registrou queda de 46,7% no primeiro bimestre, a Agrale cresceu 50% no segmento. Nos médios, a alta foi de 12%. “Estamos vendo o efeito da entrada desses produtos no mercado“, comemorou.
Rede de concessionárias
Um dos trunfos da montadora gaúcha para viabilizar a retomada é sua capilaridade. A Agrale conta atualmente com mais de 111 distribuidores para todas as linhas de produto, sendo 39 exclusivos para caminhões. Mas o dado mais expressivo, segundo Martins, são os mais de 160 postos de serviço espalhados pelo país.
Essa estrutura, explicou o executivo, foi impulsionada pelo programa Caminhos da Escola e pelo Agrale Marruá, que obrigaram a empresa a criar pontos de atendimento em municípios remotos. “Temos postos de serviço em lugares que muitos nunca ouviram falar. Isso nos dá uma cobertura de pós-venda, talvez, maior que a de muitas concorrentes“, afirmou.
A flexibilidade, segundo Martins, é potencializada pelo fato de a Agrale ser uma empresa 100% brasileira. “Se um cliente tem uma operação em local distante do distribuidor, rapidamente criamos um posto de serviço para suportá-lo. Essa metodologia está desenvolvida dentro da companhia.”
Ficha Técnica do Agrale A 15.000
- Motor: Cummins F4.5, 4 cilindros, 4,5 litros, 213 cv (157 kW) a 2.300 rpm, torque de 780 Nm entre 1.300 e 1.500 rpm. Controle de emissões Proconve P8 (Euro VI) por SCR.
- Transmissão: Eaton FS5406B, 6 marchas à frente e 1 à ré. Embreagem monodisco a seco de 395 mm com acionamento hidropneumático.
- Eixo dianteiro: DANA 6.0T, capacidade de 6.000 kg.
- Eixo traseiro: Meritor MC19145 (padrão) com relação 4,88:1. Opcionais: 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 e 6,36:1.
- Pesos: PBT 15.000 kg. Carga útil máxima 9.960 kg. CMT 23.000 kg.
- Capacidades: Tanque de combustível 300 litros (210 litros opcional). Reservatório Arla 32 de 25 litros.
- Suspensão: Molas semielípticas com amortecedores telescópicos de dupla ação.
- Freios: Tambor “S CAM” com ABS.
- Direção: ZF Servocom 8097, círculo de viragem de 21.550 mm.
- Pneus: 275/80R22,5.
- Entre eixos:800 mm (padrão).
Ficha técnica do Agrale A 18.000
- Motor: Cummins F4.5, 4 cilindros, 4,5 litros, 213 cv (157 kW) a 2.300 rpm, torque de 780 Nm entre 1.300 e 1.500 rpm. Controle de emissões Proconve P8 (Euro VI) por SCR.
- Transmissão: Eaton FS5406B, 6 marchas à frente e 1 à ré. Embreagem monodisco a seco de 395 mm com acionamento hidropneumático.
- Eixo dianteiro: DANA 6.7T, capacidade de 6.600 kg.
- Eixo traseiro: Meritor MC23145 (padrão) com relação 5,29:1. Opcionais: 4,10:1, 5,72:1, 4,56:1 e 6,36:1. Capacidade de 11.000 kg. Aceita terceiro eixo até 16.000 kg.
- Pesos: PBT legal 16.000 kg / PBT técnico 17.600 kg. Carga útil máxima (legal) 10.770 kg / (técnica) 12.520 kg. CMT 27.000 kg.
- Capacidades: Tanque de combustível 300 litros (210 litros opcional). Reservatório Arla 32 de 25 litros (65 litros opcional).
- Suspensão: Molas semielípticas com amortecedores telescópicos de dupla ação.
- Freios: Tambor “S CAM” com ABS.
- Direção: ZF Servocom 8097, círculo de viragem de 21.550 mm.
- Pneus: 275/80R22,5.
- Entre eixos: 4.800 mm (padrão). Opcionais de 3.600 mm a 5.500
Fonte: Frota&Cia





























