Por Soraia Abreu Pedrozo
Lançado no início de janeiro para estimular a renovação da frota brasileira de caminhões com foco em eficiência, segurança e sustentabilidade o Move Brasil tem obtido sucesso na oferta de crédito a juros menores. Porém, quando o assunto é reciclabilidade, até o momento, tem sido falho.
Nestes quase dois meses de programa, conforme anunciou o vice-presidente e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na sexta-feira, 28, foram contratados R$ 4,2 bilhões para a compra de caminhões, de um total de R$ 10 bilhões que poderão ser pleiteados até 25 de maio.
A iniciativa propõe carência de seis meses e até cinco anos para pagar pelos veículos 0 KM de fabricação nacional ou seminovos, o que é restrito a transportadores autônomos e cooperados – a quem R$ 1 bilhão do valor total é reservado e que, até agora, tiveram contratados R$ 90 milhões, de acordo com o BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, em seu mais recente balanço.
Àqueles que endereçarem um caminhão com mais de vinte anos à reciclagem é concedido desconto na taxa de 2,5 pontos porcentuais. Só que quem tem feito a conta constata que não vale a pena: “Nem o MDIC acredita muito no Move Brasil. Ele tem o selo verde, mas é possível contratar o financiamento sem o verde. Sendo pragmático o programa não é verde”, afirmou uma fonte do setor que pediu para não ser identificada.
Na ponta do lápis, considerando o tíquete médio de R$ 1,1 milhão por caminhão, o desconto real para quem manda um caminhão para a reciclagem é de R$ 50 mil, calculou a fonte, “e, por um veículo deste valor, parcelado em cinco anos, as empresas não vão correr atrás de reciclar caminhão ou adquirir um certificado de reciclabilidade”.

Expectativa é que Renovar emplaque em maio
Diante dos fatos as apostas de uma ação mais robusta e eficaz na retirada de circulação de caminhões velhos recaem para o resgate da lei 14 440, que cria o Renovar, programa de renovação de frota sancionado desde 2022 mas que até o momento não vingou por esbarrar na escassez de fontes de financiamento.
Circulam nos bastidores de Brasília, DF, que quando Alckmin diz apostar na extensão do Move Brasil refere-se, exatamente, ao Renovar, que deverá voltar com nova roupagem e rebatizado, uma vez que o nome foi dado durante o governo anterior.
“Este, sim, daria desconto mais expressivo na largada do programa e não na parcela, diluído em cinco anos, o que desestimula os compradores. Até porque quem é o consumidor de Finame no Brasil? As grandes empresas de logística, não o caminhoneiro autônomo”, assinalou. “Conversando com grandes bancos eles não registraram, até o momento, nenhum crédito com entrega de veículo para reciclagem.”
A expectativa de fontes ouvidas pela reportagem é que o Renovar seja emplacado em maio, quando expira a medida provisória que criou o Move Brasil.
Fonte: AutoData

























