“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Aliança pela Mobilidade Sustentável foca na eletrificação da frota brasileira

Seu fundador, Thiago Hipólito, disse ao Agência AD Entrevista que a eletrificação está no centro do objetivo da Aliança, mas ressaltou a importância de outras rotas de descarbonização, como o etanol

05/02/2026

Por André Barros

Criada há três anos a Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa liderada pela 99 com foco em eletrificação da frota, superou as metas traçadas em sua fundação. E por muito: só na plataforma foram mais de 36 mil veículos cadastrados diante de uma meta de 10 mil unidades. Agência AD Entrevista conversou com Thiago Hipólito, fundador da Aliança e diretor de inovação da 99, sobre os objetivos e novas metas. Os principais pontos da conversa estão a seguir:

Como surgiu a ideia e qual o objetivo da Aliança pela Mobilidade Sustentável?

A 99 tem a sustentabilidade no coração do negócio e, por isto, tomou a iniciativa de fundar a Aliança com o objetivo de criar soluções que contribuam para o futuro do transporte sustentável, com foco em eletrificação e em descarbonização. A ação teve início em 2022 com o estímulo à adoção de veículos eletrificados no Brasil, começando justamente por quem mais roda nas cidades: motoristas e motociclistas parceiros da 99. A lógica foi simples: se quem dirige todo dia conseguir acessar tecnologia mais limpa com custo menor a transição para uma mobilidade de baixo carbono ganha escala muito mais rápido. A partir daí a 99 articulou uma coalizão de empresas de vários elos da cadeia, como montadoras, locadoras, companhias de energia e de infraestrutura de recarga, instituições financeiras, empresas de tecnologia e de crédito de carbono, para atuar de forma coordenada em veículos, recarga, financiamento, dados e descarbonização. O objetivo central da Aliança é colocar a mobilidade urbana brasileira em direção a um modelo mais limpo, acessível e eficiente, criando condições reais para que veículos eletrificados sejam uma opção viável no dia a dia, especialmente para quem depende da mobilidade como fonte de renda.

Quais foram as metas traçadas na sua criação? Todas foram alcançadas?

Quando foi lançada a Aliança estabeleceu três grandes metas até 2025: contribuir para que veículos eletrificados atingissem cerca de 10% das vendas de carros leves novos no Brasil até 2025 – um salto relevante com relação aos patamares de 2021 e 2022 –, tornar viável a instalação de 10 mil estações públicas de recarga no País, atuando em parceria com empresas de energia, infraestrutura e varejo, e chegar a 10 mil veículos eletrificados rodando via 99, usando a base de motoristas parceiros como vetor para escalar a tecnologia. Nosso balanço mais recente mostra que as metas da Aliança foram alcançadas e superadas: a coalizão já ajudou a colocar 212 mil veículos eletrificados, carros e motos, nas ruas, o que representa 37% da frota eletrificada nacional, estimada em 566 mil 587 unidades pela ABVE. Destes mais de 36,3 mil carros eletrificados estão cadastrados na plataforma da 99, que já realizou mais de 38 milhões de viagens em carros eletrificados e mais de 1 milhão em motos eletrificadas. Em infraestrutura a Aliança responde hoje por 5 mil dos 16 mil pontos de recarga públicos no Brasil, cerca de um terço da rede nacional.

Recentemente novas metas foram estabelecidas. Quais são?

Com o rápido avanço do setor a Aliança atualizou suas ambições, definindo novas metas para 2030: mais de 300 mil veículos eletrificados em múltiplas categorias ligados à 99 e à Aliança, desdobrados em 130 mil carros elétricos ou eletrificados, 70 mil motos elétricas, 100 mil e-bikes e 10 mil vans e caminhões elétricos. E 60 mil estações de recarga espalhadas pelo Brasil, formando um ecossistema de recarga muito mais capilar e acessível do que o atual. Para além de 2030 queremos chegar, em 2040, a um ecossistema de mobilidade verdadeiramente sustentável, inclusivo e escalável, com impacto positivo em emissões, qualidade do ar e custo de deslocamento para motoristas parceiros e passageiros, sempre com a tecnologia como aliada na gestão de frota, recarga e eficiência.

Quantas empresas compõem a Aliança pela Mobilidade Sustentável? Existem mais negociações? 

A Aliança pela Mobilidade Sustentável conta, atualmente, com 31 empresas parceiras. São elas 99, BYD, IturanMob, MercadoLivre, BV, Santander, Caoa Chery, Movida, Unidas, Raízen, Enel X, EzVolt, Tupi Mobilidade, Vibra, Zletric, Dahruj Rent a Car, 99Moto, iFood, Osten, Vammo, Riba, AYA Earth Partners, BVM12, GAC, Kinto, BR22, Seteloc, Bebike, Bliv, Serttel e GoMoov. E, sim, há várias empresas interessadas em fazer parte do ecossistema Aliança. Em breve teremos novidades.

Quais os requisitos para fazer parte da Aliança?

Para fazer parte da Aliança pela Mobilidade Sustentável o requisito principal é o compromisso e a atuação prática no ecossistema de mobilidade de baixo carbono, envolvendo setores como tecnologia, energia, montadoras, transporte por aplicativo, bancos e infraestrutura, com foco em criar um futuro mais verde e inclusivo no Brasil, especialmente em eletromobilidade. O ponto central é impulsionar veículos elétricos, carros, motos, bicicletas, vans, caminhões e mais, e a infraestrutura de recarga no país, com metas claras relacionadas à eletrificação, descarbonização e ampliação da infraestrutura de recarga.

Qual a visão que a Aliança tem sobre o mercado brasileiro? Está avançando na velocidade desejada? O que pode ser feito para tornar o acesso a tecnologias sustentáveis mais democrático?

O Brasil vive um momento de virada na eletromobilidade. O mercado ainda é pequeno em participação de frota mas cresce em ritmo muito superior ao restante do setor automotivo. Segundo a ABVE 2025 fechou com 223 mil 912 veículos leves eletrificados vendidos, alta de 26% com relação a 2024, e participação de 9% nas vendas totais de veículos leves, chegando a 13% em dezembro. Para nós, da Aliança, o ritmo é forte, mas ainda há um grande caminho para que a mobilidade limpa deixe de ser exceção e vire padrão, principalmente fora dos grandes centros. Para democratizar o acesso a própria atuação da Aliança aponta alguns caminhos concretos: focar em quem roda mais, como motoristas parceiros e motociclistas parceiros da 99. A criação de categorias como a 99electric-Pro mostram que, com o modelo certo, motoristas podem ganhar até 60% mais por viagem e reduzir custos mensais de combustível para algo de R$ 600 a R$ 900, contra até R$ 3 mil em veículos a combustão. Outros pontos seriam destravar infraestrutura de recarga, oferecer modelos de financiamento e locação sob medida para veículos elétricos e políticas públicas integradas. No Brasil a Aliança se coloca como parceira técnica de governos para compartilhar dados, apoiar o planejamento de recarga e discutir incentivos focados em frotas de alta quilometragem e em regiões periféricas, onde a mobilidade mais impacta renda e acesso.

As comunicações da Aliança enfatizam muito a eletrificação. Não está dentro do escopo incentivar combustíveis renováveis, como o etanol, com a eletrificação?

A Aliança foi desenhada com foco em eletromobilidade: veículos elétricos e eletrificados, infraestrutura de recarga, financiamento e soluções digitais ligadas a esse ecossistema.  Isso não significa, porém, que outras rotas de descarbonização, como o etanol, não sejam relevantes. Ao contrário o próprio contexto brasileiro mostra que combinar eletrificação com biocombustíveis pode ser extremamente eficiente. Na prática a Aliança escolheu focar onde consegue gerar impacto mais direto e imediato: a eletrificação da frota ligada à 99 e aos seus parceiros. No entanto dados do programa 99Abastece, que oferece descontos que podem chegar a R$ 1 mil por mês, diretamente no app, sem burocracia, mostram que 75% dos abastecimentos são com etanol, então os descontos para esses motoristas são maiores. A eletrificação e os combustíveis renováveis não são opostos, mas complementares. A Aliança atua na frente elétrica mas reconhece que o Brasil tem uma vantagem competitiva relevante em etanol, o que abre espaço para soluções combinadas no futuro.

E outras tecnologias sustentáveis?

A eletrificação é o ponto de partida da Aliança mas não o ponto final. O desenho das metas até 2030 já traz uma visão de mobilidade sustentável mais ampla, que combina diferentes modais, tecnologias de energia, dados e modelos de negócio para reduzir emissões e tornar o transporte urbano mais acessível para motoristas parceiros e para a população. A coalizão também apoia modelos inovadores como battery swap para motos elétricas, hubs de recarga rápida, micromobilidade elétrica, como bikes e patinetes, e soluções de gestão de energia para frotas. Além da Aliança atuar como aceleradora há outras camadas tecnológicas relevantes para uma mobilidade mais sustentável, nas quais a 99 e parceiros já atuam e nas quais a coalizão se ancora.

Fonte: AutoData

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