Por Soraia Abreu Pedrozo
Embora o Banco Central, tenha decidido pela manutenção da Selic em 15% ao ano pela sexta reunião consecutiva do Copom – o que já se estende por oito meses, desde 18 de junho –, na reunião da quarta-feira, 28, foi indicado que existe a intenção de iniciar processo de redução a partir do próximo encontro, em 18 de março. O patamar da taxa básica de juros é o maior desde julho de 2006, quando a Selic chegou a 15,25% ao ano, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Neste cenário Ricardo Balistiero, professor do núcleo de negócios do IMT, Instituto Mauá de Tecnologia, entende que ainda demandará um tempo para que os reflexos sejam sentidos na ponta, embora a sinalização seja positiva. Geralmente o ciclo que intermedeia a redução da Selic e a melhora nos juros nos bancos se estende por cerca de seis meses.
“Efeitos práticos deverão ser vistos só em setembro. Não acredito que este movimento será um motor de alavancagem de vendas do setor automotivo.”
E como a queda aguardada para este ano não é substancial, considerando a projeção do Boletim Focus de chegar em dezembro a 12,25% ao ano, do ponto de vista do crédito deverá alterar pouco, avaliou o professor: “Melhora efetiva nas taxas ficará para 2027, se a inflação se comportar e se a Selic continuar trajetória de redução, entrando na faixa de um dígito. Para 2026 não vejo grandes alterações”.
Hoje a projeção do Focus, no entanto, é de que os juros básicos da economia chegarão ao fim de 2027 em 10,5% ao ano, ou seja, ainda em dois dígitos.
Custo do crédito só deve baixar por ação dos próprios bancos
Sílvio Paixão, professor da Fipecafi e do Pecege, concorda que a perspectiva de queda dos juros na próxima reunião do Copom não é um fator de alteração do custo do crédito, seja para veículos 0 KM ou usados, ao afirmar que a Selic é a taxa base para o risco-governo e que uma redução efetiva dependerá mais de medidas dos próprios bancos para mitigar seu risco.
Um dos pontos elencados que ele elenca para baixar na ponta o preço do crédito é a intenção das instituições financeiras de “comprar mercado” de financiamento de veículos, praticando uma taxa mais competitiva.
“O que também pode movimentar o setor é a mudança do perfil da carteira de crédito, buscando financiamentos com garantia de bens”, citou. “A alteração nas condições regulatórias do lado financiado, leia-se prazos mais elásticos, e do lado das instituições financeiras, carteiras de financiamento de veículos com exigências menos severas para a constituição de reservas para perdas, por exemplo, devem ajudar.”
O que disse o Banco Central?
Em nota o BC justificou que a situação atual marcada por elevada incerteza exige cautela na condução da política monetária: “O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. O que exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.
Com relação ao cenário doméstico apontou que o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.
Como a inflação encerrada em 2025, de 4,26%, ainda está acima do centro da meta, de 3%, mesmo que mostrando sinais de arrefecimento – em 2024 era 4,83%, o Copom espera poder começar o processo de redução para chegar ao fim do ano em 12,25%.
Fonte: AutoData


































