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Controle da inflação e bom mercado de trabalho reduzem inadimplência em SP

Cidade começa o ano com estabilidade nos índices de contas a pagar e compromissos em atraso, mas sem perspectiva de melhoria estrutural

29/01/2026

As famílias paulistanas entraram em 2026 menos pressionadas. O endividamento e a inadimplência na cidade, analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apresentaram estabilidade técnica dos lares em relação a dezembro, atingindo, em janeiro, 68,9% e 19,9%, respectivamente. No mês anterior, os índices eram de 69% e 20%.

De acordo com a Pesquisa do Endividamento e da Inadimplência (PEIC), realizada mensalmente pela Entidade, na comparação com o primeiro mês de 2024, o número de famílias com algum tipo de dívida cresceu de 1,7 ponto porcentual (p.p.), quando o índice era de 67,2%. Já a inadimplência manteve-se praticamente estável em comparação com o mesmo período do ano passado, quando atingia 19,6% das famílias.

Em números absolutos, mais de 3 milhões de famílias estão endividadas em São Paulo, das quais cerca de 892 mil com contas em atraso.

[GRÁFICO 1]
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
12 meses
Fonte: FecomercioSP

Na avaliação da FecomercioSP, a desaceleração da inflação e o mercado de trabalho aquecido têm contribuído para um maior controle das contas. Contudo, embora haja um porcentual menor de famílias inadimplentes em relação a 2025, observa-se uma piora relativa no perfil daquelas com compromissos em atraso, o que pode fazer com que a inadimplência não recue de maneira expressiva nos próximos meses.

Segundo o estudo, o tempo médio de atraso no pagamento aumentou em janeiro, passando para 64 dias, ante os 62,6 dias registrados em dezembro. Em comparação com janeiro do ano passado, porém, esse indicador permaneceu no mesmo nível.

A parcela de lares que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso também se manteve estável (8,8%). Em dezembro, o porcentual havia sido de 8,6%, patamar também praticamente idêntico ao de janeiro de 2025 (8,7%).

Perfil econômico
A pesquisa da FecomercioSP também avaliou o comportamento do endividamento e da inadimplência por faixa de renda. Quanto ao endividamento, o estudo mostrou movimentos distintos entre as famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos e aquelas que recebem abaixo desse patamar.

Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, houve recuo do endividamento na comparação mensal: de 73,2% para 72,8%. Já no grupo com renda superior a esse valor, observou-se leve aceleração, com o índice passando de 57% para 57,6%. Na comparação com janeiro de 2024, contudo, ambos os grupos apresentaram alta — há um ano, os porcentuais eram de 71,4% e 54,9%, respectivamente.

Entre os inadimplentes com renda de até dez salários mínimos, não houve alteração porcentual. Já entre aqueles que recebem acima desse patamar, o índice recuou de 8,8% para 8,4%.

Cartão de crédito ainda concentra maior parte das dívidas
Mais da metade das famílias endividadas na capital paulista (79,8%) tem no cartão de crédito o principal volume de compromissos. O porcentual, porém, diminuiu em relação a dezembro (80,6%) e também na comparação com janeiro do ano passado, quando atingia 83,1%.

O financiamento imobiliário (16,8%) aparece como o segundo maior grupo de dívidas, com o índice se aproximando do recorde da série histórica (16,9%). Na sequência, estão os carnês (12,8%).

Referente ao tempo médio de comprometimento das dívidas, o período permaneceu em sete meses, igual a dezembro, e abaixo dos 7,6 meses registrados em janeiro do ano passado. A parcela média da renda comprometida com dívidas, por sua vez, ficou tecnicamente estável — 27,5% frente a 27,4% em dezembro.

Na avaliação sobre meios de pagamento, o PIX segue avançando entre os consumidores e vem sendo considerado a opção mais vantajosa para pagamento. Em janeiro, a modalidade atingiu novo recorde, apontada por 29,9% dos entrevistados. O cartão de crédito parcelado ficou em segundo lugar, com 24,7%.

Intenção de crédito recua
Outra tendência revelada pela pesquisa é a queda na intenção de contratar crédito ou financiamento nos próximos três meses. O porcentual recuou de 11,4% para 10,6% dos entrevistados. Segundo a FecomercioSP, esse movimento pode ser reflexo da ressaca após a Black Friday e o Natal, período em que as famílias tendem a evitar novos compromissos financeiros para aliviar o orçamento.

Dentre os que manifestaram intenção de tomar crédito, 83,5% afirmaram que utilizariam os recursos para consumo, enquanto 11,9% indicaram o pagamento de dívidas como principal finalidade.

Nota metodológica
PEIC
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela FecomercioSP desde fevereiro de 2004. São entrevistados aproximadamente 2,2 mil consumidores na capital paulista. Em 2010, houve uma reestruturação do questionário para compor a pesquisa nacional da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e, por isso, a atual série deve ser comparada a partir de 2010.O objetivo da PEIC é diagnosticar os níveis tanto de endividamento quanto de inadimplência do consumidor. O endividamento é quando a família possui alguma dívida. Inadimplência é quando a dívida está em atraso. A pesquisa permite o acompanhamento dos principais tipos de dívida, do nível de comprometimento do comprador com as despesas e da percepção deste em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos, além de ter o detalhamento das informações por faixa de renda de dois grupos: renda inferior e acima dos dez salários mínimos.

Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

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