“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Popularização da blindagem leva indústria a registrar recordes

É o caso de empresas como a Avallon Blindagens, que conquistou três novos contratos e planeja ampliar seu fluxo de produção de 120 para 200 veículos em três anos

29/01/2026

Por Soraia Abreu Pedrozo

Foi-se o tempo em que ter carro blindado era privilégio restrito às classes com renda mais elevada e, consequentemente, aos veículos de luxo. Diante do aumento da violência urbana consumidores de carros de categorias inferiores têm encontrado uma forma de alocar na blindagem parte de sua receita ao adquirir um veículo 0 KM. E, frente a este movimento, que se demonstra crescente, a indústria vem se preparando.

AAvallon Blindagens, sediada em Barueri, SP, vive franco momento de expansão. Blindadora certificada da Toyota há seis anos, e da BYD desde 2024, recentemente conquistou mais três contratos: em dezembro fechou com a Lexus, para atender a dois modelos, neste mês com uma entrante chinesa, ainda anônima por causa do contrato e, ainda no primeiro trimestre, passará a oferecer o serviço ratificado também para uma montadora local, com cinco modelos.

“Hoje blindamos uma média de 120 veículos por mês. Com estes três novos contratos a expectativa é adicionarmos volume de 25 a trinta carros”, assinalou Thomas Yamada, diretor de desenvolvimento da Avallon durante visita de Agência AutoData às instalações da empresa na Região Metropolitana de São Paulo. 

A fábrica comporta até duzentos veículos por mês, capacidade que foi ampliada após investimentos de R$ 20 milhões, realizados desde 2021, e que contemplaram também a modernização, a aquisição e construção de espaço para receber os veículos, além da reaquisição de galpão.

Yamada estimou que, no ritmo em que a demanda vem crescendo, o volume de duzentos carros por mês será alcançado até 2028. No ano passado a empresa bateu recorde de blindagem de carros, com 1,4 mil unidades, maior volume em 23 anos de atividade, o que representou acréscimo de 12% com relação a 2024. Para 2026 a projeção é ampliar o número em 16%, para 1,6 mil veículos.

Thomas Yamada, diretor de desenvolvimento da Avallon Blindagens, disse que a empresa tem recursos à disposição para ampliar a produção conforme a demanda aumentar. Foto: Soraia Abreu Pedrozo.

A ampliação não só da atividade da empresa mas da demanda por este tipo de serviço no Brasil, na visão do executivo, é calcada na mudança do perfil do cliente que busca por ele: “Dez anos atrás o público de veículo blindado era muito elitizado, restrito a carros acima de R$ 600 mil. Hoje, veículos de menos de R$ 200 mil são blindados. O que também tem sido impulsionado pelo aumento da criminalidade e da insegurança pública, em meio ao cenário de instabilidade política e econômica”.

Na Avallon cerca de quarenta das 120 blindagens por mês são certificadas para veículos Toyota, majoritariamente Corolla Cross, que tem preços de R$ 189 mil a R$ 222 mil. Agora, com o novo contrato com a Lexus, o executivo espera que a Toyota reveja a blindagem certificada que oferece para seus modelos e inclua, também, o Yaris Cross, cuja produção já foi iniciada em Sorocaba, SP. O veículo tem preços de R$ 161,4 mil a R$ 189,9 mil.

“Hoje usamos 60% da capacidade de nossa fábrica e, embora ainda não tenhamos um valor definidos com relação aos novos investimentos, dispomos de recursos disponíveis para ampliar linhas, remanejar serviços e avançar em termos de produtividade conforme a demanda for aumentando.”

A Avallon, que hoje emprega 204 funcionários, sendo 115 na fábrica, pretende também reforçar o efetivo, o que, segundo o diretor, será desafiador pela dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para executar o trabalho, minucioso. Do total 24 são mulheres, parte delas alocadas na área de inspeção da qualidade devido ao melhor critério e olhar clínico.

Embora o diretor não divulgue o faturamento há a perspectiva de que seja incrementado de 10% a 15% este ano.

Linha de produção da fábrica em Barueri, SP, ainda tem 40% de capacidade sem uso para dar conta do projetado aumento da demanda. Foto: Soraia Abreu Pedrozo

Nunca houve tantos veículos blindados no Brasil

O número de veículos blindados quase triplicou em uma década, ao saltar de 15 mil por ano em 2015 para 42,8 mil em 2025: “A prática nasceu no Iraque mas foi ganhando cada vez mais adeptos em países como México e Brasil, por causa da violência urbana, tanto que hoje o País é o principal mercado do mundo para o setor”.

De acordo com dados da Abrablin, Associação Brasileira de Blindagem, os 42,8 mil veículos representam acréscimo de 24,6% com relação a 2024, que somou 34,4 mil unidades. Foi o maior registro na série histórica da entidade, que realiza o levantamento desde 1995.

Este mercado movimentou R$ 3,5 bilhões no ano passado, e a expectativa é que o volume cresça 16% em 2026. Existem cerca de 150 empresas no ramo, 85% delas na Região Metropolitana da Grande São Paulo. Embora a Abrablin não disponha de um ranking Yamada estima que a Avallon seja a terceira ou a quarta maior do setor.

Fonte: AutoData

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