As montadoras de veículos instaladas no país já se articulam para evitar uma eventual prorrogação dos incentivos para importação de peças de veículos que desembarcam por aqui para abastecer as linhas de montagem CKD e SKD, processo de produção praticado por BYD e GWM e prometido por outras tantas, como a Leapmotor.
Em julho do ano passado, o governo federal zerou a alíquota do imposto de importação que incide sobre essas peças por um prazo de seis meses. Prazo esse que vence justamente agora em janeiro.
Se naquela ocasião as duas montadoras chinesas pleitearam a isenção, inclusive por mais tempo do que o concedido por Brasília (DF), de maneira formal no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), desta vez um pedido de prorrogação não precisaria necessariamente passar por ritos legislativos dentro do poder.
E é exatamente esse o temor das montadoras representadas pela Anfavea. Tanto que em sua primeira coletiva de resultados do ano, realizada no início da segunda quinzena, a entidade demonstrou antecipação a tais movimentos em torno do tema – ainda que o seu presidente, Igor Calvet, tenha afirmado que, por ora, não há nada oficial a respeito da manutenção dos incentivos para além do prazo.
Anfavea tem apoio da indústria e do Sindipeças
A entidade, então, não apenas publicou uma carta na qual defende a interrupção dos incentivos como também divulgou manifestações de apoio de diversas entidades que orbitam em torno da indústria automotiva, como é o caso de federações da indústria de diversos estados, e o Sindipeças, sindicato que representa os fabricantes locais de componentes.
Também divulgou um levantamento, criado a partir de dados próprios, a respeito das perdas que o setor poderia ter se as fábricas locais abrissem mão da produção local completa (com processos de estamparia e pintura, além da montagem final) para apostar na montagem por meio de kits de peças importadas.
O cenário hipotético indica perdas da ordem de R$ 129 bilhões na indústria, dos quais R$ 103 bilhões seriam em redução das compras de peças de fornecedores locais e R$ 26 bilhões em perda de arrecadação fiscal. A redução dos postos de trabalho, nesse cenário projetado, chegaria a 69 mil vagas diretas em toda a cadeia.
Apesar do discurso firme, a Anfavea não se mostra totalmente como antagonista a um método de produção que nos últimos anos cresceu no país e tende a aumentar, considerando a quantidade de montadoras novatas que prometeram produção local, como é o caso de Omoda Jaecoo, Geely e Leapmotor, para citar os exemplos mais recentes.
CKD apenas para produção de baixo volume
“Acreditamos que a montagem por meio de kits é necessária e estratégica para modelos de nicho, de baixo volume, para empresas que estão começando. O que nós não defendemos é que esse método de produção seja incentivado no país para produzir em alto volume”, disse Calvet na quinta-feira, 15.
O presidente, no entanto, não deixou claro se a entidade eventualmente defenderia a manutenção do incentivo para essas empresas que pretendem iniciar suas caminhadas no país com produção baixa.
O que está claro, por outro lado, é que o movimento tem alvo montadoras que almejam volumes maiores, como é o caso de BYD e GWM, ainda que tenham prometido aumentar o conteúdo nacional em seus veículos Made in Brazil paulatinamente.
Fosse um jogo de xadrez, as montadoras locais já teriam em mente os possíveis movimentos das peças rivais, organizando, portanto, possibilidades de ataque e defesa. Resta saber se o outro lado também armou o seu contra jogo analisando os movimentos antecipados da Anfavea e apoiadores. Veremos em fevereiro quem estará em xeque.
Fonte: Automotive Business


































