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Acrilys cresce com produção e nacionalização de componentes plásticos

Fabricante de peças para ônibus, caminhões e máquinas agrícolas amplia faturamento em meio à queda do mercado de veículos pesados

15/12/2025

Por Pedro Kutney

Caxias do Sul, RS – O empresário Solivan Pescador é do tipo que faz seu negócio progredir sob o atento olhar do dono, com conhecimento empírico que aprendeu com muita curiosidade e mais de quatro décadas de experiência na produção de peças acrílicas e plásticas. Sócio-fundador da Acrilys ao lado da esposa, Lúcia, Pescador caminha pelos corredores da fábrica matriz do grupo na Serra Gaúcha, em Caxias do Sul, RS, para mostrar uma das principais forças de sua empresa, apontando para uma fila de dezenas de ferramentas prontas para um de seus clientes, a fabricante de máquinas agrícolas John Deere:

“Aqui produzimos todas as matrizes e moldes que nossos clientes precisam para produzir suas peças plásticas. Fazemos ferramentas de até 60 toneladas”.

É com esta operação vertical que a Acrilys vem crescendo ano-a-ano como fornecedor de peças plásticas para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, inclusive em momentos de queda das vendas de alguns dos principais clientes, como é o caso deste ano.

O faturamento de 2025, projetado em R$ 125 milhões, deverá crescer quase 16% sobre 2024, quando as receitas somaram R$ 108 milhões, já com expansão de 7% na comparação com 2023.

Matriz e fábrica da Acrilys em Caxias do Sul: ferramentaria e peças de plástico injetado
Fábrica de Lajeado Grande: laminação de chapas plásticas, peças termoformadas a vácuo e acabamento robotizado com jato d’água

Com 380 empregados e quatro unidades industriais a Acrilys trabalha em um, dois e até três turnos, a depender do setor. A capacidade de produção atual de quase 7 mil toneladas de peças plásticas/ano pode ser dobrada caso seja necessário.

Negócio em ampliação

“A nacionalização de peças por alguns clientes está ampliando nossas receitas este ano”, confirma o CEO Álvaro Brezolin, contratado pelos controladores há pouco mais de um ano para profissionalizar a gestão e para diversificar os negócios. “Está no DNA da Acrilys sempre atender à demanda do cliente.”

Recentemente a Acrilys entrou em novos ramos com a produção de mobiliário plástico [mesas e cadeiras], malas rígidas de viagem e soluções para logística e armazenagem, como grandes caixas para colheita de frutas e pallets especiais para estocagem de garrafas de vinho: “O objetivo é ampliar as fontes de receita sem abandonar nossa especialidade de fornecer peças plásticas para a indústria automotiva, ramo em que também queremos continuar a crescer”.

Os sócios-fundadores da Acrilys, Solivan e Lúcia Pescador, ao lado do CEO Álvaro Brezolin: profissionalização da gestão e ampliação de áreas de negócios

Um dos exemplos mais recentes de novos fornecimentos gerados por demanda de nacionalização veio da John Deere, que está substituindo importações, especialmente as provenientes da China. Uma das peças nacionalizadas é o teto plástico do trator, antes fornecido em material já colorido, de alto custo. A Acrilys formulou solução mais barata: produz o plástico laminado e o molde, executa a termomoldagem da peça a vácuo, faz o acabamento e a pintura, tudo dentro de seu complexo industrial, tanto na fábrica matriz de Caxias do Sul como na unidade de Lajeado Grande, em São Francisco de Paula, distante cerca de 50 quilômetros.

Lúcia Pescador, que iniciou o negócio com o marido Solivan há 43 anos e hoje é presidente do conselho consultivo da Acrilys, lembra que a empresa começou a crescer exatamente como faz agora: “As necessidades dos clientes foram abrindo portas e nós fomos aproveitando as oportunidades que aparecem”.

Entrada no setor automotivo

A empresa, que nasceu fazendo peças acrílicas como boxes de banheiro, estantes para lojas e letreiros luminosos passou a ser fornecedora de peças para a indústria automotiva aproveitando uma dessas oportunidades. Em 1992 a Marcopolo procurou a Acrilys porque precisava substituir por plástico todas as grandes peças das carrocerias de seus ônibus que eram feitas de fibra de vidro, material poluente e difícil de trabalhar com alta produção.

O proativo Solivan, que começou a empreender aos 10 anos vendendo picolés e, mais tarde, reformando e alugando bicicletas, lembra bem do episódio: “Em um dia levei a solução a eles, um protótipo de massa plástica pintada. Eles precisavam de vinte por semana e nos fizeram comprar uma empresa de peças plásticas injetadas que estava em dificuldades. Compramos e começamos a fornecer. Isto ajudou a criar o império que a Marcopolo é hoje, pois multiplicou por dez a produtividade deles. A [divisão de micro-ônibus] Volare já nasceu só usando plástico”.

Esta parceria foi tão longe que, de 2013 a 2023, as duas empresas foram sócias na Apolo, junção dos nomes Acrilys e Marcopolo na joint venture que operava dentro da fábrica da primeira, criada para produzir e fornecer peças plásticas para os ônibus da segunda.

O setor de transporte coletivo continua a garantir a maior parte das receitas da Acrilys, quase 40%, com as compras de encarroçadores de ônibus como Marcopolo, Caio, Busscar, Mascarello e Comil, que encomendam grande parte das peças plásticas e acrílicas, como lanternas, emblemas das marcas e até as pequenas lixeiras dos veículos.

Em seguida, respondendo por 28% do faturamento, vem o agronegócio com fornecimento de partes plásticas para os fabricantes de máquinas como John Deere, AGCO, Stara e Jacto.

Já os fabricantes de caminhões representam 17% dos negócios. Eles compram itens como lanternas, revestimentos internos e grades dianteiras, tendo a Mercedes-Benz como maior cliente do segmento, seguida com pequenas participações por DAF e Agrale.

Os clientes de varejo, compradores de mobiliário e contentores logísticos, têm participação de quase 10% nas receitas, mas a intenção, segundo Brezolin, é aumentar esta parcela para 50% nos próximos anos, com crescimento orgânico no segmento e sem redução de faturamento dos clientes industriais.

Dos 31 principais clientes da Acrilys 23 são do setor automotivo, incluindo fabricantes de autopeças, carrocerias de ônibus, caminhões e máquinas agrícolas e de construção. Do faturamento das peças produzidas no Rio Grande do Sul 88,3% vão direto às linhas de produção destas empresas e 11,7% são fornecidos ao mercado de reposição.

A Acrilys também está presente em dez países e, hoje, 12% das receitas são geradas com exportações de peças para a indústria. O objetivo é crescer também nos mercados externos e aumentar este porcentual para 20% nos próximos anos, com foco não só no fornecimento direto à indústria mas, também, para o aftermarket e produtos de marca própria, como mobiliário e contentores.

Investimento em verticalização

A fórmula encontrada por uma empresa familiar como a Acrilys para se manter competitiva em um mercado cada vez mais dominado por produtos chineses de baixo custo é o investimento constante em produtividade e em novas máquinas – muitas delas, agora, vêm da China. Nos últimos dois anos foram investidos R$ 16 milhões em novos equipamentos.

Outro fator de sucesso é o controle de todo o processo produtivo, algo que os fundadores Solivan e Lúcia sempre fizeram questão de manter, afirma a filha Joana Pescador, gerente comercial da Acrilys: “Eles vêm todos os dias à fábrica, sempre discutem projetos e melhorias”.

A equipe de engenharia de onze pessoas pesquisa materiais, executa adaptações de projetos dos clientes com foco em melhorar a produtividade e reduzir custos, além de desenvolver ferramentas e todos os moldes utilizados na produção de peças plásticas injetadas ou termoformadas a vácuo – processo conhecido na indústria como vacuum forming.

A empresa domina o ciclo de produção completo. Na linha de produção por injeção de plástico, incorporada à unidade matriz de Caxias do Sul, injetoras de até 2,8 mil toneladas têm capacidade para produzir até 480 toneladas de peças plásticas por mês. Também estão instalados no mesmo endereço laboratórios de auditoria e cabines de pintura para alguns dos componentes, com planos de robotizar a área.

Na planta de Lajeado Grande, inaugurada em 2023 para desafogar a matriz, são produzidas as peças maiores e também o principal insumo da Acrilys: chapas laminadas de plástico que são a base dos componentes termoformados a vácuo. As máquinas laminadoras instaladas podem produzir até 550 toneladas por mês de chapas plásticas com espessuras de 1,5 a 15 milímetros, com até 2 m 60 de largura.

As máquinas de termoformagem a vácuo produzem grandes peças de até 2,9 x 2,9 metros e o acabamento é feito por células robotizadas de corte a água em alta pressão. Alguns dos principais componentes fabricados na unidade, por exemplo, são os tetos dos tratores John Deere e todo o revestimento interno de plástico das vans Sprinter da Mercedes-Benz, que vão direto para a linha de montagem da montadora na Argentina.

Fonte: AutoData

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