Por George Guimarães
Os seguidos esforços de algumas fabricantes em lançamentos e de empresas de energia para aumentarem a infraestrutura de recarregamento de veículos elétricos parecem ainda insuficientes para fazer brilhar os olhos dos consumidores e levá-los às concessionárias em busca da mobilidade totalmente elétrica.
A rigor, o mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves movidos exclusivamente a bateria estagnou ou recuou este ano para a quase totalidade das marcas que têm algum modelo com a tecnologia.
O crescimento médio de 5% dos emplacamentos, para 37,3 mil unidades, acompanhou o mercado total — depois de saltarem 225% de 2023 para 2024 —, mas ainda assim essencialmente em função de uma única empresa, a BYD, que carrega o segmento “nas costas”.
Em números absolutos, elétricos tiveram somente 1,8 mil emplacamentos a mais até julho, enquanto a marca chinesa — ainda importadora — vendeu 28,8 mil unidades, 3,1 mil acima do registrado nos primeiros sete meses de 2024, evolução de 12%.
Com esse desempenho, a BYD não só manteve uma longa distância para a segunda colocada, como ampliou sua participação de 72% registrada nos primeiros sete meses de 2024 para 77% em 2025.
Na prática, de cada dez elétricos vendidos no Brasil, oito pertencem à montadora que ainda está em regime de produção de protótipos em Camaçari, BA, e quatro deles são unidades do Dolphin Mini, modelo de entrada da marca.

A segunda empresa que mais vende elétricos no mercado interno é a Volvo. Mas bem lá atrás, com pouco mais de 2,9 mil unidades de janeiro a julho, ainda assim à frente da GWM (1,6 mil).
Do restante das 15 marcas à frente do mercado de elétricos, segundo a Fenabrave, nenhuma outra superou ainda 1 mil unidades este ano. A Renault, com 870 licenciamentos, foi a que mais se aproximou.
O levantamento da entidade sublinha também que as políticas comerciais para o segmento, em muitos casos, carecem de regularidade e estão atreladas muito mais a oportunidades, como um lançamento.
Tanto que nomes fortes de 2024, como Ford e Peugeot, a sétima marca mais vendida então, não aparecem mais no ranking deste ano, que tem a GM na última colocação, com apenas 71 unidades vendidas, média de dez emplacamentos por mês para uma rede de centenas de concessionárias.
Não se trata de exceção. Igualmente a Volkswagen, com somente 84 emplacamentos, mostra que os elétricos ainda não aparecem na lista de prioridades das marcas generalistas que se dispõem a vendê-los aqui.
De fato, seria investir muita brasa para pouca sardinha. Os automóveis e comerciais leves a bateria representaram somente 2,6% do mercado total até julho, 0,1 ponto porcentual a menos do que nos primeiros sete meses do ano passado. Na mesma comparação, os híbridos provam que são a bola da vez do processo de eletrificação da frota brasileira.

Os veículos dotados de diferentes tecnologias que envolvam motores a combustão e elétricos, alguns apenas como suporte, aumentaram as vendas em 72% na mesma comparação, para 100,5 mil licenciamentos, e quase dobraram a participação, de 4,5% para 7,4%.
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O atual e cenário próximo para as empresas que têm investido para ampliar as vendas de VEs parecem ainda mais desafiadores quando se leva em conta a chegada de novas concorrentes e o que está por vir logo mais à frente.
No acumulado deste ano, já aparecem, entre as 15 marcas com mais licenciamentos, GAC e Omoda & Jaecco, que iniciaram suas operações comerciais somente no primeiro semestre de 2025.
No mês passado, a Geely abriu as portas da primeira das 23 concessionarias que terá no País em uma primeira etapa para vender o elétrico EX5 e antes do fim do ano, por meio da Stellantis, a Leapmotor também estará nessa briga que, ao menos por enquanto, não tem concorrente para a BYD.
Fonte: AutoIndústria – Foto: Divulgação