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Confluência entre queda de vendas e compras mostra que varejo de autopeças está se modernizando

Novas ferramentas de gestão de estoque permitem ao varejo responder com eficiência às oscilações de vendas

20/08/2025

Por Lucas Torres

Ao recomendar boas práticas diante do cenário desafiador enfentado pelo varejo de autopeças, o líder do Sincopeças-SP, Heber Carvalho, chamou atenção para a importância cada vez maior de manter estoques precisos e dotados de controles ainda mais rigorosos. Neste sentido, ele destacou que o fato do mercado oferecer sistemas de gestão mais modernos facilita a atualização dos dados em tempo real – de modo que é imprescindível que as empresas invistam nessas ferramentas.

Apesar do alerta ser fundamental, é importante dizer que os números da MAPA indicam que o setor se encontra em um excelente grau de preparação para alinhar seus estoques ao volume de demanda.

Basta ver que o volume de compras não apenas tem acompanhado a movimentação das vendas durante as oito semanas consecutivas, como também, reagiu elevando seu patamar no pequeno hiato de alta na semana do dia 18 de julho, voltando a diminuí-lo na semana subsequente, quando a demanda do consumidor retornou ao viés de queda.

Essa correlação direta entre os movimentos de venda e de compra no varejo de autopeças indica não apenas atenção do varejo, mas também a crescente sofisticação das ferramentas utilizadas para a tomada de decisão. O uso de sistemas integrados de gestão de estoques, conectados com dados de vendas em tempo real, tem permitido que lojistas ajustem rapidamente seus pedidos junto aos fornecedores — reduzindo o risco de excessos, perdas por obsolescência ou rupturas em períodos de maior giro.

Não à toa, a digitalização da cadeia de suprimentos tem sido apontada como uma das principais armas do varejo moderno. Segundo levantamento da McKinsey, empresas que adotam soluções tecnológicas capazes de oferecer visibilidade de ponta a ponta em sua operação conseguem ganhos expressivos de eficiência e competitividade. Entre os principais ganhos obtidos estão:

–           redução de 20% a 30% nos custos operacionais;

–           melhoria de 10% a 20% no atendimento ao cliente;

–           diminuição de 50% no tempo de ciclo do supply chain

Mesmo com os benefícios comprovados e a disponibilidade cada vez maior de ferramentas, o mesmo estudo alerta que apenas 13% das companhias brasileiras de fato extraem o valor total dessas ferramentas — o que indica um campo fértil para evolução mesmo entre os negócios mais estruturados.

No caso do varejo de autopeças, que opera com uma gama ampla de SKUs, margens pressionadas e um consumidor cada vez mais criterioso, esse tipo de agilidade e inteligência na reposição pode fazer toda a diferença. Especialmente em um contexto de desaceleração como o atual, em que decisões erradas no abastecimento podem representar prejuízo dobrado: capital imobilizado e baixa conversão.

Por isso, ao mesmo tempo em que reconhece o bom desempenho recente de adequação do setor, a recomendação dos especialistas segue válida: investir em tecnologia, aprimorar os processos de controle e capacitar as equipes para interpretar os dados disponíveis é o caminho mais seguro para atravessar um cenário instável com o menor impacto possível e sair dele ainda mais preparado para crescer.

5 dicas para a gestão de estoque

1. Conheça bem o seu cliente

Entender o perfil do consumidor, incluindo renda, localização e hábitos, permite abastecer a loja com mais precisão, reduzindo sobras e maximizando vendas. Cada região pode demandar produtos distintos, e o estoque precisa refletir essas particularidades.

2. Analise o desempenho dos produtos diariamente

No varejo, tudo muda rápido. Um item campeão de vendas hoje pode encalhar amanhã. Monitorar o giro e a cobertura dos produtos diariamente permite reposições ágeis e remarcações preventivas, evitando prejuízos e otimizando o serviço ao cliente.

3. Não se apegue emocionalmente ao estoque

Estoque parado é capital imobilizado. Mesmo que seja doloroso, é melhor vender com margem reduzida do que acumular produtos antigos e perder espaço para novidades. Oxigenar a loja com frequência é vital para manter o giro e a atratividade.

4. O que se compra deve ser exposto

Comprar mais do que cabe na loja é um erro comum. Um mix bem planejado, baseado em dados e capacidade de exposição, evita acúmulo no depósito e excesso nas prateleiras, que confunde o consumidor e prejudica a experiência de compra.

5. Tenha fornecedores parceiros, não só baratos

Preço não é tudo. Entrega no prazo, qualidade e comprometimento com o negócio também importam. Avalie fornecedores com critério e valorize os que agregam valor real à operação, indo além de meros descontos pontuais.

Fonte: Novo Varejo

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