Precisou o governo reduzir o tempo de alíquota diferenciada de IPI para CKD e SKD, e a GWM inaugurar sua fábrica com um pequeno parque de fornecedores para a BYD se mexer. A montadora chinesa prometeu chegar a 50% de nacionalização de seus carros montados no Brasil, só que em 2027.
A meta de conteúdo local foi revelada durante um webinar realizado nesta terça, 19, entre a BYD e associados da Abipeças e do Sindipeças, entidades que reúnem fabricantes de autopeças.
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Segundo a montadora, o evento, feito de forma online, teve como objetivo selecionar fornecedores brasileiros para desenvolver uma cadeia regional de suprimentos para a fábrica de Camaçari (BA).
Ao todo participaram do seminário remoto cerca de 300 associados, conforme informações da montadora. Também estiveram no encontro Cláudio Sahad, presidente da Abipeças e do Sindipeças, Tyler Li, presidente da BYD Brasil, e Alexandre Baldy, VP da BYD Auto Brasil.
Apesar do alarde, nenhum fornecedor foi confirmado. A planta de Camaçari foi inaugurada em julho, mas a promessa do início de montagem de carros em CKD ficou para setembro.
Fábrica cercada de polêmica, mistério e incertezas
Detalhe que a BYD iniciou as negociações para compra da unidade, que era da Ford, em 2022, e concluiu a compra da planta em meados de 2023. Mas a empresa dá a entender que só agora começou a buscar fornecedores locais.
Nesse meio tempo adiou por vezes a inauguração da fábrica, que teve episódios de trabalho análogo à escravidão. A BYD ainda prometeu ter um centro de pesquisa e desenvolvimento na Bahia.
A montadora também falou em oito carros montados na unidade baiana até 2026. Antes da “inauguração”, o sindicato local dos metalúrgicos alertou que a fábrica poderia ser apenas um mero centro de distribuição e montagem em CKD, ou mesmo SKD.
Ao mesmo tempo, a BYD solicitou ao governo que postergasse a política alíquotas reduzidas de IPI para peças desmontadas e semi desmontadas por 36 meses. Conseguiu até imposto zerado, porém só por seis meses.