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Uso da energia solar atrai pequenos negócios

Por Silvia Pimentel

O mercado de energia elétrica está em ebulição no Brasil. Novas regras já implementadas oferecem total liberdade aos consumidores para sair do sistema de tarifas das concessionárias e migrar para fornecedores que produzem energia solar, sem burocracia.

Seja pela redução de custos ou a preocupação em cumprir parte da agenda ESG, ou os dois, pequenos negócios como bares, restaurantes, padarias, dentre outros, cujas atividades dependem do uso intenso de refrigeração ou forno, têm optado pelo uso de energia solar, sem a necessidade de grandes investimentos na compra e instalação de placas solares.

Uma solução para os interessados no uso de energia sustentável, 100% renovável, mas que não têm como gerar sua própria energia a partir da luz do sol, é a possibilidade de aderir ao sistema de assinatura de energia solar. 

Nesse modelo, a energia é produzida em fazendas solares (como as da fornecedora LUZ, na foto que abre essa matéria) e injetada na rede de transmissão das concessionárias, chegando até o consumidor sem custos adicionais, por meio da geração distribuída (GD), compartilhada para clientes de baixa tensão.

Foi o que fez Rodrigo Luís Rocha, proprietário do restaurante Passadio, inaugurado há 19 anos na região central de Campinas, interior de São Paulo. Há três meses, o empresário optou pelo uso da energia solar e obtêm uma redução média de 12% no valor da conta de luz.

“Aderi ao sistema porque considero importante ter a liberdade para mudar de fornecedor. Não quero ficar nas mãos apenas da CPFL. A redução de custos veio como uma consequência”, explica.

Além de pagar uma fatura com valor menor de energia, Rodrigo aponta como vantagem a possibilidade de saber em tempo real o consumo de cada equipamento, como freezer, fritadeiras e lâmpadas.

Com essas informações, é possível ter uma noção do custo diário com esse insumo e avaliar, por exemplo, se vale a pena abrir o restaurante nos finais de semana.

Com um consumo mensal de energia entre R$ 1,5 mil a R$ 3,5 mil, a Hospedaria Elegance, localizada em Itanhaém, no litoral paulista, também trocou o sistema convencional pela assinatura de energia solar.

De acordo com a proprietária da pousada, Camylla Lima, que optou por um contrato de um ano de uso de energia solar por uma questão de sustentabilidade e redução de custos, a economia mensal na fatura chega 10% por mês.

“Reduzir custos é sempre bom para o comerciante, principalmente para nós que vivemos do turismo e passamos por alta e baixa temporada. Infelizmente, não são todos que têm essa consciência ambiental”, diz.

O MERCADO

De acordo com Rafael Maia, CEO da LUZ, fornecedora digital de energia elétrica que faz parte do Grupo Delta Energia, 80% dos pequenos varejistas no Brasil atuam em baixa tensão (consumo até R$ 10 mil/mês) e, portanto, podem usufruir dos benefícios da geração distribuída.

“A aceitação desse modelo tem sido mais alta do que esperávamos”, diz. Uma das razões para o aumento da procura é a possibilidade de conhecer o consumo em tempo real e por aparelhos por meio de medidor inteligente que usa recursos de Inteligência Artificial (IA).

No domicílio do consumidor, que pode ser uma casa, apartamento ou um pequeno negócio que use baixa tensão, são instalados medidores inteligentes no quadro de luz que, conectados ao wi-fi, transmitem ao APP da companhia dados de consumo em tempo real.  

Medidores inteligentes instalados no quadro de luz permitem ao cliente acompanhar, por meio de app, o consumo de energia em tempo real

Com essas informações, o consumidor tem condições de gerenciar seus gastos com energia elétrica em tempo real, sabendo em qual equipamento ou horário está ocorrendo a alta de consumo e, com isso, adotar medidas para o uso mais racional e reduzir ainda mais a fatura”, explica.  

A empresa possui atualmente cinco usinas solares e atua na geração distribuída para consumidores de baixa tensão do interior e litoral de São Paulo, Brasília e Mato Grosso do Sul.  

Na capital paulista, recentemente, o Grupo Alife Nino, rede de restaurantes que inclui marcas como Nino Cucina e Tatu Bola, fechou contrato com a Sun Mobi para suprimento de energia solar a 16 estabelecimentos da rede na capital paulista.

O fornecimento será feito pelas usinas fotovoltaicas da empresa, localizadas na grande São Paulo, em Caieiras, e no interior do Paraná, em Assaí e Palotina. Na cidade de São Paulo, a Sun Mobi tem 99 unidades de consumo, entre condomínios residenciais e pequenos negócios.

“Os pequenos empresários buscam por mais eficiência, rentabilidade, tecnologia e sustentabilidade. A energia solar por assinatura e boas práticas quanto ao uso correto da eletricidade são algumas soluções que ampliam a competitividade e a sustentabilidade nos pequenos negócios brasileiros”, diz o sócio-diretor da Sun Mobi, Guilherme Susteras.

ENERGIA LIVRE

Para as pequenas e médias empresas que estão no grupo A (Alta e Média Tensão) de consumo de energia elétrica, a novidade é a possibilidade de aderirem ao mercado livre de energia e mudar de fornecedor.

Com a migração, as empresas podem obter desconto permanente na fatura, que varia entre 30% e 40%. Mas é preciso estar atento aos prazos, pois o processo de adesão ao chamado Ambiente de Contratação Livre (ACL) requer seis meses de antecedência para a vigência do novo contrato.

Para migrar, o empreendedor precisa avisar à concessionária sobre seu interesse em mudar de fornecedor. Por lei, os clientes têm um prazo contratual com a concessionária que deve ser cumprido, especialmente em função da reserva de energia, que é feita com antecedência pela concessionária.

Por isso, as negociações já estão acontecendo e, a partir de 1º janeiro de 2024, as pequenas e médias empresas já começam a se beneficiar dos descontos, conforme determina a Portaria 50/2022 do Ministério de Minas e Energia (MME).

A medida possibilita a migração de cerca de 72 mil unidades consumidoras para o mercado livre de energia. Dentro deste perfil de consumidores do grupo A estão proprietários de comércios e empresas de médio e pequeno portes, como açougues, minimercados, lavanderias, salões de beleza e pequenas fábricas.

Fonte: Diário do Comércio – Imagem: LUZ/divulgação

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