IPCA-15 sobe 0,40% em dezembro e fecha ano em 4,72%, diz IBGE

Alta de 9,02% no preço das passagens aéreas deu a maior contribuição individual para o IPCA-15 do mês
IPCA-15 sobe 0,40% em dezembro e fecha ano em 4,72%, diz IBGE
Com o resultado, o IPCA-15 acumulou um aumento de 4,72% no ano de 2023. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

RIO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,40% em dezembro, após ter subido 0,33% em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 28.

O resultado ficou acima de todas as estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Estadão/Broadcast, que iam de 0,17% a 0,35%, com mediana positiva de 0,25%.

Com o resultado anunciado nesta segunda, o IPCA-15 acumulou um aumento de 4,72% no ano de 2023, pouco aquém do teto da meta, de 4,75%, também superando as expectativas. As projeções iam de avanço de 4,30% a 4,66%, com mediana de 4,56%.

Transporte

O grupo Transportes passou de uma elevação 0,18% em novembro para um aumento de 0,77% em dezembro, uma contribuição de 0,16 ponto porcentual para a inflação de 0,40% medida pelo IPCA-15 deste mês. A alta de 9,02% no preço das passagens aéreas deu a maior contribuição individual para o IPCA-15 do mês, 0,09 ponto porcentual.

Já os combustíveis recuaram 0,27% em dezembro. A gasolina ficou 0,24% mais barata. Houve quedas também no etanol (-0,35%) e no óleo diesel (-0,75%). O gás veicular subiu 0,08%.

O táxi teve alta de 0,83%, devido ao reajuste de 6,67% em São Paulo a partir de 28 de outubro. O ônibus urbano aumentou 1,91%, influenciado pelo reajuste de 6,12% em Salvador a partir de 13 de novembro e pela recomposição de preços em São Paulo.

“Em São Paulo, destaca-se a alta de 6,67% nos subitens trem, metrô, ônibus urbano e integração de transporte público, que haviam recuado 6,25%, no mês anterior, em decorrência da gratuidade concedida nos transportes metropolitanos para toda a população nos dias de realização das provas do Enem”, explicou o IBGE.

Alimentos e bebidas

Os preços dos alimentos ficaram mais caros em dezembro. O grupo Alimentação e bebidas saiu de uma alta de 0,82% em novembro para uma elevação de 0,54% em dezembro, uma contribuição de 0,12 ponto porcentual para a taxa de 0,40% registrada pelo IPCA-15.

A alimentação no domicílio subiu 0,55% em dezembro. Houve altas de preços na cebola (10,63%), batata-inglesa (10,32%), arroz (5,46%) e carnes (0,65%). Na direção oposta, as famílias pagaram menos pelo tomate (-7,95%) e leite longa vida (-1,91%).

A alimentação fora do domicílio aumentou 0,53%. A refeição fora de casa subiu 0,46%, e o lanche avançou 0,50%.

O que dizem os analistas

A inflação medida pelo IPCA-15 em dezembro, que superou até mesmo as previsões mais pessimistas de mercado, sugere uma reversão na trajetória dos serviços subjacentes, que voltaram a subir. A observação é feita pelo economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

Ele diz que esperava que o núcleo dos serviços permanecesse ao redor de 4,60% em 12 meses, mas o resultado veio em 4,72%. “Infelizmente, temos que apontar que o alívio de serviços subjacentes, recentemente sinalizado pela autoridade monetária, teve uma virada e tornou a acelerar”, comentou Sanchez. O economista considera que o dado, embora não seja motivo para se preocupar imediatamente, amplia a atenção sobre o comportamento dos preços.

A expectativa da Ativa para o IPCA de dezembro subiu de 0,47% para 0,59%, o que leva a projeção ao resultado final de 2023 de 4,5% para 4,6%.

Apesar do resultado do IPCA-15 acima das expectativas, o economista André Perfeito diz não ver uma piora significativa da inflação brasileira. “Está evidente que a medida em que os dados econômicos melhorarem – em especial a queda do desemprego – é razoável supor alguma elevação de preços, especial em serviços como já argumentei antes”, afirma, em nota.

Tampouco, na visão do economista, o IPCA-15 mais alto tende a alterar as apostas para a taxa básica de juros, que atualmente está em 11,75% ao ano. “Neste sentido mantenho projeção de Selic em 9,75% ao final do ciclo em 2024″, diz Perfeito.

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio de Sousa Leal, também diz que a visão do Banco Central sobre o processo de desinflação e a condução da política monetária não deverá se alterar diante da surpresa altista do IPCA-15. “A surpresa veio basicamente de passagem aérea, mas é algo muito pontual. Pegando as aberturas qualitativas, boa parte veio como o esperado”, diz o economista. “E a passagem aérea é um item que não tem muita relação com política monetária”, reforça.

Com o resultado desta quinta, Leal projeta que o IPCA de dezembro deve registrar variação entre 0,45% e 0,50%. O resultado deve levar a inflação encerrar 2023 entre 4,55% e 4,60%.

Fonte: Estadão

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