Edinaldo Rodrigues, idealizador do Vemob, o maior evento de veículos elétricos, mobilidade e inovação da Região Nordeste, enumerou os principais motivos para que os veículos elétricos sejam destaques no setor automotivo. Segundo um levantamento da McKinsey, 64% dos brasileiros veem com bons olhos ter um carro com energia limpa e pelos números da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): no primeiro semestre deste ano, foram quase 3,4 mil emplacamentos de automóveis totalmente elétricos.
Para uma mobilidade mais eficiente, ele acredita que a eletrificação deve começar pelo transporte público. “Por se tratar de um modal que tem mais impacto na emissão de CO2 e por estar diretamente em contato com a grande população, isso é o que fará com que haja uma aceitação mais rápida para essa tecnologia”, explicou.
Questionado se os veículos híbridos terão mais força, pela consolidação do etanol no Brasil, ele responde que eles serão aliados na eletrificação. “Esses veículos serão um aliado na eletrificação da frota que, posteriormente, se tornarão totalmente elétricos”, validou.
Incentivos
Para que os veículos elétricos tenham uma participação maior na frota, o especialista afirmou que são necessárias políticas públicas e que a massificação vai começar pelo transporte público. “Com o aumento da demanda e o preço ficando mais acessível, com certeza teremos a virada de chave para os elétricos”, acrescentou.
Especificamente na região Nordeste, ele citou os atrativos. “Os atrativos são a isenção de IPVA parcial ou total em algumas cidades e estados do Nordeste, e a questão do potencial de geração de energia fotovoltaica. A frota de veículos elétricos vem crescendo de forma lenta na região, por conta do valor a ser investido e a pouca infraestrutura”.
No quesito infraestrutura, ele destacou que há muitos desafios e oportunidades. “Em um país de dimensões continentais não é fácil ter uma infraestrutura disponível para transitar em regiões afastadas dos grandes centros. Porém, esses desafios estão sendo tratados como oportunidades para geração de novos negócios”.
A tendência, segundo ele, será conectar as redes de recargas dos grandes centros, eletrovias, corredores de eletropostos e, gradativamente, ir se espalhando para regiões turísticas e atrativas para o público que possui veículos elétricos. “Lembrando que os equipamentos estão cada vez mais baratos e o mercado de energia vai favorecer a comercialização de serviços de recarga, potencializando o segmento”, afirmou.
Vemob
Criado em 2019, o Vemob atraiu mais de 2 mil pessoas em sua primeira edição e a segunda, em 2020, aconteceu virtualmente. Considerado o maior evento de veículos elétricos, mobilidade e inovação da Região Nordeste, ele reúne empresas, governos, universidades, startups, entidades de classes, usuários de veículos, instituições financeiras e demais interessados para gerar oportunidades de negócios, conhecer novos produtos e serviços, debater soluções e proporcionar um ambiente receptivo às novas tecnologias no segmento.
“O Vemob tem por objetivo trazer o tema da mobilidade sustentável para ser discutido com renomados especialistas e propor projetos, negócios, soluções e políticas públicas para a região do Nordeste. Trazemos também empresas com seus produtos, serviços e soluções para serem gerados novos negócios na nossa região, além de propor a experiência de ter o contato de fazer teste drive nos veículos elétricos”, comentou Edinaldo.
Pontos altos dos veículos elétricos
Conformidade com princípios ESG: “quando se fala em carros elétricos, é evidente que a questão ambiental aparece como o principal fator de popularização e aceitação. Porém, trata-se da sustentabilidade como um todo de acordo com os princípios ESG de desenvolvimento social, respeito às normas e proteção ao meio ambiente. É um tema em alta para empresas e investidores atualmente”.
Evolução tecnológica e digital: “a indústria automotiva é uma das que mais demandam inovação tecnológica em seus processos. Um carro elétrico é a face dessa digitalização do setor e, mais do que isso, um veículo que facilita a incorporação de novidades, como computadores e uso de inteligência artificial para poupar energia e facilitar a direção do motorista”.
Alternativa aos combustíveis fósseis: “do início dos automóveis, com a criação da linha de montagem fordista, até o momento, várias transformações ocorreram nessa indústria, mas uma situação se manteve, a utilização de combustível fóssil como principal fonte de combustão para fazer funcionar os veículos. Além de ser altamente poluente, é um recurso finito. A utilização de energia elétrica se consolida como principal alternativa para manter a produtividade do setor sem que isso resulte em perda de desempenho”.
Melhor relação de custo/benefício: “os carros elétricos possuem uma melhor relação custo/benefício, tanto para as fabricantes quanto para os motoristas. Não há queda de potência em relação à combustão, a vida útil da bateria é tão boa ou até melhor do que a de um motor de um veículo a gasolina ou álcool e o custo da produção é similar”.
Legislação e demanda da sociedade: “a União Europeia, por exemplo, decidiu pôr fim na produção de carros a combustão até 2035 em todos os países no bloco. Já no Brasil há um intenso debate entre empresas, profissionais e acadêmicos para construir um novo marco regulatório que estimule todo o setor”.
Mobilidade eficiente: “a utilização da eletricidade expande as opções de locomoção para as pessoas e, consequentemente, faz com que o trânsito nas pequenas e grandes cidades seja bem mais eficiente. Além, é claro, de ser bem mais sustentável e limpa do que observamos atualmente”.
Fonte: Balcão Automotivo