Consumidores e investidores preferem empresas engajadas e conectadas aos clientes


Evento Web Summit 2021, realizado pela FecomercioSP em parceria com a Opice Blum Academy, destaca as lições aprendidas com uma das maiores conferências mundiais sobre negócios
Consumidores e investidores preferem empresas engajadas e conectadas aos clientes
Sustentabilidade, em suas diversas vertentes, é a palavra de ordem para o futuro (Arte: TUTU)

Ao redor do globo, empresas têm apostado em verdadeiras transformações no modo como se comunicam e interagem com seus consumidores e stakeholders, enquanto se firmam em pilares que se baseiam em pessoas e responsabilidade institucional. Por um lado, investidores já cobram um posicionamento em relação à sustentabilidade na “primeira página” dos relatórios corporativos; por outro, consumidores buscam produtos e serviços engajados em causas sociais e que estejam alinhados aos seus valores pessoais.

Ao lado destas mudanças, são esperadas revoluções no comércio eletrônico. Além disso, os gestores mais influentes já estão adaptando os processos do negócio ao perfil de um cliente que quer o seu produto disponível instantaneamente.

Estas tendências de inovação foram debatidas no Web Summit 2021, uma das maiores conferências mundiais de tecnologia, empreendedorismo e inovação, realizada em Lisboa (Portugal) entre os dias 1º e 4 de novembro.

O megaevento reuniu presencialmente mais de 40 mil pessoas, de 128 países, com a participação das maiores empresas de tecnologia do mundo, startups, gestores, investidores e especialistas relevantes em diversas áreas. Dentre as palestras, destacam-se as que falaram sobre: futuro do branding, liderança holística, realidade aumentada, ESG, health techs, tecnologias para o mercado financeiro, NFTs (registro eletrônico de algum ativo ou bem), tendências do comércio e relação do ser humano com o digital.

A FecomercioSP e a Opice Blum Academy realizaram um encontro online no último dia 11 de novembro, detalhando os principais highlights e as tendências do Web Summit às empresas brasileiras.

Danielle Serafino, Marcella Costa e Gisele Karassawa – três representantes das áreas de Inovação e de Startups do Opice Blum – estiveram em Lisboa e trouxeram as tendências de mercado. Confira, a seguir, os principais tópicos da apresentação.

Mais sobre o assunto:

Métricas de valor nas empresas precisam conciliar lucro com impactos social e ambiental

 “Sustentabilidade” é a palavra de ordem para o futuro

De forma geral, a sustentabilidade, em suas diversas vertentes, representou o tópico principal das palestras do Web Summit. Mais do que a responsabilidade ambiental, as empresas e os investidores enxergam oportunidade de crescimento e de lucro, e de uma nova razão de existir, a partir de ações com impacto positivo ao planeta, com um olhar voltado à conexão da marca com as pessoas (profitpeople and planet), além da saúde e da qualidade de vida de colaboradores e consumidores.

A lição que fica é que os três pilares (lucro, pessoas e responsabilidade institucional com o meio ambiente) já são inseparáveis aos negócios.

Algumas palestras trataram da sustentabilidade de ponta a ponta no varejo, na qual toda a cadeia de produção – fornecedor, venda, entrega, descarte e logística – adota práticas completamente sustentáveis e sem impacto negativo para o meio ambiente.

Varejo da moda vive transformação com mídias digitais, consumo repensado e conexão com comunidades

No varejo de moda, percebe-se que os consumidores estão se afastando dos materiais de consumo insustentáveis. Com isso, as startups do setor estão empenhadas na sustentabilidade de ponta a ponta.

Por outro lado, o TikTok tem sido o “berço” de muitos novos negócios e de influenciadores que “flutuam” em torno destes produtos, com marcas exclusivas criadas por e para eles. O comércio online, inclusive, tem sido alavancado no mundo, de modo geral.

A cultura da comunidade está mais forte, e a indústria da moda tem tentado acompanhar as mudanças. Com isso, as marcas evitam olhar pessoas apenas como potenciais consumidores, fazendo clientes e colaboradores se sentirem pertencentes a uma comunidade formada pela empresa.

O cliente quer comprar menos roupas, ao passo que deseja ver as marcas engajadas em movimentos de sustentabilidade. Isso está gerando um declínio do consumo fast fashion, enquanto que novas vertentes ganham espaço, tal como o mercado second hand, com mais fomento por investidores. Um dos cases apresentados por uma grande empresa foi o de uma máquina de reciclagem de roupas e tecidos, em que o cliente leva uma peça e a loja a transforma em outra, por exemplo. Uma startup foi reconhecida pelo uso da Inteligência Artificial (IA) visando a evitar desperdício e emissão de poluentes na produção têxtil.

Transparência é valiosa para stakeholders e consumidores

Outro tópico bastante destacado no Web Summit foi a necessidade de as empresas serem mais transparentes com seus clientes, interlocutores e stakeholders, bem como disponibilizarem todas as informações inerentes ao negócio, tendo em vista que se busca, cada vez mais, entender como uma marca funciona antes de se investir nela ou consumir seus produtos.

Nova geração de consumidores valoriza recomendação por influencers

Houve um amplo debate a respeito de uma comunicação mais aprofundada entre marca e cliente. Entende-se que o consumidor busca comprar e utilizar serviços de empresas que se alinhem e estejam conectadas a seus valores – sobretudo a geração Z, que já representa 30% dos consumidores e está mais aberta a seguir a recomendação de influencers digitais.

Isso representa uma mudança na forma como a empresa deve se comunicar e se alinhar totalmente com o pilar de “propósito de existência” da marca.

Uma das palestras da conferência apontou, por exemplo, que somente 7% dos CEOs sabem dizer qual é a “motivação” do seu negócio. De forma geral, gestores e especialistas sinalizaram que isso precisa estar muito bem definido e se tornar uma obsessão, tanto da gestão quanto das equipes internas. Caso contrário, ter uma diversidade de colaboradores não engajados por uma causa em comum se torna um “tiro no pé” do negócio.

Comércio eletrônico chega a uma nova etapa

Um termo que ganhou destaque foi o q-commerce (quick commerce), uma forma de entrega ultrarrápida desenhada com base nas experiências multiplataformas, inclusive com opções próprias de delivery.

Por mais que os negócios precisem explorar as possibilidades no mundo, é fundamental que os centros de produção e de entrega sejam locais, de forma a chegar no cliente o mais rápido possível. Várias cidades tentam implementar o delivery em até 15 minutos.

Uso de dados é estratégico pelas companhias

Falou-se também da jornada de dados, em que toda a informação que o empreendimento recebe a partir de uma venda ou do relacionamento com o cliente gera uma oportunidade de otimizar ainda mais a empresa. Vários negócios já contam com departamentos responsáveis pela estratégia de dados inseridos no negócio. 

Além disso, a preocupação com o uso ético dos dados e a maturidade no tratamento de informações já estão consolidadas na mente do consumidor e nas atitudes da companhia. Atualmente, a discussão já chega no nível de regulamentação da IA – realidade que está tomando forma, inclusive, no Brasil.

Perdeu o encontro da FecomercioSP e da Opice Blum Academy ou quer rever? Você pode assistir aqui.

Fonte: FecomercioSP

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