Mercado de veículos usados e seminovos cresce ano após ano


A expectativa de Enilson Sales, presidente da Fenauto, é que neste ano não será diferente
Mercado de veículos usados e seminovos cresce ano após ano

Em entrevista exclusiva ao Balcão Automotivo, Enilson Sales, presidente da Fenauto, comenta os movimentos do mercado de veículos usados e seminovos, “há 15 anos, ele vem crescendo surpreendentemente, ano após ano. Isso é muito bom, espero que a gente não perca o passo neste ano”, ressalta. Neste ano, as vendas acumuladas no quadrimestre somaram 3.706.064 veículos, resultado 21,2% inferior ao mesmo período de 2021 (4.705.647). Porém, em abril, em relação ao mês anterior, a média diária de vendas foi de 5,6%, com um total de 939.182 unidades comercializadas.

Enilson Sales, presidente da Fenauto

“Comecei o ano super feliz e animado, mas passei janeiro e fevereiro super triste, porque os números estavam abaixo. Agora, acho que podemos olhar e dizer que é possível fecharmos 2022 com os números do ano passado, que foram resultados excelentes. Mesmo com a inflação alta, guerra, combustíveis em alta, câmbio que não cai e com um evento master, que é a eleição presidencial, ainda temos essa chance”, afirma.

Olhando para trás, Sales ilustra que, em 2019, a média diária de veículos comercializados por dia útil foi de 57.223 veículos, no ano seguinte, 50.679 e em 2021, 59.710, representando uma variação foi positiva de 17,82%. “O primeiro ponto de crescimento no ano passado é que em 2020, nós tivemos praticamente três meses de comércio parado, isso obviamente para recuperar, por mais que o final de 2020 tenha sido muito bom, a recuperação não deu para cobrir o gap que ficou entre os finais de março e junho”.

Outra questão bastante relevante foi a falta de componentes eletrônicos. “Ela começou a afetar o mercado a partir do segundo semestre de 2020 e se estendeu por todo o ano passado, só agora, eles começam a chegar aos estoques das montadoras, não no volume necessário para que eles se recomponham, mas começa a ter uma certa normalização. A falta de componentes eletrônicos para compor a montagem de carros afetou, basicamente, o mercado de 2021”.

Reflexo nos preços

Com a falta de veículos 0 KM, o preço dos usados e seminovos aumentou. “Muita gente de frota, de locadora, motoristas de táxi e de UBER têm que trocar seus veículos com certa frequência, pois eles começam a ficar obsoletos e a quebrar mais e cada vez que isso acontece a manutenção vai ficando mais cara. Na necessidade, pagaram mais caro para trocar pelo seminovo”, diz.

Mesmo gradualmente começando a melhorar a entrega dos componentes eletrônicos, Sales frisa que a indústria não se recompõe na velocidade que gostaríamos e que, no segmento de usados e seminovos, abril deste ano demonstra que o mercado está normal. “Com as oscilações mercadológicas naturais, como a falta de um produto, o autoconsolo de outro, as coisas começam a ficar um pouco mais normalizadas”, afirma.

Ainda sobre o resultado deste ano, Sales diz que ele estava dentro do esperado. “A partir de outubro e novembro de 2021, nós já estávamos sentindo uma desaceleração, basicamente, pelos preços mais caros dos veículos. Mas, imaginávamos que essa desaceleração seria um pouco menos dramática. Nos dois primeiros meses deste ano houve uma desaceleração muito forte, somente em janeiro, foram 32% menos negócios realizados do que em janeiro de 2021. Em fevereiro, ficou praticamente no zero a zero, em março cresceu um pouco e, em abril, 5,6% em relação ao mês anterior”.

Nesta conta, que considera os dias úteis dos meses, o executivo comenta que feriados prolongados impactam diretamente. “Se comparar abril a março deste ano com o mesmo período de 2021, nós tivemos 13% menos de vendas, isso porque a Semana Santa e o Carnaval deslocam nos anos e quando invadem um mês, ele é ruim. Mas, basicamente, podemos dizer que normalizando essa curva, tratando de dias úteis, crescemos 5,5% em abril em relação a março”.

Para finalizar, Sales expõe o quanto o segmento automotivo é importante para o País. “Ele movimenta a cadeia de transporte, que é fundamentalmente por rodas, pois não temos uma malha fluvial e nem ferroviária adequadas para o tamanho do Brasil. E movimenta toda a parte de logística do País, contribui muito no escoamento de safra e na própria revitalização da economia, pois se o segmento está bem e tem uma boa remuneração, o dinheiro circula”.

Fonte: Balcão Automotivo

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