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Tiggo2, o primeiro Caoa Chery

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Montadora aposta em preço para ganhar espaço. SUV compacto pode incomodar concorrência com duas versões de R$ 60 mil e R$ 66,5 mil 
PEDRO KUTNEY, AB

Com ganhos significativos de qualidade e aparência, o Tiggo2 representa a evolução dos carros chineses e da fabricante Chery. Produzido no Brasil, na fábrica de Jacareí (SP) inaugurada pela montadora em 2014, o SUV compacto que deveria ter sido lançado há mais de um ano no mercado brasileiro representa mais do que evolução, mas também o renascimento da operação que desde seu início nunca conseguiu decolar de fato no mercado brasileiro. O carro é o primeiro Caoa Chery, lançado após a associação com o Grupo Caoa no ano passado (leia mais aqui). É, portanto, o abre-alas da nova estratégia para refazer a história da marca chinesa no País – ou melhor, da agora marca sino-brasileira.
A receita usada para isso já é bastante conhecida: oferta de conteúdo maior por preço menor do que a concorrência. Assim o Tiggo2 dois chega com pacote bastante completo em apenas duas versões, Look por R$ 59.990 e ACT por R$ 66.490, o que segundo cálculo da Caoa Chery coloca a opção de entrada R$ 10 mil abaixo do Renault Duster Expression, o SUV nacional de pequeno porte mais barato do mercado atualmente. E o Tiggo2 de topo, o ACT, com quase 20 itens a mais na lista de equipamentos, ainda custa R$ 3,5 mil a menos que o Duster.

“Enxergamos que existia um espaço de preço entre alguns hatches do mercado e um SUV de entrada como o Duster. É aí que queremos encaixar o Tiggo2”, diz Marcio Alfonso, nomeado novo CEO da Caoa Chery

Como resultado prático dessa estratégia, a projeção é vender de 8,5 mil a 9 mil Tiggo2 até o fim deste ano, o que representa perto de 60% dos 15 mil veículos que a Caoa Chery espera emplacar em 2018 para conquistar 0,6% de participação do mercado brasileiro – o que será um avanço expressivo em comparação com o market share de 0,17% e apenas 3,7 mil carros vendidos pela Chery no Brasil em 2017. Além do Tiggo2, estão previstos outros três lançamentos da marca no segundo semestre, que ajudarão a compor as vendas com os outros modelos ainda fabricados em Jacareí, Celer e QQ. Todos os três que vão chegar até o fim do ano serão produzidos aqui, um em Jacareí e dois na fábrica da Caoa em Anápolis (GO), onde o grupo também produz modelos Hyundai. 

Design externo do Tiggo2 é agradável, não chama a atenção, mas não afugenta

PÓS-VENDA PARA VENDER MAIS

Parte importante da estratégia para recriar o interesse pela marca no Brasil está na maior especialidade e vantagem da Caoa, a experiência em montar redes de distribuição. O Tiggo2 começa a ser vendido em 25 concessionárias, a maior parte já trabalhava com a Chery. A estimativa é abrir mais 30 novos pontos de venda e serviços da nova marca até o fim do ano. Alfonso calcula que 40% deles deverão ser do próprio Grupo Caoa, que inaugurou este mês em São Paulo a primeira loja Caoa Chery, com padrão visual próprio. O objetivo também é fortalecer o pós-venda com preços mais baratos: o pacote de manutenção até 60 mil km para o Tiggo2 custa R$ 2.759, contra média de R$ 3 mil da maioria dos concorrentes.
“O que faz o cliente voltar para a marca é como ele foi atendido depois da compra. O Grupo Caoa vem fazendo um trabalho reconhecido nesse sentido com as outras marcas que representa (Hyundai, Ford e Subaru) e vamos aplicar os mesmos padrões aos clientes da Caoa Chery”, garante Alfonso – que além de CEO da nova empresa mantém o cargo de diretor de engenharia do Grupo Caoa. “No fim essa transformação no atendimento vai aumentar o valor de revenda dos carros da marca”, diz o executivo.
Em resumo, a ideia é começar tudo de novo, com oferta novos produtos que oferecem design atraente e mais qualidade por preço abaixo da concorrência, ao mesmo tempo em que se monta uma rede de distribuição robusta para assegurar bons serviços.

“Sabemos que não temos o mesmo tempo de mercado dos concorrentes, por isso precisamos de uma estratégia forte de preço e pós-venda”, resume Henrique Sampaio, gerente de marketing da Caoa Chery

BOM COMEÇO COM O TIGGO2

Sem luxos, interior é bem acabado

O Tiggo2 é um bom começo para a estratégia de crescimento da Caoa Chery. Com desenho traçado por designers europeus que recriaram a imagem da Chery, o SUV compacto tem aparência agradável, que se não arrebata olhares, também não afugenta. Por fora e por dentro, transmite boa sensação de qualidade standard, sem luxos – e sem as indigências de acabamento muito comuns a veículos nacionais e chineses. Em todas as versões, os bancos são revestidos com mistura de tecido e couro sintético. O conforto acústico também foi bastante melhorado em relação a outros Chery, e os plásticos usados no interior não têm mais o odor desagradável do passado.
Na comparação direta com o Duster, o Tiggo2 tem acabamento melhor e mais equipamentos, só perde (não por muito) em espaço para os passageiros traseiros. Apesar da aparência compacta, o Tiggo2 tem dimensões generosas, com 4,2 metros de comprimento, 1,57 m de altura, 1,76 m de largura e entre-eixos de 2,55 m, além de bom porta-malas que acomoda 420 litros de bagagens.
O novo SUV usa motor flex 1.5 16V que gera até 115 cavalos e torque de 14,9 kgfm abastecido com etanol, ou 110 cv e 13,8 kgfm com gasolina. É 22 cavalos menos potente que o Duster 1.6, mas não fica devendo em desempenho. Não é nada de mais nem de menos. A motorização é justa. Por enquanto só há opção de câmbio manual de cinco marchas, mas já está prometida versão com transmissão automática para breve, ainda este ano. Na estrada, o Tiggo2 vai bem, é estável, não assusta, tem boa aceleração.

A versão mais básica, Look, já vem bastante bem equipada com rodas de liga leve 16”, direção hidráulica (um pequeno demérito na comparação com a assistência elétrica), acionamento elétrico de travas, retrovisores e vidros (que também levantam ou abaixam pressionando o controle remoto da chave), ar-condicionado e rádio com entrada USB. O pacote de segurança básico inclui os obrigatórios por lei freios com antitravamento e distribuição eletrônica (ABS/EBD) e dois airbags frontais. O carro também conta com sistema de Isofix de ancoragem de cadeiras infantis.
Por R$ 6,5 mil a mais, o Tiggo2 ACT, topo de linha, agrega controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração, assistência de partida em rampa, teto solar (pequeno) com acionamento elétrico e sistema multimídia com tela tátil de 8 polegadas, que pode se conectar ao smartphone por Bluetooth ou cabo USB via Android Auto ou Apple Car Play. O único opcional do Tiggo2 é o teto bicolor em preto, que custa R$ 1,5 mil extras, para combinar com o resto pintado em azul, branco ou prata, três das cinco cores disponíveis para o modelo.

Fonte: Automotive Business

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