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Mercedes-Benz revisa 2018 para cima

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Empresa espera crescimento de 30% nas vendas de caminhões

PEDRO KUTNEY, AB

Schiemer: mercado volta a crescer

 

Depois de verificar sensível crescimento das vendas de veículos comerciais pesados no último trimestre do ano, a Mercedes-Benz revisou para cima suas projeções para 2018. Em outubro, a direção da empresa no Brasil previa expansão de 20% nos emplacamentos de caminhões no próximo ano em comparação com 2017, este mês aumentou o porcentual em 10 pontos, para 30%. Para chassis de ônibus a estimativa é mais comedida, elevando a expectativa de avanço de 12% para 15%. “Ainda existem incertezas no horizonte, não está tudo certo, mas os últimos meses nos indicam um aquecimento consistente do mercado, que tem demanda reprimida e deve continuar a crescer em 2018”, avalia Philipp Schiemer, presidente da companhia no Brasil e América Latina. O executivo espera que o desempenho da Mercedes seja igual e até um pouco superior ao do mercado.
Schiemer reforça que a aposta em crescimento maior está amarrada na continuação da política econômica de austeridade fiscal e aprovação de reformas, em especial a da Previdência, além de disputa eleitoral longe de agendas populistas. “Independentemente de quem serão os candidatos à Presidência do País, vão ter de enfrentar a realidade, que é a necessidade de colocar as contas em dia para manter a economia equilibrada”, espera, com projeção de expansão do PIB entre 2,5% e 3% em 2018. O executivo lembra ainda que a acentuada queda dos juros deve ser melhor percebida nos próximos seis meses, contribuindo para aquecer a economia.
Nos últimos meses de 2017 a Mercedes-Benz comemorou o fechamento de negócios vistosos, como a venda de mil ônibus urbanos e rodoviários para o Grupo Constantino e 905 micro-ônibus para a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, além de mais de 400 caminhões pesados, incluindo 150 Actros para o transporte de grãos da Transportadora Transoeste, de Rondonópolis (MT), 154 veículos para o Grupo Raízen e 100 outros para a Risa, que opera no transporte de combustíveis no Nordeste. A maioria desses veículos nem será emplacada em 2017 e só deverá impactar nos resultados do início de 2018. “O importante é que esses negócios confirmam o reaquecimento do mercado e nos trazem fôlego estra para começar o próximo ano”, diz Schiemer.
Apesar dos sinais positivos deste último trimestre, não houve tempo suficiente para compensar as vendas fracas dos demais meses, por isso o resultado de 2017 seguirá no campo negativo. A Mercedes-Benz estima fechar o ano com 14,5 mil caminhões emplacados, o que significará retração de 4% sobre 2016. O desempenho é bem pior para ônibus: a projeção de 6 mil unidades se traduz em queda de 26% na comparação com o ano anterior. Ainda assim, com esses números a marca conseguirá manter a liderança apertada do mercado nacional de caminhões, com participação de 28% a 29%, enquanto no segmento de ônibus o primeiro lugar é bem mais folgado, com 54% de market share.

AJUDA DA EXPORTAÇÃO 
As exportações de 7,5 mil caminhões Mercedes-Benz em 2017 representam crescimento de 34% sobre 2016. Somando com 6,5 mil ônibus (volume estável em relação ao ano passado), os 14 mil veículos que a empresa calcula embarcar no total para outros países este ano vão responder por cerca de 40% da produção da Mercedes-Benz no Brasil este ano, avanço bastante expressivo em comparação com os 10% de 2014.
“Há muito tempo não se via números tão bons de exportação. Crescemos em quase todos os mercados”, explica Schiemer, citando aumento de 33% nos volumes vendidos este ano na Argentina (5,7 mil unidades), onde a Mercedes lidera o mercado de caminhões com 26% de participação e o de ônibus com 67%, além de expressivos crescimentos no Chile (+44% com 859 veículos) e no Peru (+24% e 458 vendas). Justamente por causa do grande avanço externo em 2017, o executivo estima que as exportações devem se estabilizar em 2018, “mas o foco em vender mais no exterior é algo que veio para ficar”, garante.
O mercado externo foi fundamental para recuperar os níveis de atividade no Brasil. A fábrica de São Bernardo do Campo (SP), com 7 mil empregados, hoje opera em um turno completo e já negociou com o sindicato o trabalho extra em 11 sábados até abril próximo. Os 120 afastados em layoff retornaram ao trabalho, 86 aprendizes serão incorporados ao trabalho em janeiro. Na planta de Juiz de Fora (MG) foram feitas 85 novas contratações, que se juntam aos 700 funcionários da unidade. As férias coletivas de fim de ano, entre dezembro e janeiro, terão 16 dias, contra 23 dias um ano atrás.
No início do ano a fábrica do ABC Paulista produzia cerca de 120 veículos por dia e a ociosidade estava em torno de 60%. Agora caiu para menos de 50% com a produção de 160 unidades/dia. Se as demandas doméstica e externa continuarem em expansão e as incertezas do horizonte forem dissipadas, Schiemer não descarta a retomada do segundo turno. “Talvez isso seja necessário em algumas áreas, mas antes de tomar essa decisão precisamos ter certeza de tudo seguirá evoluindo positivamente”, resume.

 

Mercedes insinua parar de fazer carros no País

Situação “fica difícil” sem nova política industrial, diz Schiemer

PEDRO KUTNEY, AB

Linha de montagem da Mercedes em Iracemápolis

 

Sem a continuação de uma política de incentivos para compensar a falta de competitividade de se fabricar em baixos volumes carros de luxo no País, a situação da fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP), inaugurada há menos de dois anos, “fica difícil”, resume Philipp Schiemer, presidente da companhia no Brasil e América Latina, ao ser questionado como a operação poderá continuar diante da indefinição sobre a continuação de um regime industrial específico. Schiemer lembrou que o investimento de R$ 700 milhões para erguer a planta só foi viabilizado por causa do Inovar-Auto, que impôs sobretaxação a veículos importados desde 2012 e beneficiou com descontos empresas que decidissem produzir aqui. O programa termina no fim deste ano e deveria ser substituído por outro, conhecido como Rota 2030, que teve suas propostas de isenções tributárias barradas pelo Ministério da Fazenda e por isso encontra-se sem data para entrar em vigor.
“O problema é acabar com tudo de uma vez. Nós nunca fomos favoráveis à limitação de importações, mas o fato é que fizemos uma fábrica seguindo uma política do País. Se agora vamos ficar sem nada a situação fica difícil”, reclama. Com cerca de mil empregados, a Mercedes-Benz fabrica atualmente em Iracemápolis o sedã Classe C e o utilitário esportivo GLA, com operações de soldagem de carroceria, pintura e montagem final, mas boa parte dos componentes é importada. Os dois modelos respondem por mais da metade das vendas de automóveis da marca no mercado brasileiro, mas a produção estimada de 7 mil unidades este ano não atinge nem a metade da capacidade de 20 mil/ano.
Schiemer evita dizer claramente o que é necessário para continuar a produzir carros no País, mas afirma que, com os volumes atuais, a fábrica não é competitiva e seria mais barato importar os dois carros feitos lá. “Com volume tão pequeno fica inviável”, alerta. “Uma das medidas talvez fosse reduzir o importo de importação de componentes”, sugere, admitindo que a empresa já usa alguns ex-tarifários, que reduz a alíquota a 2% para alguns itens sem produção similar nacional. “Não achamos que isso seja protecionismo, é preciso ter alguma vantagem para continuar a produzir aqui”, avalia.
Segundo ele, no momento também não é competitivo exportar para compensar a retração do mercado doméstico – como fez a BMW em Araquari (SC), que já exportou boa parte da produção local do X1, cerca de 10 mil unidades, para os Estados Unidos.
O executivo ainda espera que alguma regulamentação seja adotada pelo governo antes da virada do ano. “Tem de sair, porque senão todo um setor vai ficar sem previsão do que fazer. A principal vantagem do Rota 2030 é de trazer previsibilidade para o setor, isso é fundamental para nortear nossos investimentos”, defende Schiemer.
A Mercedes-Benz produz caminhões e ônibus no País há 61 anos, mas nunca conseguiu viabilizar aqui plenamente a produção de automóveis. Esta é a segunda tentativa. A primeira foi em 1999, quando inaugurou a fábrica de Juiz de Fora (MG) para produzir o Classe A. Esperava fazer 60 mil unidades/ano, chegou ao máximo de 15 mil e encerrou a fabricação do modelo em 2005. Manteve a operação aberta para honrar os incentivos fiscais que recebeu, fabricou Classe C para exportação até 2009, quando então tomou-se a decisão de converter a planta para fazer caminhões, o que acontece até hoje.
Incentivada pelo Inovar-Auto, a Mercedes anunciou a volta da fabricação de carros no País já no fim de 2013, e começou a montagem em Iracemápolis após dois anos, em 2016. Na época, a avaliação era de que o mercado brasileiro de veículos premium tinha grande potencial de crescimento, e a única maneira de participar seria fabricar no País depois da sobretaxação às importações. Estratégia semelhante foi seguida por outras marcas do mesmo segmento, como Audi, BMW e Land Rover. Com a derrocada econômica e a queda nas vendas, os volumes desceram a níveis baixos demais para justificar a produção local, e com o fim de incentivos, como diz Schiemer, “fica difícil”.

Fonte: Automotive Business

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